10
Set
06

I’ll be back…

Quando em meados dos anos 80 do século passado, a Sony e a Philips se juntaram para lançar o CD, a morte do disco em vinil foi anunciada e celebrada. O novo formato era mais robusto, levava mais música e como não existe contacto mecânico entre o dispositivo leitor e o disco, deixavam de existir os ruídos inerentes a esse contacto e o som era mais límpido. Foi o que nos prometeram…
O que não nos disseram era que o som era mais “hi-fi” e menos real, que era mais agressivo, mais cansativo, com pior dinâmica e com pior baixo. O que não nos disseram também é que para usar os 80 minutos de um CD as bandas iriam encher os albuns de músicas que habitualmente nunca teriam saído da sala de gravação. E que iriamos ter que adquirir novamente os albuns da nossa discoteca porque, lógicamente, os formatos não eram compatíveis. Houve muita gente a vender colecções inteiras ao desbarato para comprar a mesma colecção em suporte CD…Isto tudo a propósito de uma conversa que tive esta semana com o Eduardo da Jo jo’s sobre o estado de vendas do vinil, e especialmente sobre os singles 7″, que têm subido exponencialmente. Practicamente não há editora independente que neste momento não faça o lançamento de determinado disco em formato LP e CD. Quanto aos 7″ polegadas é ver para crer, das bandas que habitualmente compro os LP’s saem quase sempre 3 ou 4 7″, com capas extraordináriamente cuidadas, o vinil é muitas vezes colorido ou transparente ou até picture disc. Segundo o Eduardo, quando foi lançado o 7″ dos Artic Monkeys, a nova coqueluche teenager em Inglaterra, as filas para o comprar eram brutais, com gente à espera horas para comprar o single branco de edição limitada. E estamos a falar de malta da geração MP3!

O LP é realmente uma obra de arte, com uma capa com cerca de 4 vezes a do CD e que permite tirar partido do design gráfico aí aplicado. Vão à Jo-Jo’s e peçam para ver o último disco do Thom York em CD e depois vejam a mesma capa no LP e retirem as vossa próprias conclusões. Ou melhor, peçam para ver o picture disc do “Crazy” dos Gnarls Barkley…O CD é práctico mas o LP é um outro mundo, quando me sento para ouvir música em vinil não existe a tentação de saltar as músicas porque não há controlo remoto que mo permita fazer e todo aquele ritual de colocar o disco e deixar pousar a agulha na superfície do disco transmite-nos uma sensação de que somos parte integrante do processo de audição, ao contrário do CD em que colocamos o disco numa prateleira e o aparelho faz o resto.

Ultimamente têm aberto no Porto lojas que se dedicam à venda de vinil usado, ou que complementam a venda do CD com uma já larga selecção de vinil. Para um formato que todos davam como morto e enterrado, parece-me de boa saúde!
Em relação ás vendas de gira-discos, não poderiam estar a correr melhor para os fabricantes, que apresentam regularmente novidades e estão a aproveitar bem este boom na venda do vinil.
Quando tenho convidados cá em casa gosto sempre de fazer uma pequena experiência: coloco o mesmo disco a tocar em CD e em LP. Até hoje ainda ninguém me disse que o CD soava melhor…

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1 Response to “I’ll be back…”


  1. Setembro 10, 2006 às 1:11 pm

    esqueci-me de referir que o preço do vinil está a subir, talvez derivado da procura mas o mais provável seja por causa do petróleo. Ainda assim o objecto vinilico continua a fascinar gerações.


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