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Out
06

Pitões das Júnias – um caso a analisar?

Foi publicado no Público de sexta-feira 13 de Outubro, no suplemento “Local” um artigo que aborda a gestão da junta de freguesia de Pitões das Júnias. Não que a gestão mereça algum reparo mas porque, pasme-se, o presidente da junta prescinde do seu salário a favor da própria junta. E utiliza o montante que deveria receber como autarca nas mais variadas situações: no arranjo da aldeia, na reconstrução do forno comunitário, etc. E com isto consegue mobilizar a população a fazer trabalho comunitário a a favor da própria aldeia, quando é preciso fazer alguma obra não falta quem dê uma ajuda ou empreste o tractor. O autarca norteia-se por um principio: deseja pessoas a visitar a aldeia, muitas de preferência, a passear e a ficar por lá. Tão simples quanto isto. E dispoê-se agora a custear, com o seu salário, a edição de um roteiro turistico que irá ser feito por alguém que esteve a estagiar no Ecomuseu.
Este exemplo traz-me logo à ideia as associações como Boassas e a Associação de Defesa do Vale do Bestança, que lutam por salvar “pedaços” do nosso património, natural e construído. Pode ser agora a altura em que se mostra necessário olhar para o papel do Estado e a sua intervenção no campo cultural e da conservação do património. O papel do Estado neste âmbito deve passar, por exemplo pela conservação do património, edificado ou natural, e divulgação da nossa cultura, tradição, história e património a nível nacional e internacional. Assim apoia também o turismo e traz a Portugal público interessado e conhecedor. Se calhar a melhor forma de apoiar o turismo no interior é deixar de o fazer nos moldes actuais, que, na minha modesta opinião, não interessa a ninguém e muito menos tem resultados prácticos. Se não vejamos o exemplo da aldeia de Agra, na Serra da Cabreira, local que frequento várias vezes ao ano e há vários anos:
o nosso Estado, através do programa de apoio ao tuismo, financiou a fundo perdido a reconstrução de parte das casas da aldeia, ficando os proprietários obrigados durante 10 anos a alugar as casas para turismo rural. Grande parte do ano as casas estão vazias, há casas que nunca foram alugadas e a maioria apenas se têm degradado por falta de manutenção, existindo já algumas que não têm condições mínimas e decentes para um turismo de qualidade. A aldeia quase que não tem divulgação, apesar de desde Maio de 2005 fazer parte d’ “As Aldeias de Portugal” (estive lá há poucos meses e nem um sinalzinho pequenino desta classificação!). Na apresentação da aldeia, o presidente da câmara municipal de Vieira do Minho disse que Agra é uma aldeia muito procurada pelos turistas (nunca lá vi muitos…mas uso óculos e pode ser essa a razão) e com diversa oferta na área da restauração, incluindo um restaurante regional, que por sinal está quase sempre ás moscas e muitas vezes está fechado…Talvez o dinheiro investido no restauro das habitações pudesse ter sido utilizado na forte divulgação da aldeia, mais uma vez a nível nacional e internacional.
Em sentido contrário, mas infelizmente com os mesmos resultados, está a aldeia da Branda da Aveleira, em Castro Laboreiro. Aí os proprietérios investiram na reconstrução das casas, embora com resultados sofríveis, e na sua divulgação. Talvez seja este o caminho a seguir mas com melhor qualidade e mais conforto. Entre estes exemplos haverá de certeza lições a tirar por quem deve.

Devo salientar que ainda há poucos dias eu e o José Rui Fernandes do “Quinta do Sargaçal” tivemos no seu site uma troca de ideias, a propósito da sua recente viagem a França e o estado espectacular de conservação em que encontrou jardins e castelos. Vale a pena visitar o site e ver o que nunca foi feito em Portugal.

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1 Response to “Pitões das Júnias – um caso a analisar?”


  1. Outubro 26, 2006 às 3:47 pm

    Caríssimo Mário
    Mais uma vez agradecemos a gentil menção à nossa humilde associação e a Boassas. O artigo está muito bom e já o referenciamos no “Boassas”. De facto a “luta” pela preservação do interior rural é titânica. O caso de Boassas, não é, infelizmente comparável com o de Pitões das Júnias e as ajudas que nos chegam das autarquias são manifestamente insuficientes… Por outro lado as próprias pessoas ainda não estão “convencidas” de que têm que apostar num desenvolvimento diferente do modelo adoptado, sobretudo nas três últimas décadas que, praticamente, quase destruiu a aldeia por completo. Saliento, apenas como exemplo, que embora hoje a aldeia tenha todas as infraestruturas básicas (e ainda bem…) a população residente é, sensivelmente, 1/10 da que existia quando eu era miúdo! É um flagelo autêntico e, no entanto, continuam-se a cometer os mesmos erros alegremente. É muito difícil mudar mentalidades. Basta ver o nosso próprio caso. Embora a aldeia já tenha um lucro enorme graças à acção da Associação Por Boassas, a adesão da população é residual… Enfim, embora sejamos perseverantes é um facto que o desalento cresce, até pela atitude do próprio poder local e central. Enfim… melhores dias virão. Espero!
    Os melhores cumprimentos
    A direcção da APOBO
    Manuel da Cerveira Pinto


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