12
Dez
06

Cinco perguntas a Mauricio Matos.

Mauricio Matos é um fotógrafo especializado em fotografia de viagens. Nascido em 1977 em Viseu, tem feito um percurso fotográfico desde os seus 15 anos até aos dias de hoje, em que a fotografia é uma das suas principais ocupações. Com um currículo de viagens espantoso, Maricio Matos mostra-nos os recantos mais remotos do nosso planeta, com um olhar atento e muito próprio, onde as populações, o seu modo de vida e tradições tem algum destaque mas sem descurar as paisagens de cada país. É assim a fotografia de Mauricio Matos, aliando o prazer de viajar ao prazer de fotografar e trazendo novos mundos ao nosso quotidiano.
Aqui fica a pequena entrevista que Mauricio Matos concedeu ao Elogio da Sombra:

A sua fotografia é sobre viagens. O que surge primeiro a viagem ou a necessidade de viajar para fotografar?
A fotografia surge antes das viagens mas a fotografia de viagem surge apenas depois. Passo a explicar. Comecei a brincar com uma máquina fotográfica antes de me lançar na série de viagens que tenho feito nos últimos anos. Fotografava de tudo um pouco, desde fotos de férias que todos fazemos, até ao Rally de Portugal, que fotografei 2 anos. Entretanto comecei a adquirir um gosto especial em fotografar locais desconhecidos para mim, especialmente durante as férias que passava com os meus pais fora do país. A partir de uma certa altura comecei a viajar sozinho e comecei a planear as viagens com o propósito de fotografar os locais. O que anteriormente eram viagens de férias, passaram a ser viagens especificamente programadas tendo em vista a fotografia.

O que é para si uma boa fotografia de viagem e o que deve transmitir a quem a vê?
Numa resposta resumida, uma boa fotografia de viagem deve ser fiel ao local fotografado e ainda assim cativar as pessoas e dar-lhes vontade de ir lá e ver por elas. Com isto quero dizer que não devemos “inventar” uma paisagem, um local, um acontecimento. Devemos simplesmente tentar captar da forma mais atraente possível o potencial de cada local, sendo este mais ou menos espectacular.

foto1
Taj Mahal, India © Mauricio Matos (Cedida gentilmente pelo próprio).

Diz no seu site que não interessa o material que se usa para fazer fotografia. O que é necessário, na sua opinião, para fazer uma boa fotografia?
Quando no meu site refiro que o equipamento não é importante para se fazerem boas fotos, é porque de facto acho isso. Aliás, no tempo que passo na internet a ver fotografias de outros autores, tenho reparado que há pessoas a fazer fotografia de altíssima qualidade com recursos muito limitados. O contrário também acontece. Há pessoas com equipamento do melhor que há e no entanto não produzem trabalho que surpreenda. O material é importante no aspecto em que quanto melhor fôr, menos te limita criativamente. Em certas situações pode ser importante ter uma máquina que te ofereça certas funções ou certa resistência. No entanto, em grande parte das vezes, tanto podes fazer uma foto brilhante com uma Nikon D2X como com uma Nikon D50 (uso estas máquinas apenas como exemplos. O mesmo se aplica a outras marcas). Muito mais importante do que qualquer equipamento é o conhecimento da técnica e uma certa noção estética. Conseguir determinar o que pode dar uma boa foto, mesmo antes de a tirar. Ter olho, digamos assim. A questão estética é sempre relativa. O que é bonito para mim pode não ser para outra pessoa…agora a técnica ou se sabe ou não se sabe.

O seu site está escrito em inglês, qual a razão para tal?
De facto o meu site estava apenas em inglês…no entanto acabo de colocar uma nova versão online na qual inseri a versão portuguesa também. A razão pela qual dou mais importância ao inglês nos meus sites é o facto de perto de 90% dos visitantes serem de outros países, de acordo com as estatísticas que possuo. Sendo assim, não fará muito sentido ter o site apenas em Português. Penso que o adequado será um formato bilingue, que adoptei agora.

Por fim, como vê o estado da fotografia actualmente, se com o nascimento de novas tecnologias e a democratização que o digital trouxe, será a morte da fotografia como arte?
Esta é uma pergunta de resposta mais complexa. Não sou da opinião que haja um conflito entre a fotografia digital e a arte. Como referiu muito bem na pergunta, o digital democratizou a fotografia. Pessoas que nunca tinham tirado uma fotografia passaram a andar com uma máquina fotográfica. O que isto provocou não foi exactamente uma redução da qualidade mas sim um aumento enorme da quantidade. Com esse aumento de quantidade aumentou também o número de fotografias sem qualidade…mas os bons continuam lá, uns vindos do filme que se adaptaram ao digital, outros que começaram já na era digital e souberam aprender. No meu caso específico, o digital só me facilitou a vida e reduziu os custos. Se é verdade que o bom equipamento digital ainda custa mais do que o equivalente de filme, há uma redução enorme no custo das fotografias. Numa viagem minha eu posso tirar algo entre 1000 e 2000 fotos por semana que esteja fora. Antes tinha todo o custo da compra do filme e da revelação dos slides. Actualmente o custo é apenas espaço em disco para as fotos.

Para aceder ao site e ver as fotografias de Mauricio Matos.

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Vista da cordilheira dos Himalaias, Nepal © Mauricio Matos (Cedida gentilmente pelo próprio).


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