31
Jan
07

Cinco perguntas a Luis Quinta.

Luis Quinta é um dos fotógrafos de natureza mais conhecido em Portugal e um dos mais importantes. Com cerca de 18 anos de carreira tem colaborado com as publicações mais importantes (National Geographic, Rotas do Mundo, Grande Reportagem, Volta ao Mundo, Rotas e Destinos, Público, Expresso e Diário de Notícias). Publicou também alguns trabalhos no estrangeiro.
É autor de três livros de fotografia submarina: “Instantes de Luz no Oceano”, “Além do Azul” e “Açores, Memórias do Azul”.
É fundador da revista Mundo Submerso e, em 1993, ganhou o primeiro prémio no festival de Antibes, na categoria “Reportagem Submarina”.
Lecciona fotografia e tem exposto quer a nível individual quer em exposições colectivas.

O Luis Quinta tem uma carreira surpreendente (e repetidas vezes premiada) em termos fotográficos. É fácil construir uma carreia destas em Portugal?
Não se pode dizer que seja fácil. Infelizmente em Portugal há pouca cultura fotográfica na área da imagem de natureza. Isto é mau para se poder apreciar convenientemente muitos dos trabalhos fotográficos produzidos por portugueses. É que facilmente se confunde o bom, com o muito bom, ou com o suficiente ou pior ainda com o medíocre. Muitas pessoas que compram fotografia em Portugal ficam satisfeitas com qualquer coisa, desde que lhes custe pouco dinheiro a qualidade ainda é um detalhe. Vi recentemente numa capa do Correio da Manhã uma notícia em que falava da caça ao veado na Serra da Lousa. A imagem que vinha a ilustrar esse título era de um animal que mais parecia uma rena e de veado nada tinha.
Em Portugal também não temos hábitos de consumir imagens de natureza como acontece em muitos outros paises, o que não facilita a vida ao fotógrafo português.

GolfSadoLQ

Como conjuga a fotografia subaquática com a fotografia de natureza? Que preparação pessoal e de material lhe requer essa disciplina?
Embora lide com animais e cenários naturais, e utilize os mesmos conceitos fotográficos, alguns equipamentos são distintos. Tecnicamente a fotografia subaquática ao mais alto nível exige equipamentos, não só caros, como especializados. Tenho de colocar as câmaras com objectivas em caixas estanques, uso flashes próprios para o ambiente submarino, além de ter vários níveis de formação na área do mergulho desportivo. Posso dizer que os meios para conseguir as imagens são um pouco distintos e com as inerentes limitações do ambiente envolvente. No final os objectivos fotográficos são os mesmos, as regras são as mesmas e em inúmeros casos até os comportamentos animais são iguais.

Sei que lecciona fotografia. O que transmite aos seus alunos, que conselhos lhes dá para que cada um deles venha a ser um bom fotógrafo?
Basicamente e no meu ponto de vista a fotografia de natureza assenta em quatro factores, Conhecimentos Técnicos + Equipamento Fotográfico + Conhecimentos culturais/Composição + Produção. Para que o fotógrafo evolua e produza bom trabalho tem de procurar um equilíbrio entre estes pontos. Não basta possuir um excelente equipamento fotográfico, como também não chega ser um excelente executante da técnica de fotografia. Há outros factores muito importantes que têm de ser desenvolvidos e “pesam” na captação de uma imagem. Por fim tem de haver consumidores de imagens.

O que destaca, na sua opinião, uma boa fotografia de todas as restantes?
Para mim tem de ser uma imagem que “funcione”, que estecticamente seja apelativa, que nos faça pensar, que nos crie emoções, que nos espante, enfim, podem existir vários argumentos para que uma imagem se destaque, ou nos marque.

gaivotaLQ

Por fim, como vê o estado da fotografia actualmente, com o nascimento de novas tecnologias e a democratização que o digital trouxe, será a morte da fotografia como arte?
O digital é simplesmente um suporte diferente. Os conceitos da fotografia serão os mesmos. Acontece que muitas mais pessoas podem produzir boas imagens, o método de captação das fotografias é propício a uma rápida evolução e a uma maior criatividade. Antes, para se atingir um grau de maturação era necessário muito trabalho, tempo e dinheiro. Hoje este processo pode acontecer em meia dúzia de meses. Antes do digital, muitas pessoas não arriscavam em inovar, em tentar captar determinada situação, fotografava-se menos, pois os custos eram maiores e para muitos eram incomportáveis. Tudo isto não veio condenar, matar, ou limitar a “arte” fotográfica. Uma bonita imagem tanto pode ser captada em analógico como em digital. A fotografia está a passar por uma fase que já passou a pintura e a literatura. Os computadores não vieram “arruinar” os escritores, a “arte” vive entre o coração e o cérebro e isso nenhuma tecnologia nos pode retirar.

Contacto:
Fotografia de Vida Selvagem
Wildlife Photography
Apartado 7 Cacilhas
2801-501 Almada
Portugal
lquinta@sapo.pt
www.luisquinta.net
www.lusitanicus.blogspot.com
351+212.762.801


2 Responses to “Cinco perguntas a Luis Quinta.”


  1. 1 Pedro Inácio
    Fevereiro 2, 2007 às 12:43 pm

    Caro Luis

    Desde a ultima vez que que nos encontámos no CCB, apercebi-me que o mundo submarino ultrapassou os horizontes dos teus registos fotográficos.
    Fico satisfeito com a tua entrevista e estou de acordo quando dizes: “a “arte vive entre o coração e o cérebro e isso nenhuma tecnologia nos pode retirar”.
    Creio que a Estética, a Ética e a Técnica uma vez conjugadas só favorecem a ARTE da FOTOGRAFIA.
    Há que saber SER, saber ESTAR e saber FAZER.
    Temos que continuar a marcar as nossas convicções e paixões.
    Abraço
    Pedro Inácio

  2. Fevereiro 2, 2007 às 9:22 pm

    Vejo que se conhecem! Fica aqui registada a coincidência de aparecerem neste blogue na mesma semana.


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