31
Mar
07

A morte, a fotografia e a privacidade.

In August 2004 the Harper’s Magazine published a photo essay called ‘The bereaved’ about the death of US soldiers in Iraq and how the relatives mourned their loss. In that essay Peter Turnley publish an open casket photograph of a fallen soldier. Later on the family sued the journalist and Harper’s Magazine, claiming invasion of privacy, among other claims.
Now the court has dismissed all the claims and decided the case in favor of the defendants.

I recently faced the tragedy of a death in the family and i know that this is a hard and emotional time, when people want and need privacy. These are times of sorrow and sadness and if you’re facing the tragic death of a young soldier in combat it’s even worst. But it was the family who decided to invite the press and open the funeral to the public and journalist. I may question why Peter Turnley decided to publish the photo, even after knowing that the family asked the funeral director that did not allowed open casket photographs, in my opinion it’s a matter of taste and respect. But maybe there was a reason to have published it, maybe it was a strong way to show how these families suffer the loss of their beloved ones, who were fighting in a war that is losing the public support everyday. One way or the other, i think that the family request should be respected or should be contacted to obtain an permit to publish the photograph.

-pt-

Em Agosto de 2007 a Harper’s publicou um ensaio fotográfico intitulado ‘The bereaved’, acerca da morte dos soldados norte-americanos no Iraque e como os seus parentes enfrentam a dor da perda. Nesse ensaio Peter Turnley publicou uma fotografia do caixão aberto de um soldado morto. Passado algum tempo a família processou o fotografo e a revista, por invasão de privacidade, entre outras acusações.
O tribunal refutou agora todas as queixas e decidiu a favor dos acusados.

Com a experiência ainda recente da morte de um familiar sei que são tempos difíceis e que a privacidade é necessária e desejada. A dor e a tristeza são grandes e são ampliadas pelo facto de se tratar de um jovem morto no campo de batalha. No entanto foi a família que decidiu abrir o funeral ao público e aos jornalistas. Coloco em questão a decisão do repórter de publicar a fotografia, mesmo sabendo que a família tinha expressamente proíbido as fotografias do caixão aberto, é uma questão de gosto e de respeito. Talvez, no contexto do ensaio, houvesse uma razão forte para a inclusão da fotografia, para mostrar o sofrimento das famílias que perdem os seus entes mais queridos nesta guerra, que cada vez faz menos sentido e que perde apoio popular a cada dia que passa. Mas acho que o desejo da família deveria ser respeitado ou em último caso consultada para obter autorização para a publicação da foto.

Claro que aqui estamos num domínio claro do que é público ou privado. Será que pelo facto dos jornalistas terem sido convidados, toda e qualquer imagem é passível de ser publicada e exposta ao público? Penso que não, sobretudo se não respeita as regras impostas para a sua captação; se a família autorizou a captação de fotografias excepto do caixão aberto então quem não concordou com estas normas tinha, claramente, duas soluções: ou não comparecia ou não fotografava essa situação. Eram estas as opções de Peter Turnley e apesar do todo o respeito que um profissional deste calibre me merece não posso deixar de colocar em causa a sua decisão. O problema passa logo pela captura da fotografia, situação que nunca deveria ter sucedido, depois a publicação da mesma sem o minímo pudor, provavelmente uma decisão editorial e comercial.

Apesar de um facto se passar na esfera pública não impede que o mesmo seja considerado do foro íntimo. Emoções, sentimentos, credos e orientação sexual fazem parte da nossa intimidade e alimentar a mera curiosidade ultrapassa claramente o mero direito de informar.

Anúncios

2 Responses to “A morte, a fotografia e a privacidade.”


  1. Março 31, 2007 às 2:01 pm

    Talvez devido a ter havido já tantos abusos como o que conta que há gente que impõe a assinatura de uma espécie de compromisso escrito onde se listam os limites.

  2. 2 Stephany S Domingos
    Setembro 9, 2008 às 3:48 pm

    Olá! Achei bastante interessante o seu texto sobre ” a morte, a fotografia e a privacidade”. Sou estudante de jornalismo da universidade Federal de Alagoas e estou fazendo um trabalho na faculdade sobre esse assunto e estou construindo minha base teórica. Caso você possa mandar para mim outros materiais sobre esse assunto, ficarei muito grata.

    No mais, te agradeço e aguardo resposta.

    Atenciosamente,

    Stephany S Domingos


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


mário venda nova

contactos:

tlm 965 275 830

skype: elogiodasombra

"eu não quero saber se sou o primeiro a dar a notícia, só me preocupo em ter a informação correcta e fazê-lo bem. Essa é uma pressão diária."

larry king

trabalhos pessoais


mariovendanova.com
[este é o meu sítio pessoal onde estão os meus projectos já consolidados e acabados]

in every kind of light
[aqui estão os rascunhos dos meus projectos correntes e inacabados]

publicação de fotos

todas as fotografias pertencem aos respectivos autores assinalados e são publicadas apenas no estrito interesse do comentário e crítica sobre fotografia.

recursos


Loja 'o elogio' na Amazon
[larga variedade de livros de e sobre fotografia. se comprar via este link recebo uma pequena percentagem.]

Loja 'o elogio' na Amazon.com (EUA)
[igual ao link acima mas para a loja da Amazon EUA, de todas as compras continuo a receber uma pequena percentagem.]

Monochrom
[loja boutique, com artigos que não se encontram noutras lojas. os pápeis de impressão fine-art são bons.]

arquivo

stats