03
Abr
07

Interview with Michael Hughes.

Michael Hughes is an english photographer that lives in Berlin since the earlier ’80s. Born in England in 1952, he studied History at London University.
He was a long and diverse body of work and took a little time to answer my questions to this interview. So here it is Michael Hughes in his own words:

How do you started taking photographs and why?

I started after I had borrowed my father’s SLR to go on holiday with. The control of seeing what the photograph would be like hooked me. Apart from that I used to want to write and photography is an extreme story-telling medium.

In your opinion, what makes a good photo?

That is a very difficult question to answer because it’s very subjective. Everyone takes photos in different ways. But a really good photography communicates a truth or opens a window to a truth which we may not yet grasp.

What makes you want to capture a photo? What you must see in a subject to make you release the shutter?

When the interaction between me and the subject (I always ask the people I photograph before I do) and the composition within the frame is right. Sometimes I have to take lots of shots, changing the framing almost imperceptibly until I think I might have what I want, sometimes just one.

Do you have a routine to take the photos for your projects or you just let it happen and see where it takes you?

Some projects first become visible as such after I have been collecting images unconsciously for years. “True Stories” was like that. “Souvenirs” was obvious after I had taken the first shot (Loreley) that it could be a long-term project. I have become more conscious and assertive, the older I get.

At the end of a shooting session how do you choose the photos that are worth to show in your portfolio?

This is back to the truthfulness. The souvenir which most harmonises or challenges the background; the best effect. Portraits have to have a kind of calm and trusting atmosphere where the subject asserts themselves in the photographic space which I give them.

Name a few photographers that inspired you and your work and why they inspired you.

Cartier-Bresson; His landscape at Brie was the first time I realised that photography had something to do with poetry. Much of his photography combined a graphic elegance with a statement about the “Condition Humaine”. He hinted at truths which I did not yet understand. On the other hand he started and gave credence to a way of photographing which I now regard as being elitist and condescending. Lesser photographers (Salgado among them) use their talent for making sordid realities into scenes of beauty in order to line their pockets. The distance which Cartier-Bresson had to his subjects allows other photographers to use people merely as parts of the composition and not actually engage with them. I now find this kind of photography exploitative and cowardly. Cartier-Bresson fell into his own trap when he travelled the world to places and countries where unbelievable things were going on and reproduced his own world rather than interpreting a new.
Josef Koudelka; much closer to his subject than CB (see Gypsies). Fantastic compositional talent, anarchic and joyful, brave to the point of being reckless. Much less secrecy and more understanding.
Diane Arbus; a desperate searcher, looking for truth and never finding it. Prepared to stare life in the face and pictured freaks as if they were everyday and revealed the everyday in those we see as celebrities. Gave Warhol the space he needed. Committed suicide and was remembered by her brother; “…for fear of falling, jumped”. A wonderful tribute.
William Eggleston; the first photographer to really use color. Opened up photography from its documentary, self-congratulatory celebration of mysteries.
Martin Parr; Irreverent, amused, clear, exposing the everyday for what it is but not condescending to those whose lives are engulfed by it.
Looking at these choices it makes clear to me that I really love photographers who have no fear about confronting what they see without fear, distance or condescension. Those photographers who cloak their work in mystery are frauds; taking advantage of their audience to take their money.

How digital technology changed the way we look at photography as art?

The ability to scan my photographs gave me a tool to understand color. Being able to assess a shot immediately is very useful. The smoothness of surface (blue skies) is loved by young picture editors. Grain is better than noise. Detail is wonderful. Film is coming back. The main thing is that the photo says something truthful whether with grains or pixels.

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© Michael Hughes (from the series “Souvenirs”)
Links:
Michael Hughes website.
Michael Hughes bio.

~pt~

Michael Hughes é um fotógrafo inglês que vive em Berlim desde os meados do anos 80. Nasceu em Inglaterra em 1952 e estudou História na London University.
Tem uma longa carreira e um tabalho diversificado e tirou um pouco do seu tempo para responder às perguntas desta entrevista. Assim aqui está Michael Hughes nas suas próprias palavras:

Como começou a fotografar e porquê?

Eu comecei após ter pedido a máquina fotográfica emprestada ao meu pai para ir de férias. O que me prendeu foi a possibilidade de ver como a fotografia seria. Eu queria ser escritor e a fotografia é um excelente veículo para contar histórias.

Na sua opinião o que faz uma boa fotografia?

É uma pergunta difícil de responder porque é muito subjectivo. Cada um tira fotos de maneira diferente. Mas uma boa fotografia comunica uma verdade ou abre uma janela para uma verdade que ainda nos era desconhecida.

O que que o leva a captar uma fotografia? O que é que precisa de ver no seu sujeito para premir o botão do obturador?

Quando a interacção entre mim e o sujeito (eu peço sempre permissão para fotografar) e a composição dentro do visor está correcta. Às vezes necessito de tirar várias fotografias, apenas mudando um pouco a composição até ter a composição que acho correcta, às vezes só é necessário uma fotografia.

Tem alguma rotina para reunir as photos para os seus projectos ou deixa-se levar pelos acontecimentos?

Às vezes os projectos só se tornam visíveis após alguns anos de recolha de imagens. O projecto “True Stories” aconteceu assim. “Souvenirs” foi um projecto que apareceu quase instantaneamente logo após ter tirado a primeira fotografia (Loreley) e percebi que seria algo a longo prazo. Com a idade tenho vindo a ficar mais assertivo e consciente.

No final de uma sessão fotográfica como escolhe as fotografias que irão constar no seu portfolio?

Aqui entra a “verdade”. É o souvenir que melhor se harmoniza com o fundo, o melhor efeito. Os retratos precisam de uma certa calma e confiança onde o sujeito se sente à vontade no ambiente fotográfico que eu lhes forneço.

Mencione alguns fotógrafos que o inspiram e ao seu trabalho e diga-nos porquê.

Cartier-Bresson; a sua fotografia “Landscape at Brie” foi a primeira vez que me apercebi que a fotografia tinha algo a ver com a poesia. Muitas da suas fotos combinam um grafismo elegante com um depoimento sobre a condição humana. Ele apontava verdades para as quais eu ainda hoje não tenho explicação. Por outro lado eu iniciou uma corrente fotográfica que hoje vejo como elitista e condescendente. Fotógrafos menores (Salgado, entre outros) usam o seu talento para transformar realidades terríveis em algo belo para assim encherem os bolsos. A distância que Cartier-Bresson mantinha dos seus sujeitos permite que outros fotógrafos usem as pessoas apenas como partes da composição sem se ligarem a elas. Acho este tipo de fotografia exploradora e cobarde. Cartier-Bresson caiu na sua própria armadilha quando viajou para lugares no mundo onde situações inacreditáveis estavam a acontecer e se limitou a reproduzir o seu próprio mundo em vez de interpretar um novo.
Josef Koudelka; mais próximo do seu tema do que HCB (ver a série Gypsies). Tem um talento enorme para a composição, anarquico e jovial, corajoso até ao ponto de não se preocupar com o perigo. Muito menos segredo e muito mais entendimento.
Diane Arbus; uma investigadora deseperada, à procura da verdade sem nunca a encontrar. Preparada para olhar a vida de frente, fotografava os personagens mais estranhos como se fossem normais e revelava a normalidade naqueles que conhecemos como celebridades. Abriu espaço para Warhol. Suicidou-se e foi lembrada pelo seu irmão com a frase “…com medo de cair, saltou”. Uma bela homenagem.
William Eggleston; o primeiro fotógrafo a usar a cor. libertou a fotografia da parte documentária e auto congratulada celebração de mistérios.
Martin Parr; Irreverente, divertido, claro, expôs o dia-a-dia como ele é mas sem mostrar condescendência para com aqueles que são absorvidos pela sua rotina.

Olhando para estas escolhas é claro para mim que realmente gosto de fotógrafos que não têm medo de confrontar o que veêm sem medo, distância ou condescendêcia. Esses fotógrafos que rodeiam o seu trabalho num manto de mistério são uma fraude, apenas se aproveitam da audiência para ganhar dinheiro.

Como é que a tecnologia digital mudou a maneira como vemos a fotografia como arte?

A possibilidade de digitalizar as minhas fotografias deu-me a possibilidade de perceber a cor. Poder verificar de imediato uma fotografia é bastante útil. A suavidade de cor (um céu azul) é algo que é bastante valorizado pelos jovens editores de fotografia. O grão é melhor do que o ruído. O detalhe é maravilhoso. O filme está a regressar. O principal é que a fotografia transmita algo verdadeiro, seja em grão de prata seja em pixeis.


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