08
Maio
07

Interview with Jörg Colberg.

Jörg Colberg was born in Germany, in 1968 and he works as a research scientist at Carnegie Mellon University. Colberg is responsible (along with Ema Ribeiro of Lab.65) for my new interest in contemporary photography. I started to read ‘Conscientious’ and i found great photographers, with great work and specially with different opinions about photography.
Jörg Colberg work is a superb contemporary reflection, an echo of urban life, in some cases a tribute to the place itself. I found that his images have a sense of intimacy that a large scale work lacks. I can’t quite say why but i feel a more delicate and emotional approach in his work than in other photographers that i know that have the same kind of work, and maybe scale has something to do with it. Or maybe not.

How do you started taking photographs and why?

I started to take photos about seven years ago, when I got a little toy camera that back then was somewhat popular. It was somewhat of an impulse buy, and I got hooked to taking photos when I liked what I saw. Back then, I had a bit of a tough time, and photography provided me with an outlet of sorts.

In your opinion, what makes a good photo?

There’s no good answer for this question. If you ask twenty people you will get twenty different opinions (as you can see here). I think when you see a good photo you just know that it is good – even though other people might disagree with you. What it is that makes the photo good I don’t know. I could write one hundred pages about it, and I would still not be any closer to a good answer.

What makes you want to capture a photo? What you must see in a subject to make you release the shutter?

I mostly work using projects, so I typically have a general idea of what a photo must be like to fit into a project. It’s like defining some sort of frame, into which the photo has to fit. But I also sometimes just take photos when I see something that strikes a chord. I can’t tell you what it is that makes me take such a photo, it’s simply that I see the photo the way it should be before I take it. And often (but not always) it comes out the way I thought it would.

Do you have a routine to take the photos for your projects or you just let it happen and see where it takes you?

It depends on how well the project is defined. Some projects are quite clearly defined and then taking the photos is straightforward – at least in terms of knowing where to look for the photos. If the project is only loosely defined – like my “Pittsburgh” project, which is really just a very rough idea of portraying Pittsburgh the way I see it – it’s more like taking a photo when I see a good one. In both cases, a lot of work ends up being the editing and the throwing out of those photos that just aren’t good enough.

At the end of a shooting session how do you choose the photos that are worth to show in your portfolio?

The photos have to be good, and they have to fit into the project they are designed for. Editing is quite hard, and often photos that I thought were good when I took them don’t look good later. Because I often employ a very strict and very formal way of photography – like for my “Higher Education” – editing sometimes is straightforward, though. I can just see whether the photo works because of what I want to see in it. But that depends on the project. Asking other people for their (honest!) opinions also helps. I don’t think anyone can rely on just oneself as the sole editor.

Name a few photographers that inspired you and your work and why they inspired you.

I am a bit reluctant to single out individual photographers, simply because once this is published I’m sure I’ll regret that I forgot someone. But obvious inspiration I got from Andreas Gursky and Candida Höfer, both because they showed me that you can take very convincing and stunning photographs even if you are very formal. I’m a big fan of their large, overwhelming and almost perfectly symmetric interiors, which, at a first glance, look like they violate the most basic rules of photography because they’re so regular. But then you realize how the insane amount of detail and the colours create an added layer. I think they both have influenced me most as far as the use of colour is concerned; I think especially Gursky’s way of working with colour is much more important that people realize. I also admire Stephen Shore’s “Uncommon Places” and Edward Burtynsky’s work, probably both for their scale and, again, for their use of colour.

How digital technology changed the way we look at photography as art?

Digital technology is vastly overrated. I think I would really just want to treat digital technologies as mere tools. For most photographers, digital just means convenience, and there are only few people who have used digital technologies in a way that I would consider innovatively, like Andreas Gursky or Gilbert & George (who are actually photographers). Unfortunately, digital technologies have also lead to an explosion of kitsch, which I find absolutely ghastly. I don’t want to give any names here, lest someone gets offended, but there are quite a few photographers whose output is utter kitsch. I think that digital technologies are best used when you don’t see that they were used.
There also is the claim that digital cameras have made photography more democratic. That’s just nonsense. Photography has always been democratic (in fact the whole idea that photography is more democratic than, say, painting is nonsense, too – you don’t have to be a king to paint!). Now, people use digital cameras to take photos instead of film snapshot cameras. But cameras are just tools, and a digital camera is no guarantee for a good photo.
Maybe the only area where digital technologies have helped photography as an art form is the internet, where it now is possible to look at and discuss photography much more easily than ever before. Blogs and websites have made photography more popular and established.

oeds 2

Jörg Colberg website.
Jörg Colberg blog.

~pt~

Jörg Colberg nasceu na Alemanha, em 1968, e trabalha como investigador na Carnegie Mellon University. Colberg é responsável (juntamente com Ema Ribeiro da Lab.65) pelo meu novo interesse pela fotografia contemporânea. Comecei a ler o ‘Conscientious’ e encontrei bons fotógrafos, com bons trabalhos e especialmente com opiniões diversas sobre a fotografia.
O trabalho de Jörg Colberg é uma soberba reflexão contemporânea, um eco da vida urbana, em alguns casos um tributo ao espaço em si. Acho que as suas imagens têm uma certa intimidade que um trabalho em escala grande não tem. Não consigo explicar porquê mas encontro no seu trabalho uma abordagem mais delicada e emocional do que no trabalho de alguns fotógrafos que conheço com uma abordagem similar, e talvez a escala tenha algo a ver com o que sinto. Ou talvez não.

Como começou a fotografar e porquê?

Eu comecei à cerca de sete anos atrás, com uma pequena máquina de brincar que era na altura muito popular. Foi uma compra impulsiva e fiquei viciado quando vi os resultados obtidos. Anteriormente tinha passado por um período difícil e a fotografia serviu-me de escape.

Na sua opinião o que faz uma boa fotografia?

Não há uma resposta certa para esta pergunta. Se perguntar a vinte pessoas diferentes irá obter vinte respostas diferentes (como pode constatar neste artigo no meu blogue). Eu penso que quando vemos uma boa foto temos a certeza de essa foto é boa – mesmo que outras pessoas discordem consigo. O que faz com que essa foto seja boa, não sei. Podia escrever cem páginas acerca disso e mesmo assim não ter uma boa resposta.

O que que o leva a captar uma fotografia? O que é que precisa de ver no tema para premir o botão do obturador?

Eu trabalho essencialmente por projectos e tenho já uma ideia geral do que é que preciso numa foto para se encaixar nesse projecto. É como escolher uma moldura onde colocar a fotografia. Mas também tiro fotografia de temas que me captam a atenção. Não posso dizer o que é que me leva a tirar determinada fotografia, simplesmente eu vejo a fotografia como ela deve ser antes de a tirar. E muitas vezes (mas nem sempre) sai da maneira como eu a imaginei.

Tem alguma rotina para reunir as fotos para os seus projectos ou deixa-se levar pelos acontecimentos?

Depende como o projecto está definido. Alguns projectos estão bem definidos e tirar fotos para o mesmo é simples e directo – pelo menos em termos de saber onde procurar as fotografias. Se o projecto está vagamente definido – como o meu projecto “Pittsburgh”, que é apenas uma ideia vaga de fotografar Pittsburgh da maneira como eu a vejo – é tirar uma boa foto se vir uma. Em ambos os casos, a maior parte do trabalho consiste em editar e deitar fora as fotos que não são suficientemente boas.

No final de uma sessão fotográfica como escolhe as fotografias que irão constar no seu portfolio?

As fotografias têm que ser boas e precisam de encaixar no projecto para que foram tiradas. A edição é bastante difícil e muitas vezes as fotografias que pareciam resultar quando as tirei acabam por não resultar bem. Como faço uso de uma maneira muito formal e estrita de fotografar – como para o meu projecto “Higher Education” – a edição é simples e directa. Eu posso ver se uma fotografia funciona bem por causa daquilo que eu quero ver nessa fotografia. Mas isso depende do projecto. Perguntar às pessoas a sua opinião (honesta!) também ajuda. Ninguém pode confiar unicamente em si próprio como editor das suas imagens.

Mencione alguns fotógrafos que o inspiram e ao seu trabalho e diga-nos porquê.

Fico um bocado reticente em destacar individualmente alguns fotógrafos, porque uma vez a entrevista publicada, de certeza que me vou arrepender por me ter esquecido de alguém.
Mas as inspirações óbvias vêem de Andreas Gursky e Candida Höfer, porque ambos me demosntraram que é possível tirar fotografias convincentes e espantosas mesmo usando um estilo muito formal. Sou um grande fã dos seus interiores enormes e quase perfeitamente simétricos, que, à primeira vista, parecem que violam as regras mais básicas da fotografia porque são tão regulares. Mas depois verificamos que a quantidade enorme de detalhes e as cores criam uma outra camada. Penso que ambos me influenciaram mais pelo uso da cor; eu penso que a maneira como Gursky trabalha a cor é mais importante do que as pessoas julgam.
Também admiro o “Uncommon Places” do Stephen Shore e o trabalho de Edward Burtynsky, ambos provavelmente pelo uso da escala e, mais uma vez, pelo uso da cor.

Como é que a tecnologia digital mudou a maneira como vemos a fotografia como arte?

A tecnologia digital está demasiado valorizada. Eu gostaria de tratar as tecnologias como meras ferramentas. Para a maioria dos fotógrafos, o digital apenas significa conveniência, e há poucas pessoas que usam a tecnologia digital duma forma que eu considero inovadora, como Andreas Gursky ou Gilbert & George (que são na realidade fotógrafos). Infelizmente a tecnologia digital também nos trouxe uma explosão do kitsch, que eu considero tenebrosa. Não quero apontar nomes, muito menos ofender ninguém, mas há uma série de fotógrafos cujas fotografias são muito kitsch. Penso que a tecnologia digital é usada melhor quando não se nota que foi usada.
Existe também a ideia de que a máquinas digitais democratizaram a fotografia. Isso é um puro disparate. A fotografia sempre foi democrática (aliás a ideia que a fotografia é mais democrática do que, por exemplo, a pintura é outro disparante – não é preciso ser um rei para pintar!). Agora as pessoas usam as máquinas digitais para fotografar em vez de usarem as máquinas descartáveis.
Mas as máquinas são apenas ferramentas, e uma máquina digital não é garantia de que se vai conseguir uma boa fotografia.
Talvez a única área onde a tecnologia digital tenha judado a fotografia como uma forma de arte tenha sido a internet, onde agora é possível ver e discutir fotografia muito mais facilmente do que antes. Os blogues e sites fizeram a fotografia mais popular e estabelecida.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


mário venda nova

contactos:

tlm 965 275 830

skype: elogiodasombra

"eu não quero saber se sou o primeiro a dar a notícia, só me preocupo em ter a informação correcta e fazê-lo bem. Essa é uma pressão diária."

larry king

trabalhos pessoais


mariovendanova.com
[este é o meu sítio pessoal onde estão os meus projectos já consolidados e acabados]

in every kind of light
[aqui estão os rascunhos dos meus projectos correntes e inacabados]

publicação de fotos

todas as fotografias pertencem aos respectivos autores assinalados e são publicadas apenas no estrito interesse do comentário e crítica sobre fotografia.

recursos


Loja 'o elogio' na Amazon
[larga variedade de livros de e sobre fotografia. se comprar via este link recebo uma pequena percentagem.]

Loja 'o elogio' na Amazon.com (EUA)
[igual ao link acima mas para a loja da Amazon EUA, de todas as compras continuo a receber uma pequena percentagem.]

Monochrom
[loja boutique, com artigos que não se encontram noutras lojas. os pápeis de impressão fine-art são bons.]

arquivo

stats