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Maio
07

Interview with Brendan Hoffman.

Brendan Hoffman is a young photographer (he was born in 1980) and his photographs have appeared in the New York Times, Newsweek, Salon, and JPG Magazine, among others. He has been awarded with a grant from the Yellow Fox Foundation. Let’s read what he has to say about photography and photo journalism:

How do you started taking photographs and why?

Well, I’ve always had an artistic side, and in high school I took a photography class and ended up loving it. I was never great at drawing or painting, so photography made sense as something that relies less on physical talents. After high school, I actually stopped taking pictures for a few years, mainly because my university didn’t offer photography classes. When I got my first point-and-shoot digital camera in 2001, I fell in love with photography all over again, and it fit really well with my burgeoning interest in world events and social issues. Photojournalism was a way for me to use my inclination toward visual thinking to talk about things that mattered to me but in a much more accessible way than entering the art world.

In your opinion, what makes a good photo?

I always find that the most successful photos offer something unexpected, meaning that you have to “read” the picture in a way that makes it unfold like a narrative, and there’s kind of a climax or punch line to it that doesn’t come out at first glance. Personally, when I find a picture like that, the experience of viewing the picture makes me feel like I’ve been transported to the scene and I’m watching it unfold in ultra-slow motion. There’s no sound, only what I can see, like it’s happening underwater or
I’m wearing earplugs.

What makes you want to capture a photo? What must you see in a subject to make you release the shutter?

First of all, an emotional connection to the moment, something that to me symbolizes a particular aspect of the subject that I find important or compelling. After that, great light. Third, an interesting composition, ideally with some kind of juxtaposition to give the picture an interesting sense of context.

Do you have a routine to take the photos for your projects or you just let it happen and see where it takes you?

I’m a firm believer in letting a project or moment unfold naturally, for a lot of reasons. No two subjects are alike, so I don’t think you can successfully use a formula to create great photos. I’m also constantly surprised by where I’m taken when I just go with the flow. Also, if I’m trying to document a subject objectively, it’s not my place to interfere; I have to let things happen on their own.

At the end of a shooting session how do you choose the photos that are worth to show in your portfolio?

This is always the hardest part – I don’t consider myself to be a very good editor of my own pictures. Sometimes it’s obvious, but you have to consider the end use of the photo. A picture can be impressive in one context and bland in another. For portfolio use, I try to show a variety of styles and subject areas, with the overall goal of demonstrating a unique and interesting way of seeing.

Name a few photographers that inspired you and your work and why they inspired you.

I don’t actually have that many specific inspirations – most of the time, I’ll be inspired by a project or photo that I see, but it can come from anyone. I think there’s a pretty sharp difference between admiring/appreciating work and being inspired by it. That said, John Stanmeyer (who shoots for VII) takes the kind of pictures that I aspire to
take one day – our styles are similar I think, and more than most other photographers I “get” what he’s doing, but at the same time I’m constantly amazed at how he realizes the potential of each situation. I also really loved Tomas van Houtryve’s Nepal work, for example, and Christoph Bangert’s work from Iraq and elsewhere is really really amazing for its simplicity and, as David Allen Harvey would say, sense of authorship. If you’ve ever seen War Photographer or read an interview with James Nachtwey, you can’t help but be inspired by the way he approaches photography and his subjects.

How digital technology changed the way we look at photography as art?

I think digital technology has changed photography in every sense, both as art and as journalism or an unvarnished record of the truth. I’ll attempt to give an example that may be hard to convey in words. A friend of a friend is an artist and does this work where he takes hundreds of photographs of sometimes mundane things from slightly different angles and digitally stitches them together so that there is no perspective, no vanishing point. Everything is viewed from straight on. That wouldn’t have been possible without technology from just the past few years. So it’s definitely opening doors to new dimensions of possibility. It also puts more of an emphasis on the photographic process, which before was inevitable and sometimes taken for granted. Digital has liberated film and darkroom printing in the same way that photography liberated painting. As far as changing photojournalism, I think examples abound, like with the Reuters photographer cloning extra smoke into that picture from Lebanon
last summer. People don’t trust a photo any more than they trust a written article and are quick to find bias. I think that the mainstream media is partly to blame for this, too, and not just because of fluke things like the Reuters photo, but because of its willingness to embrace so-called “citizen journalism.” There are definitely times when Johnny On The Spot isn’t a professional photojournalist, but I think it’s important to draw a bright line between a trained professional who subscribes to an ethical code of objectivity and accuracy and someone who doesn’t. On the other hand, I’m all for non-traditional methods of distributing news—blogs and so on that democratize the flow of information—so it’s a tough balance. It’ll be interesting to see where things end up in another five years.

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© Brendan Hoffman.

Brendan Hoffman website.

~pt~

Brendan Hoffman é um jovem fotógrafo (ele nasceu em 1980) e o seu trabalho já foi publicado no New York Times, na Newsweek, na Salon, e na JPG Magazine, entre outras. Recebeu recentemente uma bolsa da Yellow Fox Foundation. Leiam o que ele tem a dizer sobre a fotografia e fotojornalismo:

Como começou a fotografar e porquê?

Sempre tive um lado artístico e na escola secundária fiz um curso de fotografia e acabei por adorar. Nunca fui bom a desenhar ou a pintar, e a fotografia para mim fez mais sentido porque não dependia tanto nos meus talento fisícos.
Depois do secundário, parei de tirar fotografias durante alguns anos, especialmente porque na minha faculdade não havia aulas de fotografia. Quando comprei a minha primeira câmara digital compacta em 2001, voltei a apaixonar-me pela fotografia e encaixava-se perfeitamente nos meus interesses pelo que se passava no mundo e nas questões sociais.
O fotojornalismo foi a maneira que eu encontrei de me expressar visualmente sobre os assuntos que me interessavam realmente, de uma maneira mais acessível do que através de qualquer outra expressão artística.

Na sua opinião o que faz uma boa fotografia?

Sempre achei que as melhores fotos oferecem algo inesperado, obrigando-nos a ler a fotografia de uma maneira tal que a narrativa se desdobra aos nossos olhos, e que tem um climax ou um remate final que não se descobre à primeira vista. Pessoalmente quando encontro uma fotografia dessas, a experiência de a ver faz-me transportar para dentro da cena e estou a vê-la desenrolar-se em câmara lenta. Não há som, apenas o que posso ver, como se estivesse debaixo de água ou estivesse a usar tampões para os ouvidos.

O que que o leva a captar uma fotografia? O que é que precisa de ver no tema para premir o botão do obturador?

Primeiro de tudo, uma ligação emocional ao momento, algo que simboliza um aspecto particular do tema que eu acho importante ou convicente. Depois disso, uma boa luz. Em terceiro lugar, uma composição interessante, idealmente com alguma sobreposição para dar à fotografia um sentido interssante de contexto.

Tem alguma rotina para reunir as fotos para os seus projectos ou deixa-se levar pelos acontecimentos?

Creio sobretudo no desenrolar natural de um projecto ou momento, por várias razões. Não há dois temas iguais, por isso não acredito que se possa usar uma fórmula mágica para criar grandes fotografias. Sou também constantemente surpreendido onde vou parar quando me deixo levar pela ‘corrente’. Também se estiver a tentar documentar um tema objectivamente, não é a minha função interferir, por isso deixo as coisas acontecerem.

No final de uma sessão fotográfica como escolhe as fotografias que irão constar no seu portfolio?

Essa é a parte mais difícil – não me considero um bom editor das minhas próprias imagens. Às vezes é óbvio, mas é preciso considerar o destino final das fotografias. Uma fotografia pode funcionar bem num determinado contexto e não funcionar noutro. Para o portfolio, tento usar uma variedade de temas e estilos, com a intenção de mostrar uma visão única e interessante.

Mencione alguns fotógrafos que o inspiram e ao seu trabalho e diga-nos porquê.

Não tenho inspirações específicas – a maior parte do tempo, serei inspirado por um projecto ou uma fotografia que vi, mas não veio de ninguém em particular. Penso que há uma diferença razoável entre admirar/apreciar um trabalho e ser inspirado pelo mesmo.
Dito isto, Jonh Stanmeyer (que trabalha para a VII), faz o tipo de fotografias que aspiro a fazer um dia – penso que os nossos estilos são similares, e mais do que outros fotógrafos eu ‘apanho’ o que ele está a fazer, mas ao mesmo tempo fico espantado como ele descobre o potencial de cada situação. Gostei do trabalho sobre o Nepal de Tomas van Houtryve e o trabalho de Christoph Bangert sobre o Iraque e outros locais, é espantosa a sua simplicidade e, como diria David Allen Harvey, o seu sentido de autoria. Se alguma vez viu o documentário ‘War Photographer’ ou leu uma entrevista de James Nachtwey, é impossível não ser inspirado pela maneira como ele aborda a fotografia e os seus temas.

Como é que a tecnologia digital mudou a maneira como vemos a fotografia como arte?

Eu penso que a tecnologia digital mudou a fotografia em todos os sentidos, tanto como arte, como jornalismo ou como um testemunho da verdade nua e crua.
Vou tentar dar um exemplo que não é fácil de verbalizar. Um amigo de um amigo meu é um artista e realiza um trabalho que consiste em tirar centenas de fotografias de ângulos ligeiramente diferentes de temas normais e mundanos e ‘cola’ digitalmente essas fotos de maneira que qualquer perspectiva ou ponto de fuga desaparecem. Tudo é visto de frente. Isto não seria possível sem a tecnologia actual. Também coloca um ênfase maior no processo fotográfico, que anteriormente era inevitável e tomado como garantido. O digital libertou o analógico e a câmara escura do mesmo modo que a fotografia libertou a pintura.

O modo como mudou o jornalismo, penso que os exemplos abundam, como o fotógrafo da Reuters que clonou o fumo naquela fotografia no Líbano no verão passado. As pessoas não confiam mais numa fotografia do que num artigo escrito e descobrem facilmente algo mais tendencioso. Penso que a imprensa tem parte da culpa, e não só por causa de coisas como a foto da Reuters, mas também por causa de ter abraçado o conceito de ‘jornalismo civil’ tão abertamente. Existem alturas em que quem está no terreno não é um fotógrafo profissional, mas penso que é importante traçar um linha divisória entre um profissional competente e treinado que tem um código de ética para ser objectivo e verdadeiro e alguém que não está obrigado a essa ética. Por outro lado, sou a favor das novas tecnologias de comunicação e distribuição de notícias – blogues e outros que democratizam a divulgação da informação – e isto é algo que é difícil de dosear.
Será interessante ver onde as coisas vão parar daqui a cinco anos.


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