29
Maio
07

Interview with Steph Parke.

I discovered Steph Parke’s work in the Light leaks and i later found out that she was the supervisor editor of the magazine. For those who, like me, grew with Holgas and film, Light leaks is a treat: great works, wonderful photographers and it’s the living proof of the old concept that the camera doesn’t matter, it’s the eyes of the photographers that make the difference. So what she have to say? Well, you have to read for yourself.
Her work is delicate and has a kind of vintage look, maybe is the Holga’s and Diana’s she uses, but maybe it’s that 6th sense that women have, who knows for sure?

How do you started taking photographs and why?

The first photograph I ever took was when I was probably three years old. When my parents weren’t looking, I grabbed the Polaroid Land Camera, snapped a photo and ended up with a blurry, close-up photo of my eye, which we still have in the family album.
Throughout childhood and my teenage years, I always had a camera with me for fun snapshots of my family and friends, but it wasn’t until about five years ago in college that I really became interested in photography. It was at this same time that I stopped taking “people pictures” and started focusing on nature. In the last couple of years, I’ve become obsessed with toy cameras and prefer using my Holgas and Dianas over any other camera.
I don’t have any wise words to explain why I take photographs. I just do it for the same reasons I did when I was a kid: it’s fun and I enjoy it.

In your opinion, what makes a good photo?

A good photo arbitrarily has a pleasing composition, lovely tones or colors, nice light, etc, and those things are all important, but for me, a good photo is one that stirs emotion and memory. A photograph is nothing unless it makes the viewer think and feel.

What makes you want to capture a photo? What you must see in a subject to make you release the shutter?

Anytime I’m on vacation or on a nice hike or kayaking outing, I want to take pictures. I want to remember things exactly as I saw them, and with photography, I’m able to do that. I’m always on the lookout for the right light, or interesting line, shape and form, but mostly, I’m collecting memories.

Do you have a routine to take the photos for your projects or you just let it happen and see where it takes you?

For one project, I was very deliberate and routine. I shot a series called Local Color, in my hometown. I used the same Holga camera, the same type of film and shot at the same time of day and only when the sky was overcast. It took me several months to complete the project, but because I took great care in all the little technicalities, it’s uniform and looks as if I could have shot it all in one day. Local Color can be seen on FILE Magazine.
Normally, however, when I go out shooting, I take a variety of cameras and film with me, and shoot whatever strikes my fancy. I have the same general theme in my mind, and that’s nature, landscapes, water, trees, etc, but the last time I went out, I took photos of graffiti and old trains for a couple of hours. It was nice to have a change of pace.

At the end of a shooting session how do you choose the photos that are worth to show in your portfolio?

I’m really tough on myself as far as editing my work goes. When I shoot a new roll, I usually scan all of it, but if something stands out to me, I’ll print it and hang it up for a couple of weeks before I do anything else with it. If I get used to it being there and don’t get any bad vibes from it, it goes in the portfolio (and my portfolio is currently my website).

Name a few photographers that inspired you and your work and why they inspired you.

Right now, I’m inspired by all the photographers who submit to Light Leaks Magazine. As the Supervising Editor, one of my responsibilities is to review portfolios/websites and determine if the work I see would be a good fit for an Artist Showcase in our magazine. I am inspired by so much of what I see, artistically, and it’s silly, but for me, someone who is a bit of a hermit and rather shy about showing my own work, it’s inspiring to me to see how brave people are to just say “Here I am. Here’s my photography. Showcase me.” It’s taught me a lot about showing my own work. I’ve been able to put myself out there a little more and if people like what they see, great! If not, oh well.
I’m also constantly inspired by the kind people on toycamera.com and filmwasters.com. They’re all photographers who aren’t afraid to try new things and who have fun doing it.

How has digital technology changed the way we look at photography as art?

Art is in the eye of the beholder, and for me, I’m not a big fan of digitized art. I like straight-up photography, where I know that a particular landscape or person actually exists. With digital technology, we now have to question everything: “Does that really exist?” “Was that rock, flower, person, shadow, etc really there?” Early photographers documented the truth, and that’s the romantic ideal that I first fell in love with. I think of William Henry Jackson, who was the first photographer to capture the wild and otherworldly beauty of Yellowstone National Park. Although nearly no one had ever seen the place, they knew what Jackson captured was real because that was the aesthetic of photography in the late 1800s. If it was in a photograph, it really existed. That’s what I love about photography, and in my opinion, digital technology isn’t doing much to keep reality and truthfulness alive in photographic art.

West Desert #5
© West Desert – Steph Parke.

Links:
Steph Parke website
Light leaks magazine
Toy camera
Film wasters
“Local color” on File magazine

~pt~

Descobri o trabalho da Steph Parke na Light leaks e posteriormente verifiquei que era editora da revista. Para aqueles, como eu, que cresceram com as Holgas e o filme, a Light leaks é um rebuçado: grandes trabalhos em exposição, bons fotógrafos, inovação e a revista é a prova concreta da velha máxima da fotografia: a câmara não interessa, são os olhos do fotógrafo que fazem a diferença. O que diz Steph Parke? Bem, o melhor é lerem.
Steph Parke tem um trabalho de uma delicadeza extraordinária, muito próprio e com uma visão característica sua, que escapa aos grandes clichés da paisagem e natureza como geralmente nos é apresentada pelos fotógrafos desta especialidade. O uso de máquinas que habitualmente estamos habituados a ver ‘ligadas’ a uma estética mais urbana e contemporânea, como é o caso dos meus entrevistados Susan Bowen e bricologe.108, é uma das características que sobressai do seu trabalho. Será também uma visão muito feminina, que partilha com Teresa Sá (outra das minhas entrevistadas), que a distingue.

Como começou a fotografar e porquê?

A primeira fotografia que tirei tinha provalvelmente três anos. Quando os meus pais estavam distraídos eu peguei na Polaroid Land Camera, disparei uma foto e acabei com uma foto desfocada e tremida do meu olho, que ainda temos no álbum de familia.
Durante a minha juventude, andava sempre com uma câmara comigo para me divertir e para uns instantâneos da familia e amigos mas só à cerca de cinco anos atrás no colégio é que me comecei a interessar a sério pela fotografia. Foi nessa altura que deixei de fazer retrato e passei a focar-me na natureza. Nos últimos anos fiquei obcecada com câmaras de ‘brincar’ e prefiro as Holgas e Dianas a outras máquinas.
Não tenho palavras sábias para explicar porque tiro fotografias. Faço-o pelas mesmas razões que fazia quando era criança: é divertido e eu gosto.

Na sua opinião o que faz uma boa fotografia?

Uma boa foto tem uma composição agradável, tons ou cores admiráveis, boa luz, etc e essas coisas são importantes, mas para mim, uma boa foto é aquela que agita emoções e a memória. Uma fotografia não é nada excepto se fizer pensar e sentir quem a vê.

O que que o leva a captar uma fotografia? O que é que precisa de ver no tema para premir o botão do obturador?

Sempre que estou de férias ou numa boa caminhada ou num passeio de kayak, eu quero tirar fotografias. Quero lembrar-me exactamente como vi as coisas e com a fotografia, isso é possivel. Estou sempre à espera pela luz certa, uma linha ou forma interessantes, mas quase sempre estou apenas a coleccionar lembranças.

Tem alguma rotina para reunir as fotos para os seus projectos ou deixa-se levar pelos acontecimentos?

Para um projecto, eu segui um plano deliberado e uma rotina. Eu fiz uma séria chamada “Local Color”, na minha cidade. Usei sempre a mesma câmara Holga, o mesmo tipo de filme e disparei sempre à mesma hora e apenas quando o céu estava carregado de núvens. Levei vários meses para completar o projecto mas como me preocupei com todos os pequenos detalhes técnicos, ficou bastante uniforme e parece que que todas as fotos foram tiradas no mesmo dia. Este projecto pode ser visto na revista File.
Normalmente quando saio para fotografar, levo comigo várias câmaras e vários filmes e fotografo o que me apetece. Tenho sempre o tema principal na minha cabeça e que é a natureza, paisagens, água, árvores, etc., mas na última vez que saí, tirei fotografias de grafitti e comboios velhos durante um bom par de horas. Foi óptimo ter uma mudança de ritmo.

No final de uma sessão fotográfica como escolhe as fotografias que irão constar no seu portfolio?

Sou um pouco dura em relação à edição do meu próprio trabalho. Quando disparo um rolo, geralmente digitalizo-o todo, mas se algo se destaca, imprimo-o e penduro-o durante algumas semanas antes de fazer alguma coisa com ele. Se me habituar e se não tiver más vibrações do mesmo então vai para o meu portfolio (e o meu portfolio é neste momento o meu sítio).

Mencione alguns fotógrafos que o inspiram e ao seu trabalho e diga-nos porquê.

Neste momento sou muito inspirada por todos os fotógrafos que submetem o seu trabalho para a Light Leaks Magazine. Como editora, uma das minhas responsabilidades é rever portfolios/sítios e determinar se o trabalho que estou a ver se encaixa na rubrica Artist Showcase da nossa revista. Sou muito inspirada artisticamente por aquilo que vejo, e é uma tolice, mas para mim, que sou tipo ermita e bastante timída para mostrar o meu próprio trabalho, é inspirador para mim ver a coragem das pessoas que mostram o seu trabalho, como se dissessem: “aqui estou eu, aqui está a minha fotografia, mostrem o meu trabalho”. Ensinou-me muito sobre mostrar o meu trabalho. Fui capaz de me superar e se as pessoas gostarem do que vêm, óptimo. Se não gostarem, ora bem.
Sou também bastante inspirada pelas excelentes pessoas do toycamera.com e do filmwasters.com. São todos fotógrafos que não têm medo de experimentar coisas novas e que se divertem a fazê-lo.

Como é que a tecnologia digital mudou a maneira como vemos a fotografia como arte?

A arte está nos olhos de quem vê, e eu não sou grande fã da arte digital. Eu gosto da corrente “straight-up”, onde sei que uma determinada paisagem ou pessoa existe.
Com a tecnologia digital agora temos que questionar tudo: “aquilo realmente existe? Estava aquela rocha, flor, pessoa, sombra, etc., realmente lá?”
Os pioneiros da fotografia documentaram a verdade e foi por esse ideal de fotografia que me apaixonei em primeiro lugar.
Eu estou a pensar em William Henry Jackson, que foi o primeiro fotógrafo a captar a natureza selvagem e a beleza extraordinária do Yellowstone National Park. Apesar de quase ninguém ter visto o parque, eles sabiam que o que Jackson captou era real porque essa era a estética da fotografia dos finais dos anos 1800s. Se estava na fotografia, existia realmente. É isso que gosto na fotografia e na minha opinião, a tecnologia digital não está a fazer muito por manter a verdade e a realidade vivas na arte fotográfica.


2 Responses to “Interview with Steph Parke.”


  1. Maio 29, 2007 às 10:29 pm

    adorei ler esta entrevista e vou-me perder, para já, pelos links.

  2. Maio 30, 2007 às 9:49 pm

    E há muito para investigar nesses links, acredite. O mundo das câmaras de brincar, de plástico ou pinholes é um mundo que merece uma boa pesquisa, há artistas a expressarem-se nesses suportes que são muito bons.
    Obrigado pelo link no ‘folhagem vermelha’.


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