26
Jun
07

Interview with João Nunes da Silva.

João Nunes da Silva é um dos nossos fotógrafos de natureza mais reconhecidos, dentro e fora de Portugal. Com uma carreira invejável, começou a sua actividade ainda era membro da Quercus, de que é aliás fundador, tendo optado por se tornar fotógrafo free-lancer em 1991. Criou a Ilustranatur, um banco de imagens dedicado a imagens de natureza. As suas fotografias têm aparecido em diversas publicações como a BBC Wildlife, Rotas & Destinos, Volta ao Mundo, National Geographic (Portugal) e Foto Digital, entre outras.
Tem dois livros publicados, “Aveiro Natural” e “O Tejo do estuário”e colaborado em vários. Actualmente prepara um novo trabalho sobre Portugal.

O seu percurso passa por ter sido um dos fundadores da Quercus até à fotografia como freelancer. Como efectuou este percurso? E qual a razão deste percurso?

Desde muito jovem que tinha uma enorme paixão pela Conservação da Natureza. Com a fundação da Quercus em 1985, passei a ter um grande envolvimento com diversas questões relacionadas com a conservação de algumas espécies como a cegonha-branca, abutres, etc. Ao fim de algum tempo o meu interesse passou também pelo seu registo (fotográfico), e aí as coisas foram evoluindo devagar, fotografando cada vez mais aspectos naturais da fauna e flora portuguesas. Iniciei igualmente uma série de viagens por áreas naturais europeias. Ao fim de alguns anos achei que era oportuno dar a conhecer o banco de imagens de imagens naturais que tinha criado e fundei a ILUSTRANATUR, uma empresa vocacionada para a comercialização e divulgação de imagens de Natureza. A par com isso iniciei a minha colaboração regular com algumas publicações na área das viagens onde escrevia sobre áreas naturais, fauna e flora.

Como defensor da conservação da natureza como vê o estado da mesma em Portugal? E como pode a fotografia ajudar na conservação da natureza?

Penso que apesar de tudo muita coisa tem melhorado em Portugal. As pessoas estão mais sensíveis e bastante mais interessadas por aspectos relacionados com a conservação do património natural, o que é muito positivo. Infelizmente vivemos num país com fracos recursos financeiros para apostar fortemente na conservação das nossas “relíquias” naturais. Muitas vezes projectos turísticos com objectivos meramente especulativos, continuam a ser responsáveis pela enorme pressão sobre as nossas áreas protegidas. A fotografia e o fotógrafo de Natureza tem um papel importantíssimo na promoção e salvaguarda desse património natural e também na denúncia dos atentados que cometem contra ele. Sei por experiência própria que vários artigos que produzi para diversas publicações tiveram um papel importante na promoção e salvaguarda de algumas zonas naturais. Foi uma maneira das pessoas conhecerem essas zonas, e a importância que elas têm para diversas espécies animais e vegetais.

A fotografia de natureza é uma disciplina exigente. Que conselho dá aos frequentadores dos seus Foto Tours?

É bastante exigente, sobretudo porque um fotógrafo de Natureza tem de conhecer bastante bem a biologia daquilo que quer fotografar (sobretudo quando se tratam de espécies de fauna). É necessário muito trabalho de campo, pesquisa e horas de espera em abrigos, muitas vezes sem se obter os resultados desejados. O sistema digital veio dar uma boa ajuda no nosso trabalho, já que podemos antever os resultados e saber se são os esperados. Os Foto Tours são um excelente meio para uma aprendizagem mais rápida e eficáz, já que os participantes podem aprender no terreno alguns dos nossos métodos de trabalho para obter os melhores resultados. São também um magnífico meio de convívio e troca de experiências.

O que define, na sua opinião, uma boa fotografia de natureza e que a faz destacar de entre todas as outras?

Isso depende e varia de observador para observador. Agora o que posso dizer é que uma imagem boa imagem de Natureza destaca-se de outra por factores tão importantes como luz, enquadramento, cor, definição e o próprio tema fotografado.

Por fim, como vê o estado da fotografia actualmente, com o nascimento de novas tecnologias e a democratização que o digital trouxe, será a morte da fotografia como arte?

Claro que não! Agora a competitividade aumentou uma vez que hoje em dia toda a gente fotografa. O digital é apenas mais uma evolução tecnológica, como as máquinas que foram evoluindo ao longo dos anos. tempos. No entanto muitos novos utilizadores, ainda não se convenceram é que com o sistema digital também temos que ser rigorosos a conseguir uma boa imagem como quando utilizávamos filme. Muitos iludem-se ao pensar que uma má imagem depois pode ser manipulada digitalmente e se transforma numa boa imagem. Isto é uma autentica falsidade e eu sou totalmente contra este tipo de manipulação digital.

©JNS_Explosão Outonal (1)
© João Nunes da Silva

Website de João Nunes da Silva.

~en~

João Nunes da Silva is one of the most known portuguese photographers. He has a brilliant career, started his activity while he was a member of Quercus and in 1981 he finally started a career as a free-lancer. He is also the founder of Ilustranatur, a portuguese stock agency, dedicated to nature photography. João Nunes da Silva have photographs published in a large number of magazine like BBC Wildlife, Rotas & Destinos, Volta ao Mundo, National Geographic (Portugal) and Foto Digital, among others.
He is the author of two books, “Aveiro Natural” and “O Tejo do estuário”.

Your started as a founder of the environment organization Quercus and now you are a free-lancer photographer. How did you make the transition from one job to the other? And why you did it?

Since i was young i have an huge passion for nature. When Quercus was founded in 1985 i started to get more and more involved with environment issues and preservation of some species like the white stork and vultures. After some time i started to take photographs to keep a record of the birds, and it started to grow on me. I travelled to some european nature parks and after a few years i thought that was the right time to start a new project – the stock agency Ilustranatur, with my own images. Along that project i started to work to travel magazines where i wrotte some articles about nature.

As a nature photographer what do you think about the its current state in Portugal? How can photography help nature?

Nature preservation is getting better in Portugal. People now are more aware and more interested in preserving nature, which is a good thing. Unfortunately, we live in a country with some economical limitations and money doesn’t grow on trees so the preservation of the portuguese wild life and landscapes is very hard as you can’t do it with the proper budget. Several resorts threat our natural parks and landscapes with the single purpose of making a profit, so photography and the outdoor photographer have a special role in showing and defending nature against this kind of threats. Some articles i wrote where fundamental to promote and preserve our natural treasures. It’s a way of people to know some areas of our country and the species that live there and the relevance of that particular areas.

Nature photography is not an easy work to do. What are the advices you give to the people who attend your workshops?

Nature photography is very demanding on the photographer, which has to have knowledge in biology of the subject he is photographing, specially when the subjects are animals. You have to do a lot of research, spend a large number of hours in a shelter and even after all this work you might not get the picture you want. Digital came to our rescue because it allows us to check the images after their are taken so you know if you got it or not.
My workshops are a great and fast way to learn and the people who attend them can learn in the field the best way to tackle the challenges which they face. The workshops are also a great way to exchange experiences and learning with other people.

What is a good nature photography and what makes it stand out ?

That depends of the person who is seeing the photograph. I can tell you that a good nature photograph stands out when it has some important qualities as good light, composition, color, resolution and also the subject that was captured.

How digital technology changed the way we look at photography as art?

Of course it didn’t change the way we see it as art! Competition is bigger now as everybody takes photographs nowadays. Digital is only a technology as machines evolved over the times. However newcomers to this technology haven’t figured out yet that you have to be as accurate as with film when they capture a photo. Many think that with post processing you can transform one bad image in a stunning one. That’s not true and i’m against that kind of manipulation of the photographs.


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