16
Jan
08

Fácil de entender.

Hoje, mais do que nunca, o mundo é uma aldeia global. De facto com as novas tecnologias todos podemos estar em contacto com outros, independentemente de onde estamos. A quantidade de informação a circular é enorme e a qualidade está também cada vez mais alta. Mas será que conseguimos chegar a todos de igual forma?

Tenho andado às voltas com uma questão simples mas de resposta complexa: porque é que os Madredeus chegaram tão longe e os The Gift não conseguiram descolar para uma carreira internacional? Isto a propósito do facto de ultimamente ter deixado de escrever em inglês e me ter concentrado nos textos em português, que é de facto a minha língua nativa. Não tenho no entanto problemas em ler, entender e escrever em inglês mas sonho, imagino, escrevo, penso e expresso-me todos os dias e sobre a maior parte dos temas em português. No entanto grande parte das publicações que leio (aqui incluo os livros sobre fotografia) são em inglês e o que me leva a adquirir um livro é a particularidade de cada autor, a maneira como se expressa, os maneirismos de escrita e as suas opiniões. Cada autor tem uma personalidade própria, que muitas vezes deriva do facto de se expressar na língua em que se sente mais confortável e que muitas dessas vezes é a sua língua nativa. Milan Kundera é uma excepção que me vem de imediato à memória mas de facto não existem muitos mais exemplos, e Kundera escreve em francês mas está radicado em França há largos anos. A música dos Madredeus em inglês perdia 90% daquilo que a torna única: a alma. E isso é algo insubstituível.

Alguns blogues e sítios portugueses conseguiram manter um ritmo interessante de publicação de textos nas duas línguas, sendo o mais evidente o ‘a barriga de um arquitecto‘, mas na maioria dos casos existe uma verdadeira falta de alma que deriva do facto dos autores se exprimirem numa língua que não é a sua.
Assim decidi, por algum tempo, suspender a publicação de textos em inglês; abrindo excepções para as entrevistas – que passam a ser traduzidas – e as citações/poemas. No entanto continuo a fazer ligações para textos originais em inglês. A fase de crescimento que este blogue atravessa, muito graças aos meus leitores, exige muito de mim e quero escrever mais e melhor e para isso preciso de expressar as minhas opiniões e divagações livre de constrangimentos linguisticos. A imagem, essa é universal e pode ser apreciado por qualquer um. A todos, obrigado. E obrigado aos The Gift pelo título e pela inspiração.


2 Responses to “Fácil de entender.”


  1. Janeiro 16, 2008 às 11:39 pm

    Mário,

    (antes de fazer qualquer menção ao tema principal do post, vou falar dos The Gift. Não sei se o Mário gosta muito ou pouco da banda, mas há uns tempos quando li algo que escreveu sobre as suas memórias, reparei que muitas das bandas que menciona são as referências dos The Gift e comentei com a Ana isso. Realmente, não se compreende muito bem como os Madredeus, que têm o seu mérito, claro, têm alcançado tanto renome internacional e os The Gift que são pioneiros deste género musical em Portugal [pop electrónico, num rótulo redutor, mas o único que me vem à mente] e com tanta qualidade em termos de composição não têm conseguido tanto prestígio. Enfim.)

    Quanto à questão da Língua Portuguesa, concordo com o Mário. Não tenho problemas de maior na leitura/compreensão e escrita da Língua Inglesa, mas não escrevo muito em Inglês (nem no deviantART, apesar de ser um sítio internacional) porque prefiro realmente fazer uso da minha língua nativa. Escrever em Português (ou escrever bem) não é assim tão fácil, mas temos uma língua muito bonita (escrita e falada) e não usá-la é perdermos um pouco da nossa identidade.

    Já agora, parabéns pela nova fase deste espaço.

    Abraço,

    Tiago Ramos

  2. Janeiro 17, 2008 às 8:28 pm

    Tiago, vou começar pelos The Gift. O que distingue os Madredeus dos Gift não é o mérito de cada banda mas sim aquilo que as torna diferentes das demais, falas dos Madredeus e o seu sucesso é ímpar, mesmo no Japão são venerados mas duvido que os japoneses que assistem aos concertos saibam falar português. Mas se os Gift actuarem no Japão facilmente serão entendidos, ora aqui é que começa a ser fácil explicar os que os distingue: a diferenciação dos demais. Gosto bastante dos Gift mas tenho que reconhecer que as suas influências estão demasiado marcadas para se conseguirem distinguir a valer no mercado internacional. Não quer dizer que não têm qualidade mas para um inglês ou um norte-americano aquilo soa-lhe a familiar, a algo que já ouviu em qualquer lado e isso Tiago mata qualquer esperança de construir uma carreira internacional. Dito isto, acho que os Gift se esforçam e merecem o sucesso, espero que o alcancem em português.

    Obrigado pelos parabéns, não posso esquecer que são os leitores que fazem também este espaço. Muito devo aos leitores, sobretudo aos que aqui deixam os seus comentários.

    Um grande abraço e dá outro à Ana.

    mário


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