07
Abr
08

Pequenas fustrações, delírios e fúrias.

Estou que não posso…ando com vontade de mandar tudo às urtigas e/ou pela janela fora mas passo a explicar este meu estado de raiva latente:

Comprei um calibrador para, supostamente, obter resultados consistentes em impressão. Eis que depois de gastar umas centenas no equipamento começo a imprimir com os perfis que criei. Imprimi os targets, li dezenas de quadradinhos numa folha A3+ e no fim tenho piores resultados do que com os perfis da Epson, tenho uma dominante magenta bastante irritante e persistente nas minhas impressões. Depois de ‘estourar’ com meia caixa de Epson UltraSmooth A3+ (qualquer coisa como 11 folhas) a 5€ cada folha, decidi ficar por ali e contactar os serviços da Colorvision; recebi resposta pronta e simpática, vai email para lá, vem resposta para cá, mando ficheiros que criei para lá, respondem que está tudo bem com os meus perfis. Para corrigir isto é preciso ter um mestrado em cor e ter tempo para experimentar, dinheiro para gastar em papel e tinteiros e mesmo assim é uma questão de tentativa e erro. Para ajudar à festa, descobri que o Aperture quando cria ficheiros TIFF para exportação lhes chapa a mesma dominante magenta por todo o lado por isso exportar ficheiros para imprimir está fora de questão. Mas de facto o LightZone apresenta, para o mesmo perfil que criei, resultados muito diferentes do Aperture.
E a piada maior nisto? É que só me apercebi disto ao imprimir uma certa imagem, já os testes iam lançados. Bem, mais vale tarde do que nunca.

Neste fim de semana fui para Bertiandos, descarregar as baterias – minhas e da máquina – e continuar o meu trabalho sobre esta zona. Fotografei pouco (cerca de 150 fotografias), aproveitei para começar a trabalhar com a medição do balanço dos brancos personalizada e no local para obter cores mais realistas. Fiz algumas experiências bem sucedidas e cheguei a casa estafado, suado mas feliz.
Descarrego as imagens e descubro que o sensor tinha um pequeno pêlo e que quase 75% das imagens não podem ser aproveitadas porque estão marcadas em zonas de textura/cor/luz que não permite a clonagem, ou seja o trabalho de um dia, com imagens irrepetíveis, foi directamente para o lixo…
A medição personalizada do balanço dos brancos, feitas com um cartão cinzento ou com um pequeno alvo da LastoLite, funciona bem e quando se ajustam os níveis da imagem obtêm-se cores reais, com boa saturação. Felizmente algo que resulta.

Aproveitei o facto do trio Nikon D200/Aperture/Epson 3800 estar a funcionar bem – tirando a questão dos perfiis – e agora estou a imprimir as melhores fotografias de cada sessão, para isso estou a utilizar o Epson Archival Matte Paper e o perfil da Epson. Apesar dos papeis brilhantes apresentarem uma gama de cores mais saturada, gosto bastante dos papéis mate, especialmente do UltraSmooth, um papel de algodão, com um toque soberbo e uma impressão espectacular. O meu favorito, sem dúvida.
A seguir à impressão, coloco as imagens ao lado da secretária e vou vivendo com elas até decidir se funcionam ou não; é um teste infalível, se a imagem não tiver força para se aguentar a impressão mostra-o claramente.

Resumo disto tudo: o Aperture está-me a torrar a paciência, a Epson 3800 foi o meu melhor investimento em fotografia dos últimos anos (é mesmo um equipamento fora de série), o calibrador Spyder3 vai a caminho de me pôr doido, os papeis Epson são bons e baratos, o UltraSmooth e o Tradicional Paper são fabulosos e não teria problemas em vender ou expor imagens impressas em qualquer um deles, mesmo com os perfis da Epson, o LightRoom cada vez mais me parece uma opção interessante.

Mas agora noutro tom mais saudosista e mais virado para o passado e apetece-me de repente equacionar o que ganhamos ou perdemos na transição para o digital. Nos velhos tempos pegava num rolo de slides Fuji Velvia, meti-me no carro, disparava o rolo a gosto e na semana a seguir deixava-o a revelar; levantava-o posteriormente, devidamente acondicionado e revelado para depois o colocar na caixa de luz e ver os resultados. Dominantes? Correcção de cor? Era tudo tratado na revelação. A impressão não saiu correcta? O laboratório fazia uma nova. Em preto&branco as coisas eram simples, fotografava com Kodak Tri-X 400, mandava revelar e imprimir em Agfa Fiber 118.
Hoje? Bem, chego a casa estourado depois de andar quilómetros a pé com a mochila carregada de discos rigídos, cartões de memória, reflector para medir o balanço dos brancos, baterias, computador portátil, etc. Chego a casa e descarrego uma enormidade de imagens (porque não tirar mais uma? É grátis!) no computador e gravo-as numa disco rigído que tenho para o efeito e cujo espaço se some todos os fins de semana, depois é preciso tratá-las, escolher as melhores, assegurar-me que o ambiente de trabalho tem uma calibração de cor exemplarmente correcta, corrigir as ‘anomalias’ próprias do digital – níveis, contrariar o filtro AA, sharpening, saturação – e depois imprimir, assegurando-me primeiro que a imagem que sai na impressora reflete a que vi no ecrã e que essa reflete a que foi registada no sensor e que essa reflete o que eu vi.
Em suma:
a) perdemos: tempo porque temos que fazer tudo e mais, temos que ter conhecimento especializado que não era necessário antes e temos que dominar vários aspectos desde a realização da imagem até à impressão;
b) ganhamos: um controlo impressionante sobre o nosso trabalho, a possibilidade de imprimir hoje, agora e não quando a loja o pode fazer, sair do local com a certeza de que regressamos a casa com fotografias e as possibilidades criativas que isto tudo permite são de longe superiores a todos os contratempos.


2 Responses to “Pequenas fustrações, delírios e fúrias.”


  1. Abril 9, 2008 às 9:50 am

    Isto só prova que apesar de tudo o que se escreve por vezes os perfis “canned”, os que acompanham as impressoras, são os melhores, porque dão bons resultados, mesmo se não são excepcionais. Afinal, os construtores do equipamento, que conhecem bem o produto e os papéis, acabam por fazer um bom trabalho.

  2. Abril 9, 2008 às 6:20 pm

    José, já tentei de tudo mas nada resulta. A única solução, e aquela que eu não desejo, é mudar o meu workflow de trabalho para o LightRoom que com os perfis faz um trabalho de impressão bastante impressionante. Mas neste momento já não tenho hipóteses de recuperar os RAW que meti no Aperture…

    Quanto ao calibrador, funciona bem, é melhor do que os perfis ‘canned’ da Epson e o casamento Epson R3800 LightRoom spyder3 parece-me um casamento perfeito. Mas isso sabemos nós que não existe por isso e para já fica tudo como está.

    Um abraço.


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