12
Maio
08

O final das impressões?

E se a fotografia que tanto deseja ver pendurada na sua parede não fosse impressa mas um ficheiro de alta resolução?

George Barr coloca em questão as impressões fotográficas de fine-art tal e qual como as conhecemos no seu blogue ‘Behind the lens’. Talvez Barr tenha alguma percentagem de razão ao afirmar que as impressões em papel irão desaparecer em detrimento de imagens em alta resolução que serão depois exibidas numa moldura digital mas para mim a ideia, por muito correcta que esteja, passa ao lado do espiríto da fotografia.

De facto a música passou de um suporte fisíco para um suporte virtual com extrema rapidez e hoje ninguém questiona o facto, pese embora esta alteração tenha estraçalhado o mercado e deixado várias feridas em aberto que só agora começam a sarar, a música é de facto um produto cultural que é feito para ser vendido em massa. Mas o mercado da música tem assistido a um fenómeno interessante: as vendas do vinil estão a subir exponencialmente. E as analogias entre uma fotografia impressa e um disco em vinil são óbvias: ambos reflectem a passagem do tempo, ganhando uma patina que lhes dá história – as impressões amarelecem e os discos começam a ficar com as estrias gastas pelo uso – e são suportes que podem ganhar estatuto de colecção com o passar dos anos e são suportes com existência real ao contrário de outro suportes com existência virtual.

Mas uma imagem em CD-Rom pode atingir o mesmo valor de uma imagem impressa pelo seu autor ou debaixo da sua supervisão? Como é que o Manel vai saber como imprimir aquela fotografia tal e qual o autor a imaginou? E vai saber imprimi-la? E o ficheiro digital vai poder ser lido daqui a cem anos? (respostas: não, não, não e duvido).
Mas supondo que o interesse de quem compra é apenas expor a fotografia numa moldura como é que o comprador acautela o seu investimento? Faz como todos fazemos, faz uma cópia de segurança, claro. E o que o impede depois de fazer essa cópia de fazer mais vinte ou trinta? Absolutamente nada, com o impacto que isso terá sobre o valor da obra, ou seja depois do mercado se aperceber que existem cópias do ficheiro de alta resolução a circular ninguém vai querer comprar algo que pode ter de graça.
Como se percebe a ideia é boa mas até haver um sistema anti-cópia perfeitamente capaz de impedir a cópia de ficheiros de um suporte para outro não me parece que o negócio da fotografia passe por aqui. Aliás a música debate-se com este exacto problema à já vários anos e sem sucesso.

A explicação de Barr cai um pouco por terra face a um dos seus argumentos: o preço da moldura. Hoje é possível adquirir uma boa moldura (eu por exemplo mando emoldurar as minhas na mesma loja que emoldura as fotografias do CPf sem um acréscimo de custos substancial) por um preço interessante e quem investe 500 ou 600 euro numa fotografia impressa em edição limitada de certeza que não se importa de gastar 50 ou 60 euro numa boa moldura, é uma questão de proteger o seu investimento.
E o impacto de ter na mão uma fotografia de Jim Brandenburg é totalmente diferente de ver a mesma imagem num ecrã, a primeira é uma sensação visual e táctil única, a outra é apenas uma experiência multimédia que em comparação com a impressão perde dimensão e profundidade.
A solução passa pelos próprios fotógrafos, a capacidade de cada um conseguir fazer edições maiores em papeis mais baratos, conseguindo assim fazer chegar ao grande público boas impressões a bom preço será uma forma de manter o negócio sem perder o controlo sobre as suas obras, podendo continuar a vender a mesma fotografia impressa num papel de excelente qualidade e em edição limitada para quem quer e pode chegar ao seu preço. As edições ‘normal’ e ‘limitada’ não se misturam e não se confundem, mantendo cada uma a sua cotação que irá evoluir de maneira diferente e autónoma.
Para a mim a solução não passa pela venda de ficheiros de alta resolução mas se o cliente pedir porque não fornecer um CDRom com um ficheiro de baixa resolução para que possa ser exibido numa pequena moldura digital? É mais difícil transformar um ficheiro Jpeg de baixa resolução em 72 dpi e sRgb em algo que se possa imprimir do que se fornecer logo à cabeça um ficheiro Tiff em 300 dpi e Adobe RGB…


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