30
Jul
08

Um trabalho diferente.

O José Rui pediu-me recentemente para ‘ir fazer umas chapas’ na nova loja ‘Mundo Fantasma’ que está a surgir na Centro comercial Brasília, aqui no Porto. Não escondo o nervoso miudinho que o pedido me causou dado que conheço o Rui e o grau de exigência que põe em tudo, sobretudo nensta loja e depois porque as imagens não seriam só para consumo interno do próprio mas para exibir ao mundo através do blogue da loja.

Sou fã de arquitectura contemporânea mas a fotografia desta actividade nunca foi a minha especialidade e portanto é algo que está muito fora da minha zona de conforto mas encarei o desafio como um pequeno teste à minha capacidade de adaptação.
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(vista geral da loja – tirada com uma objectiva olho-de-peixe)

Decidi usar a minha D200 juntamente com três ou quatro objectivas e um tripé. Chegado à loja encaro-me com um ambiente de obras com um chão cheio de pó e de materiais de construção, definitivamente encostei o tripé e decidi fazer o trabalho de máquina na mão. Foi um gesto inesperado sobretudo porque considero a performance da D200 acima dos 400 ISO como menos boa e a pouca luz do espaço ia-me obrigar a trabalhar a ISO elevados mas mesmo nestas condições não houve necessidade de subir acima dos 400 e o ruído ficou controlado. Outra situação que me preocupava era o balanço dos brancos e aqui a surpresa foi boa: a D200 revelou-se excelente neste campo mesmo com uma mistura de luz natural e artificial, não tendo recorrido a medições personalizadas e trabalhei sempre em Auto WB.
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(vista da zona de escritório onde existe uma janela e a iluminação é efectuada por lâmpadas fluorescentes)

No global foi uma boa experiência, o Rui deu-me liberdade criativa e apesar de todos os constrangimentos – de tempo, de iluminação e de espaço – gostei de executar este trabalho.

Agora como nota final gostaria de dizer algo mais sobre este espaço e em particular sobre a galeria (cujas fotos deixei de propósito para o final).
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(futura galeria)

Todos sabemos que estamos em plena época de crise (infelizmente algo que se ouve neste país à tempo demais…) e o Rui fez uma aposta a todos os níveis arriscada: decidiu abrir uma galeria especializada em banda desenhada. Se a fotografia é um nicho em Portugal, a ilustração de BD é um nicho dentro de outro nicho e fazer algo assim requer iniciativa e uma certa apetência para o risco. O Rui, e restante equipa, tem uma larga experiência acerca da BD e por isso sei que calculou todos os ângulos desta obra mas revela uma visão larga das coisas e sobretudo a vontade de expandir um mercado onde muitos reclamam que não há mercado. Apesar da galeria não ser muito grande tem um espaço muito generoso, bem iluminado e vai ser interessante assistir ao início deste projecto. Aguardo sobretudo a programação do espaço mas pelo que me apercebo será interessante pela divulgação não só de nomes consagrados mas também em nomes emergentes, nacionais e internacionais.
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(outra vista da galeria)

Falta no Porto alguém disposto a fazer o mesmo pela fotografia, sem medo de arriscar e com capacidade de levantar um projecto destes. Não nos vamos enganar porque este projecto está integrado numa loja e portanto é uma excelente ideia para uma loja de fotografia que esteja disposta a complementar o negócio com a arte; e é algo que faz todo o sentido:os clientes compram o equipamento e encontram boa fotografia onde podem recolher inspiração para melhorar. A este nível falta inspiração aos nossos empresários, que bem podiam olhar para a FNAc que tem uma excelente programação, mas se calhar falta-lhes um pouco de coragem. É óbvio que algo deste género aplicado à fotografia tem que se pautar por critérios de programação que não passam só por uma questão de ter lá o espaço para os clientes exporem à medida do que aparece, precisa de uma programação, de selecção do que vai para as paredes e coragem de dizer não. Se tudo o que aparece é exposto então não há critério e deixa de ter interesse, com uma boa selecção, com uma ou duas exposições colectivas com fotografias dos clientes para agradar a todos mas com exposições regulares de fotógrafos que possam gerar movimento e arrastar pessoas à galeria/loja parece-me uma excelente ideia. E haverá alguém no Porto disposto a fazer a aposta? Espero bem que sim, sugestões e ideias podem vir via o ‘contacto’ lá encima na barra das ferramentas, tratarei de as encaminhar. E já agora falem nisto na vossa loja, talvez desperte as capacidades adormecidas de alguém…


6 Responses to “Um trabalho diferente.”


  1. Julho 30, 2008 às 9:00 am

    Porque é que te preocupaste com o WB? Fotografando em RAW escolhes o WB que quiseres em casa. Eu utilizo o Lightroom, que permite até corrigir os problemas de cor da iluminação fluorescente.
    No meu caso o problema seria a escolha das lentes. Lentes grande angular, sem distorção, para formato DX é coisa que não tenho e não é muito fácil ($$) de arranjar.
    ZM

  2. Julho 30, 2008 às 6:35 pm

    Zé,

    Não me preocupei com o WB, trabalhei sempre em auto e depois corrigi a exposição em casa porque trabalho quase sempre em RAW. Eu uso o Aperture mas o resultado final é o mesmo.
    Em relação às lentes usei a AF DX Fisheye-Nikkor 10.5mm f/2.8G ED e a AF-S DX Zoom-Nikkor 12-24mm f/4G IF-ED, ainda fotografeia lgumas coisas com uma AF-S VR Micro-Nikkor 105mm f/2.8G IF-ED mas foi residual.

    Em relação ao WB habitualmente faço medições personalizadas com um cartão cinzento e resulta muito bem, aliás melhor do que corrigir na pós-produção.

    Um abraço.

  3. 3 Ema
    Agosto 1, 2008 às 2:42 pm

    Bravo, Mário! Arquitectura é sempre um desafio, embora se ache que não. Muito Lobianas… ;)

  4. Agosto 3, 2008 às 10:30 am

    Obrigado Ema. Agora precisamos que a Ema arranje forças e apoios para levantar (de novo) um projecto semelhante na fotografia.

  5. Agosto 6, 2008 às 3:21 am

    Obrigado pelo trabalho, pela referência elogiosa…
    Eu não me importo de arriscar, considero o risco essencial e aqui arrisquei tudo, apesar dos 16 anos de experiência como livreiro especializado. A galeria é considerado um projecto paralelo sem fins lucrativos — por outras palavras, financeiramente sem autonomia, com a livraria a sustentá-la, mas com um retorno indirecto que pode ser muito interessante. Também já se sabe que gosto de estar principalmente onde não está ninguém.

    Mas isto tem-me deixado doente, estou saturado de trafulhas de sarjeta que grassam em tudo o que é… sarjeta neste país. Depois deste esforço todo, ter irresponsáveis a minar, perfeitamente nas calmas, total “coolness” perante o prejuízo dos outros e com a garantia que a justiça mesmo que existisse, seria tarde.
    Depois de ter anunciado três datas com todo o prejuízo que isso acarreta, incluindo danos morais, cancelamento com autores, embaixada da Dinamarca… Estamos hoje sem data de abertura até que o aldrabão se digne a acabar o trabalho.

  6. Agosto 8, 2008 às 5:27 pm

    Quando houver avanços nas obras, estou pronto para mais uma sessão.

    E digo-te que a loja tem aspecto e a galeria idem, parece-me que como projecto autónomo a galeria teria poucas chances de sobreviver financeiramente, talvez se apenas funcionasse com suporte virtual.

    Quanto ao resto é que se sabe, a lentidão da justiça aumenta o sentimento de impunidade. Quando o país for capaz de resolver o atraso da justiça aí teremos um avanço maior e digno. Assim conforme está não vamos a lado nenhum, não é normal alguém assumir o prejuízo apenas porque ir para os tribunais não é opção viável, não num país que se quer moderno e avançado. Este é o grande dilema português.

    Lamento a tua situação, aliás a exposição inaugural era de grande interesse, e espero que as coisas encarreirem rapidamente e que daqui a pouco eu esteja a publicar as fotos da inauguração.


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