13
Fev
09

sobreviver em 2009.

Numa época em que tanto se fala se avaliação, e em plena crise económica, será possível aplicar o conceito na fotografia? A auto-avaliação sempre foi uma ferramenta essencial para construir uma carreira em qualquer actividade, se não houver um real conhecimento das nossas capacidades será difícil perceber o que está mal e que precisa ser corrigido. No início de cada ano gosto sempre de olhar para trás e analisar o que fiz no ano anterior, já é ritual habitual cá por casa. Mas para isso é necessário que no ano anterior tenha estabelecido objectivos, senão estou apenas a fazer um exercício abstracto que não serve para muito. É difícil explicar a um amador a necessidade deste pequeno exercício mas 2009 vai demonstrar que os tempos áureos da fotografia, de euforia desenfreada já passaram e como no resto das actividades a crise está aí. E a crise não vai ser só económica, lamento dizê-lo, vai ser sobretudo tempo de expurgar o que não é necessário e largar o supérfluo e o tempo, mas sobretudo a atenção, vai escassear. A atenção das pessoas vai estar centrada sobretudo na resolução dos seus problemas mais prementes e isso vai-se reflectir na disponibilidade em estarem horas sentadas à frente de um monitor a ver fotografias infinitamente por isso os fotógrafos têm que se adaptar e os que sobreviverem vão sair mais fortes desta crise. Para isso são precisas três coisas:
a) não estar parado,
b) traçar objectivos realistas para 2009,
c) fazer uma auto-avaliação para melhorar eventuais pontos fracos.

Neste ano, e pressuponho que em 2010 também, qualquer erro será ampliado fortemente devido à envolvente económica e daí ser necessário traçar objectivos qualitativos mas também quantitativos ou seja trabalhar melhor mas também mais. O mesmo se aplica aos investimentos feitos em material, a ponderação tem que ser outra dado que o retorno será mais lento do que anteriormente. Gastos em lentes e máquinas novas carecem de uma ponderação extra face à possibilidade de o dinheiro investido naqueles itens poder ser necessário para fazer face a outras despesas e sobretudo porque o mercado de usados vai estar um pouquinho saturado de equipamentos de quem não fez contas ou precisa mesmo de o trocar.  Traçar objectivos obriga a uma disciplina apertada, de nada serve traçar objectivos que sabe à partida que não os vai cumprir ou que não os pode cumprir, realismo acima de tudo. Atrair a atenção das pessoas passa essencialmente por trabalhar melhor mas exibir melhor o trabalho produzido (já repeti inúmeras vezes isto neste blogue), nada adianta produzir muito se é mau ou produzir bom mas que ninguém vê; investir na promoção do próprio trabalho é algo que deve estar na agenda de todos (sem excepção) os fotógrafos. Não adianta nada ter galerias, blogues e afins e depois estar à espera de ser descoberto, é preciso ir atrás dos leitores, mandar emails, procurar espaços para expor e divulgar. É lógico que isto tudo pressupõe um plano e um plano pressupõe planeamento. Trabalhar mais significa optar por sair mais e fotografar mais vezes mas produzir menos de cada vez que sai. Trabalhar com afinco mas sem pressão de produzir muito, maximizando cada saída parece à primeira vista um contra-senso mas é um excelente método de trabalho. Cada vez que sai vai ter que procurar chegar a casa com poucas mas boas fotografias e os amadores vão ter que se habituar a trabalhar como profissionais, de outro modo arriscam-se a andar eternamente para o lado como o caranguejo.

Se vai haver um facto em 2009 a destacar, na minha modesta opinião, vai ser uma nova clivagem entre amadores e profissionais, e não falo na questão monetária mas sim na questão essencial que é a produção e exibição de material ao melhor nível. E arrisco a dizer que quem não perceber isto para ter uma surpresa desagradável no final do ano… Mas isto vai funcionar ao contrário ou seja profissionais a usar ferramentas amadoras, seja para produzir trabalhos seja para os exibir, vão ter um ano difícil, em tempo de crise o mercado aperta os critérios de qualidade e os piores vão saltar fora da carruagem. Não existe tempo nem disponibilidade para dispersar por todos ao mesmo tempo e as preocupações vão ser muitas. Tudo isto pede uma análise profunda por parte de cada um ao trabalho que desenvolve e como o desenvolve, e daí a necessidade da auto-avaliação, de forma a preparar-se para os tempos conturbados que aí vêm, E dessa preparação depende muito o futuro de cada fotógrafo. E sinceramente acho que uma crise desta dimensão é boa no sentido que depura muita porcaria que andava por aí – seja na fotografia seja nos mercados de capitais – mas infelizmente também vai fazer muitas vítimas inocentes que vão pagar por erros que não cometeram. No final muita gente vai descobrir que o artista A ou B de quem compraram fotografias na galeria XPTO e que era uma jovem promessa, não passa disso mesmo e que agora é apenas um assalariado numa qualquer repartição pública, sonhando com um futuro como fotógrafo reputado. E vai acontecer muito… Gente que de repente apareceu nas paredes de galerias como a ‘next big thing’ desaparecem ao mesmo ritmo, desvalorizando os trabalhos vendidos a peso de ouro. É o lado negro da fotografia contemporânea e dos quinze minutos de fama de Warhol.   Mas os que sobreviverem serão mais fortes no final desta crise, prontos a recomeçar de novo. Poucos serão os que irão renascer das cinzas como a Fénix, será tudo uma questão de timing e de preparação, sobreviver será a palavra de ordem para 2009.


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