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Mar
09

vibração do espelho da nikon d200.

mirror-slap-11
mirror-slapA imagem A não tem diferença nenhuma da imagem B em termos de velocidade de obturador ou de abertura do diafragma mas se olharmos bem para as duas imagens nota-se que a A está visivelmente tremida. Dado que ambas foram tiradas em cima de um tripé e com tudo bem seguro, o que faz com que uma esteja tremida e inutilizada e a outra esteja perfeita?

Desde que investi numa AF-S VR Zoom-Nikkor 70-200mm f/2.8G IF-ED e numa AF-S VR Nikkor 300mm f/2.8G IF-ED que noto esta tendência da D200 em apresentar imagens que não são aceitáveis, mesmo que sejam, efectuadas em cima de um tripé e perfeitamente seguras. Decidi investigar…
Primeiro notei que isto só acontece com teleobjectivas e com velocidades de obturador entre os 1/5 seg. e os 1/60 seg., acima ou abaixo destas velocidades o problema desaparece gradualmente; também noto que acontece precisamente em objectivas que estejam fixas ao tripé por um ‘pé’ de apoio próprio e não através da máquina. Após alguns testes descobri o culpado: o espelho da máquina. O espelho tem um mecanismo que o faz subir para que a luz atinga o sensor/filme no momento em que o obturador se abre – e daí tudo ficar escuro se estamos a olhar pela ocular da máquina – e logo que este se fecha o faz retornar à sua posição inicial. É precisamente este movimento, sobretudo o de subida, que transmite uma vibração à máquina que por sua vez o transmite à lente e o resultado final é uma imagem tremida. Nem mesmo com o recurso ao retardador se elimina o problema, a única solução é comprar um cabo disparador e utilizar o ‘mirror lock-up’, o problema é que esta solução acarreta investimento num artigo que as marcas – especialmente a Nikon – gostam de cobrar à grande…
Espero que o problema esteja minimizado nas novas Nikon, se houver por ai alguém que já tenha sentido o mesmo problema noutros modelos da marca, agradeço o vosso feedback.

Mas parece-me que o espelho não é o único culpado, de facto numa teleobjectiva fixa pelo colar de tripé e não pela máquina, este deveria ser suficientemente estável para suportar a lente e não deixar que a mesma vibre com facilidade mas num mundo onde o design – o desenho das peças mas também a forma que funcionam – e o controle de qualidade estão a ser cada vez mais descurados pelas marcas já nada me espanta. Espanta-me que a Nikon cobre cerca de 1.800€ por um zoom profissional que depois ostenta falhas deste tipo na sua concepção e já nem falo na AF-S VR Nikkor 300mm f/2.8G IF-ED onde este tipo de problema nem deveria surgir logo à partida. O problema não se deve só à má concepção do espelho da D200 mas também ao insuficiente isolamento do colar de tripé destas lentes, juntos fazem um mix explosivo que ‘rebenta’ nas mãos dos compradores mal começam a explorar o equipamento que têm. Não existe técnica milagrosa que resista a isto e muitas vezes chega-se a casa com um dia de fotografias que vão direitinhas para o lixo porque objectivamente têm falhas técnicas que as inutiliza. A solução está na captura em procurar situações com boa luz que permitam usar a lente com velocidades de obturação elevadas ou segura na mão com o VR ligado, como se pode ver na imagem C ou usar a técnica ‘prescrita’ de utilizar o ‘mirror lock-up’ e cabo. E ter muita paciência no terreno e, já gora, tempo para verificar as imagens realizadas antes de sair do local. Com as máquinas mais recentes a solução passa também por subir o ISO para poder usar velocidades de obturação mais elevadas, mas repito que isto são soluções para um problema que nem deveria existir nestas lentes.

serra-da-cabreira-88

Entretanto para os utilizadores da D200 e que se querem aventurar em fotografia lenta com teleobjectivas já sabe a solução: ‘mirror lock-up’ e cabo disparador. E não caiam na tentação de ligar o VR (Vibration Reduction) com a máquina ou lente fixa num tripé porque esta combinação exacerba ainda mais o problema.

Dados técnicos (crops a 100%):
A) Nikon D200 + AF-S VR Zoom-Nikkor 70-200mm f/2.8G IF-ED / f10 e 1/4 seg / temporizador / tripé gitzo + rótula Acratech.
B) Nikon D200 + AF-S VR Zoom-Nikkor 70-200mm f/2.8G IF-ED / f10 e 1/5 seg / mirror lock-up – cabo Nikon MC30 / tripé gitzo + rótula Acratech.
C) Nikon D200 + AF-S VR Zoom-Nikkor 70-200mm f/2.8G IF-ED / f5.6 e 1/320 seg / VR.

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7 Responses to “vibração do espelho da nikon d200.”


  1. Março 4, 2009 às 2:13 pm

    Caro Mário,
    Parabéns pela sucinta e clara explicação do problema existente com a falta de definição e recorte subjacente à fotografia a velocidades baixas devido ao funcionamento do espelho das slr, tal como referiu entre os 1/60 e 1/5 seg., designadamente pela clara demonstração dadas pelas fotos. Se me é permitido, posso só acrescentar que este problema não parece ser único e específico da Nikon D200 mas sim um problema geral a estas velocidades devido como disse à vibração produzida pelo espelho.
    Quanto ao cabo disparador, efectivamente o de origem da Nikon é de preço elevado, mas qualquer outro de outra marca o substitui e permite fazer exactamente o mesmo… levantar o espelho. De resto, e digo eu, se calhar não é á toa que querendo fazer uso do temporizador da máquina para substituir o cabo disparador tal operação não permite usar o espelho levantado (isto porque no selector ou seleccionamos a opção Temporizador ou a opção Espelho Levantado, não sendo as duas cumuláveis), ou seja, não se pretende que o Temporizador substitua o uso da opção espelho Levantado (pelo menos em todas as situações).
    Por último aproveito para deixar a minha opinião quanto ao uso de tripé conjugado com o sistema VR. De facto após ler em vários artigos/opiniões sobre este tema facilmente se chega à conclusão que o uso de ambos é incompatível. Pois bem, também gosto de fazer alguns testes e formar a minha própria opinião e, designadamente sobre este assunto, facilmente cheguei á conclusão de que não podemos generalizar. Experimentei já, por diversas vezes fazer uso do sistema VR (opção só activa durante a captura) com uma Nikkor 80-400mm com que regularmente faço fotografia de aves montada num tripé e rotula estável (Manfrotto 055xprob + 488rc2) e usando o cabo disparador na grande maioria das fotos não se tem qualquer problema de “tremura”. Claro que isto talvez se deva, não há má estabilização permitida pelo próprio conjunto tripé/rotula, mas sim, e mais uma vez na minha humilde opinião, devido ao mau colar de suporte de tripé que vem fornecido na objectiva que referi, o qual permite oscilações. Já agora quanto a este aspecto aqui fica um truque: colocar uma rolha ou outro objecto que se ajuste entre o corpo da objectiva e a base do suporte do colar a fim de absorver as vibrações e ajudar a reforçar a estabilização do conjunto!
    Bom, isto já vai longo…
    1 abraço e, continue a partilhar as suas opiniões e experiências

    • Março 4, 2009 às 9:03 pm

      O problema é fundamentalmente de design. Para mim é uma falha no design do colar do tripé, mesmo em objectivas que custam cerca de 11,000€, da pesquisa que fiz uns dos piores que para aí andam é o da AFS 400/2.8 VR II, inconcebível na minha opinião. Sei, por leituras, que o da 80-400 também tem várias falhas mas o rei dos piores colares de tripé é definitivamente o da AFS 300/4 que vibra por todos os lados, por muito que se aperte o suporte…
      Da experiência que tenho o VR + tripé é em 90% dos casos uma boa receita para piorar o problema.

      José, agradeço o seu comentário e nestas trocas de experiências não há comentários longos nem curtos e o seu é de facto uma excelente troca de experiências. Volte sempre.

      (tenho a moderação de comentários activa por isso o seu comentário demorou a aparecer, quando assim for não necessita de o voltar a escrever)

      Um abraço.

  2. Março 4, 2009 às 10:02 pm

    …pois é!
    Não querendo monopolizar os comentários, o colar de tripé da 300mm f/4 AF-S IF-ED que refere é nada mais, nada menos, o mesmo da 80-400mm, ou seja um colar que, tem razão, por mais que se aperte nunca consegue manter a objectiva completamente estável. Nunca experimentei a dita 300mm f/4, mas pelo peso, tamanho e desenho que tem deve sofrer dos mesmos males da 80-400mm… nada como os colares das “velhas” 300mm f/2.8 ED-AI-S. Esses sim, curtos, extremamente robustos e acima de tudo estáveis, mesmo quando à objectiva acoplamos TC’s.
    Este tema das vibrações é um problema específico da fotografia com objectivas de grandes distâncias focais e, neste campo, cada qual vai testado e vendo qual a melhor maneira de o reduzir com o equipamento que está a usar.
    A este propósito aqui fica outra dica que, com o tempo, fui aprendendo e testando: Quando vou para o “campo” fotografar aves a distâncias focais de 600mm (com uma “velhinha” 300mm 2.8 AI-S + TC 200 ou TC 300) além do obrigatório uso do tripé e de cabo disparador costumo ainda fazer uso do espelho levantado. Mas quando não tenho comigo o cabo disparador e, por isso, não posso usar a possibilidade do “Mirror Up” uma técnica que ajuda a estabilizar todo o conjunto e, por isso a minimizar as vibrações é colocar simplesmente a mão e parte do braço por cima da objectiva exercendo uma certa pressão.
    1 abraço

    • Março 5, 2009 às 10:17 pm

      O bom e velho design da Nikon, isso era no tempo em que a marca construía lentes para durarem uma vida, agora duram 5 ou 6 anos (as de topo), enfim, modernidades. De facto ouço dizer muito bem dos colares de tripé das velhinhas tele da Nikon e admira-me como é que uma marca que fez bem e sabe fazer bem, consegue oum colar como o da AFS 300/f4; aquilo é uma miséria.
      Gostava de o convidar a partilhar connosco uma fotografia desse conjunto que indica (300/2.8 AI + TC), tenho uma certa curiosidade no equipamento ‘vintage’ (e já agora que tal umas fotos feitas com essa lente?). Fica o convite e se aceitar, é só enviar via email.
      Quanto à técnica que indica nunca a experimentei e logo que possível vou fazê-lo, depois publico o resultado.
      Um abraço.

  3. Março 5, 2009 às 12:29 pm

    este foi daqueles post que li todo mas não percebi nada.
    só que depois da aula de ontem vim cá relê-lo.
    já o percebi (e fiquei bastante contente) mas ainda não o consigo comentar.

  4. Março 5, 2009 às 10:57 pm

    Olá de novo.
    É curioso o que pede porque ainda a semana passada publiquei, num blogue que tento actualizar uma vez por semana, a minha opinião sobre a bem “velhinha” 300mm ED-IF AI-S que possuo, juntamente com um teste da mesma com o uso de dois teleconversores de 2x, ou seja a uma pouco usual distância focal de 1.200mm f/11 em formato 35mm (1.800mm em DX, como foi o caso).
    Eu pessoalmente sou um apaixonado pelas ópticas “vintage” da Nikkor, tenho algumas, e uma coisa é certa, com o uso correcto das mesmas em termos ópticos nada ficam a dever às modernas objectivas topo de gama da Nikkor a nível de definição e rendimento cromático.
    Bom mas para satisfazer a curiosidade, e penso que será mais esclarecedor que as fotos por mail, aqui fica o link:
    http://joseloureirophotography.blogspot.com

    Caso queira ver mais fotos captadas com esta objectiva (quase sempre com um TC 2x acoplado, portanto a 600mm) indico o site:
    http://avesdeportugal.home.sapo.pt – (designadamente na secção Espécies, as fotografias de: Rabiruivo-preto; Pardal-comum; Rola-turca e verdilhão).
    A 300mm f/2.8 AI-S é um autentico tank de guerra, mas o seu uso carece de alguma habituação e cuidados e… pelo menos com a que tenho, quando usada com TC’s, a um pouco de “Photoshop”, designadamente para recuperar um pouco a falta de contraste.
    1 abraço


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