30
Mar
09

depois da estatística, o workflow.

Depois de publicar uma breve estatística de um sábado de fotografias, agora publico o que acontece às imagens captadas.

Num dia típico posso captar algures entre 100 e 500 fotografias, muitas delas simples variações de composição e/ou exposição e é preciso catalogar, organizar, escolher e editar cada uma delas. Aqui abro um pequeno parênteses para afirmar o seguinte: sou uma desgraça organizacional. Um ficheiro é arquivado algures e nunca mais sei dele e detesto a pequena arrumação de pastas e pastinhas que o Windows tem, sempre me perdi naquilo. Aliás ainda organizo as coisas um pouco assim mas com o Mac OS e o Finder as coisas têm melhorado. Faz-me confusão ter um ficheiro dentro de uma pasta e precisar do Nero ou de outro programa ‘pirómano’ para uma simples gravação em CD. De volta à fotografia. Dito isto, preciso de algo que me arrume as fotografias e as organize segundo critérios apertados definidos por mim: benvindos ao Aperture.

imagem-1Chego a casa e depois de arrumar mochilas, roupa e calçado e refrescar-me com um banho é hora de meter as fotografias no Aperture, para isso abro a aplicação e selecciono o projecto para onde vão as fotografias. Meto o cartão de memória no leitor – um SanDisk ImageMate – e Aperture pede-me para confirmar se quero meter as fotos nesse projecto, com a opção de apenas escolher algumas, coloco o nome que vai ser dado aos ficheiros, as keywords para pesquisas facilitadas e já está.
É nesta barra que a ‘magia’ inicial acontece e estão disponíveis várias opções:

1) Store Files: é possível trabalhar com imagens que não estejam arquivadas na biblioteca interna do Aperture, embora com a subsequente perda de funcionalidades internas do próprio programa como o backup autónomo, e assim manté-las na sua localização actual. É a velha organização à Windows, descarregar as fotografias numa pastinha e depois dizer ao programa onde estão e trabalhar a partir daí, se não é um fotógrafo ‘on the fly’, esqueça e meta tudo dentro da biblioteca, se trabalha com as mesmas imagens em vários computadores o melhor é trabalhar com as imagens todas numa hard drive externa e editá-las assim. Serve bem o propósito de um fotógrafo de natureza: no terreno é possível verificar os ficheiros e fazer uma edição rápida para depois completar o trabalho em casa.
2) Keywords são pequenas etiquetas de texto que permitem organizar, procurar e catalogar as imagens. São um pequeno resumo do que é a imagem, onde foi tirada – embora eu deixe essa opção para o título do ficheiro – e outras que deseje lá colocar.
3) Version name: eu coloco sempre o local onde as fotografias foram captadas. Sempre. Mas cada um pode seleccionar o que lá quer pôr, claro mas sem esquecer que esse será o título de todas as imagens que vai importar, se tem algumas flores espalhadas no meio de paisagens, o melhor é importar cada tipo de fotografia e dar-lhe o respectivo título. Tem a opção de alterar ou não o ficheiro Master, o que eu não faço.

imagem-2Depois disto escolho as imagens segundo um critério meu de classificação: uma ou duas estrelas, nem interessa perder tempo, três estrelas é preciso verificar composição, luz e potencial ou seja são as imagens para editar. O Aperture, através do uso intensivo de pastas inteligentes cujos critérios de selecção são escolhidos por mim, depois separa tudo. Em qualquer momento sei que fotos têm a classificação de quatro estrelas – Flickr e fotoblogue, quais as fotos de cada ano e separa também as melhores fotografias (quatro e cinco estrelas) por anos.

Ainda existe uma outra pasta com fotos que ainda não foram classificadas nem editadas, são habitulamente as que estão em linha de espera para serem triadas e editadas.

A pasta de impressão serve para testes de impressão, onde basicamente afiro qual o tamanho maior em que posso imprimir determinada imagem e se depois de impressa existem defeitos que escaparam durante a edição ou se esta deixou artefactos que necessitem de correcção.
E para a organização é tudo o que faço.

Depois da organização a edição.
E vamos melhor com o exemplo do que com a palavra. Pego então numa imagem escolhida porque usa o arsenal todo de edição que anda cá por casa.
serra-da-cabreira-143
1) correcção dos níveis. Primeiro de forma automática, depois com correcção manual;
2) corrigir sharpening;
3) como o céu está com zonas queimadas, a imagem é enviada para o LightZone e edito o céu;
4) a cor está claramente a mais, por isso segue para o Silver Efex Pro para ser transformada em preto&branco;
5) corrijo as sombras e as altas-luzes, escolho o tipo de filme – Fuji Acros 100 e dou-lhe um pouco de grão, na tonalidade opto por um split-toning verde/amarelo.

O resultado final:
serra-da-cabreira-143-1
É um exemplo rápido de como escolho, selecciono, organizo e edito as minhas fotografias. Geralmente esta não seria a única versão da imagem, poderia fazer uma com tonalidade sépia, outra com tonalidade fria, uma versão infra-vermelho, poderia fazer tudo no LightZone sem passar pelo Silver Efex Pro, etc. Cada imagem é um caso que merece atenção e paciência, às vezes edito as imagens passado dois ou três meses após a captura para evitar ter ainda ligações demasiado emocionais à imagem, que poderiam ter um efeito nefasto na sua classificação.

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8 Responses to “depois da estatística, o workflow.”


  1. Março 30, 2009 às 1:54 pm

    Eu tenho imensa dificuldade em seleccionar fotografias frescas. Normalmente deixo-as a apanhar pó dentro do disco externo e só olho para elas quando não me lembro dos pequenos pormenores irritantes que teimam em distorcer a minha leitura.

  2. Março 30, 2009 às 6:57 pm

    nem imaginas como estes posts são-me úteis. ontem tive a primeira aula de exterior e vim cá confirmar se não me esquecia de nada ;)
    eu nem te digo como organizo as minhas fotografias mas tenho milhões de pastas e pastinhas, uma confusão tremenda. procurar alguma coisa é quase impossível. ultimamente tenho-me intrigado sobre este assunto. fazes backups das fotografias todas? mantens as fotografias no computador ou num disco externo? ou nos dois? imprimes e guardas as fotografias? nunca mais o fiz, os meus álbuns estão só no pc. como podes reparar, estou realmente cheia de dúvidas simples mas pertinentes, para mim.

    • Março 30, 2009 às 7:16 pm

      Patrícia,

      este teu comentário dava quase para outro artigo. De facto a organização, sobretudo num sistema que não está preparado para o fazer, é complicado. Eu guardo tudo, inclusivé os ‘falhanços’ – imagens com falhas técnicas óbvias, ainda durante algum tempo apagava essas imagens mas agora considero que fazem parte do meu património e guardo-as. Depois arranjei um sistema de classificação onde as imagens com menos de três estrelas nem perco tempo com elas, o resto logo se vê e se analisa. O backup é fundamental, trabalhar sem ele é como trabalhar no trapézio sem rede, eu optei por ter as fotografias em dois discos externos de 750Gb, um com a biblioteca, outro para o backup. Como tenho uma impressora de grande formato (A2) em casa gosto bastante de imprimir e faço-o bastantes vezes mas reconheço que uma boa impressão fica cara porque o papel em condições é caro. Mas a sensaçõa de ter um A2 bem impresso num papel de qualidade bate de longe a experiência de ver a mesma fotografia num ecrã de computador.

      Em relação à organização se tivesse que a fazer dentro do Windows seria assim:
      1) no desktop crio um pasta chamada fotografia, dentro dessa pasta crio pastas cujo nome é o ano – 2008, 2009, 2010, etc. – e dentro de cada ano tens duas opções na minha opinião: ou crias por mês ou por tema, ou se queres ser mesmo organizada, crias doze pastas – Jan, Fev, etc. – e dentro de cada mês divides por temas.
      2) no desktop crio um apasta chamada fotografia, dentro dessa pasta cria outras pastas com temas – paisagem, retrato, férias, etc. -, dentro de cada tema crias pastas com os anos – 2008,2009, 2010, etc. – e dentro de cada ano crias os meses. Podes assim quer ver os retratos que fizeste no mês de Janeiro de 2009 com alguma facilidade.
      Escolhe uma das duas opções e avança. vais perder algum tempo a organizar isso tudo…

      Pesquisa na rede programas baratos para edição, a minha aposta: Photoshop Elements, 90€ bem gastos. Nem olhes para trás, vais à Fnac e compra, se não gostares do programa manda-me a embalagem de cartão que eu como-a (vê lá a minha fé no produto).

      Já tens matéria para trabalhar, agora vamos ao trabalho :)

      Um abraço,

  3. Março 31, 2009 às 6:17 pm

    Eu tenho uma pasta para cada dia que tiro fotografias, mas acho que esta organização nem sequer é relevante (os temas não me convencem, são muito redutores). O importante é ter as coisas organizadas no programa de edição – Lightroom no meu caso. Se quero procurar uma fotografia vou ao Lightroom, passo pela biblioteca e não nunca senti grandes dificuldades em encontrá-la.
    Não costumo usar labels nem tags nem essas coisas. O máximo que faço é dar uma classificação em número de estrelas.
    Outra coisa que costumo fazer é apagar as fotografias sem interesse. Porque para além de só ter um disco externo de 60GB, é um óptimo exercício para ir apurando a difícil tarefa de selecção. Também ajuda a ter uma base de dados menos pesada.

  4. Março 31, 2009 às 6:23 pm

    Esqueci-me de dizer que costumo é fazer colecções dentro do Lightroom, mas que variam muito consoante o tipo de fotografias. Se fizer uma viagem, por exemplo, tipicamente divido em pessoas, paisagens, objectos, etc. Tenho colecções para temas que vou construindo ao longo do tempo. Tenho também colecções para lugares específicos.
    É esta a base da minha organização.


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