18
Ago
09

Como eu leio o ensaio do Edgar Martins…

“You and i know that while photographs may not lie, liars may photograph.”
Lewis Hine (1874-1940)

Reconheço algum debate ‘interno’ sobre se deveria ou não comentar o ensaio do Edgar Martins, que o próprio escreveu e divulgou como resposta à monumental trapalhada que se seguiu à exclusão por parte do New York Times de um ensaio fotografico seu.

Decidi fazê-lo sobretudo porque acredito que não é com peças sobre-intelectualizadas e incompreensíveis que se explica algo tão simples como responder à pergunta: se Edgar Martins admite agora a manipulação porque é que em várias circunstâncias o negou? E o ensaio responde ou não a essa pergunta fulcral em toda a questão?

Após uma leitura atenta do ensaio (que podem ler neste mesmo blogue ou no sítio do próprio Edgar Martins) consigo detectar algumas falhas subtis na argumentação que o fotógrafo apresenta para se defender, a mais óbvia não pode deixar de ser a falta de resposta à pergunta ‘porque mentiu Edgar Martins’.

Whilst it is true that my work is mostly defined by the use of non-computer assisted processes, it is not however accurate to state that I have always taken a purists stance towards Photography.

Mas as próprias palavras de Edgar Martins desmentem esta afirmação:

Though my images are minimal in tone, they do not pare down my experience of place. In my work there is scope for so much more. What seem like highly controlled and manipulated photographs are but a product of illusion.
(in The Morning News)

When I photograph I don’t do any post production to the images, either in the darkroom or digitally, because it erodes the process. So I respect the essence of these spaces.
When you become a perfectionist, the perfection takes over, you know? And that really skews the overall meaning of the image. So that ‘s why I try to make the images as organically as possible…But I don’t have anything against digital photography,(…)
(in ARTmostfierce)

Esta última afirmação é desmentida no próprio ensaio que o Edgar agora publica:

Such is the case with projects like Parables of Metaphor & Light, Reluctant Monoliths, amongst one or two others. That is not to say, of course, that the works are entirely digitally processed. Analogical means still lie at the core of the production process.
Moreover, I have always resorted to digital technology to restore or repair images.
Those who have truly looked at my photographs, especially the larger, darker, 3m works, will know that they are dust or scratch free, a condition, which is unattainable in analogue Photography. This implies some kind of mediation.

Parece-me a mim, mas posso estar enganado, que apanhado em falso (não queria dizer a mentir mas nada lá perto…) Egdar Martins tenta a fuga para a frente e pelo caminho desmente o que disse, ainda por cima numa época em que nada se perde tudo se arquiva.

Mas dentro do próprio ensaio Edgar Martins lança questões a que não dá resposta e entra em algums contradições.

Was I fully aware of the context the work would be presented and understood in? Had this been previously communicated to me? Were my actions a gesture of provocation, exploitation of an unclear brief or naïve idealism? Was I aware of the ethics guidelines for journalists? Furthermore, do the constructions contribute to or invalidate the photo story?
I realize that this project and recent turn of events have raised many ideas well… about ideas and various other questions about boundaries and parameters.
However, I would like to clarify two important misconceptions.
I do not believe I have misrepresented The New York Times or the work I produced, moreover, my oeuvre…

Aqui EM faz as perguntas que todos gostariam de ver respondidas mas acaba por se desviar delas com uma ‘clarificação importante’ que acaba por não responder às perguntas que ele próprio coloca. Seriam apenas retóricas? Provavelmente…

Whilst my contractual arrangements with The New York Times have solicited much scrutiny and conjecture, of greater importance is the need to renegotiate the terms of the wider contract between author/newspaper/reader.

I recognize that when the contract between author/newspaper/reader is broken it negates the newspaper’s raison d’être and alienates its public.

Pura e simplesmente EM vê a necessidade de alterar um contrato mas dado que o mesmo ‘contrato’ ainda não está alterado, a sua quebra nega a razão de ser do próprio jornal e quebra a lealdade com o seu público, como ele próprio reconhece.

Pessoalmente acho esta explicação extremamente codificada e confusa e que continua a não dar respostas concretas a algumas questões que se levantaram inicialmente e que continuam a aguardar uma resposta. Lançar para o público uma prosa filosófica, com citações de autores reconhecidos não é suficiente; no meu entendimento seria preferível (e talvez mais razoável) Edgar Martins explicar-se de outra forma, utilizando as suas próprias palavras com um resultado final que se pudesse entender. Assim temos um ensaio enfatizado e sem sentido nenhum mas talvez seja esse exactamente o seu propósito…


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