04
Set
09

O transporte de obras de arte via CTT.

Sou um comprador online com alguma experiência e gosto sobretudo de comprar livros e ultimamente fotografia através do site 20×200. Esta experiência de comprar obras fotograficas online tem corrido sem surpresas nem reclamações. Até hoje. De facto hoje recebi uma fotografia enviada por esta empresa em 28 de Julho desde os EUA ou seja há qualquer coisa como mês e uma semana, inquirida a 20×200 sobre a demora fui questionado em 12 de Agosto se já a tinha recebido, respondi prontamente que sabia que a mesma já se encontrava na alfândega portuguesa e que seria uma questão de dias até chegar às minhas mãos. E ao final deste período chega finalmente a fotografia – uma das mais interessantes publicadas pela 20×200 [Orb 3 (Blue Lagoon, Reykjavik, Iceland)] e deparo-me com o desastre total, conforme imagem abaixo. A embalagem dobrada já fazia temer o pior mas como não fui eu que a recepcionei não pude no acto de entrega fazer qualquer reparo. Abri de imediato a embalagem de cartão e deparo-me com a fotografia com duas dobras marcadamente visíveis e, pior ainda, na inspecção do conteúdo da embalagem o funcionário da alfândega retirou a fotografia da sua capa protectora de plástico e ao introduzi-la novamente colou com fita cola, e ao fechar a embalagem, ambas as peças: fotografia e capa plástica.
Face aos factos decidi de imediato reclamar junto dos serviços responsáveis: CTT e DGAIEC. Como considerei que a embalagem onde a 20×200 enviou a fotografia em causa não era suficientemente resistente e muito abaixo dos padrões normais de embalagem desta empresa, onde diga-se em abono da verdade as embalagens têm evoluído muito favoravelmente mas este deslize é imperdoável a quem cobra 35USD pelos portes e embalagem, decidi reclamar também junto desta empresa.

Se o incidente não me retirou vontade de continuar a comprar pelo menos refreou a vontade imediata de o fazer até ao cabal esclarecimento das reclamações. Não adianta devolverem-me ou oferecerem-me uma nova impressão se a empresa continuar a não dar a merecida atenção às embalagens, em relação às reclamações junto das entidades portuguesas pouca ou nenhuma esperança tenho de resposta ou de resposta satisfatória.
E a questão principal nem é monetária, se bem que 77€ (foto+portes+alfândega) não sejam trocos, é a questão de saber que posso continuar a confiar nas empresas envolvidas; em quem envia que envie em condições, quem verifica e cobras taxas alfandegárias que o faça sem destruir o que verifica e quem transporta que não trate tudo o que lhes colocam nas mãos como sacos de cimento.

Fica aqui a imagem da fotografia nitidamente vincada.20x200 1Caso tenham interesse depois do salto estão as cópias das reclamações às entidades portuguesas.

Cópia da reclamação enviada à Direcção Geral das Alfândegas:

Exmo Dr. Jaime António das Neves Palhota

Hoje vivemos num mundo globalizado que nos permite à distância de um toque de rato efectuar compras em todo o mundo. Um pouco por todo o lado os correios e serviços de alfândegas adaptaram-se a esta nova realidade; no entanto em Portugal parece que ainda não é assim.

De facto hoje recebi uma encomenda postal dos EUA que continha dentro uma fotografia de edição limitada, e junto envio cópia da guia dos vossos serviços para melhor identificação, cujo valor transcende em muito o valor material da mesma. Apesar de todos os cuidados na embalagem e nos autocolantes que informam que dentro segue uma obra de arte, o manuseamento e respectivo transporte parecem-me, e desculpar-me-á a honestidade, dignos de um serviço de terceiro mundo. Não contentes com a abertura da embalagem – procedimento que não discuto nem recuso – para verificação, o manuseamento da fotografia foi um desastre total: apesar de vir dentro de um plástico que permite ver a o seu conteúdo, a pessoa que efectuou o serviço retirou a mesma de dentro desse invólucro e decidiu depois fechar todo às três pancadas, o que resultou na colagem do plástico à fotografia com fita cola, um desastre total, de uma incúria a toda a prova e falta de inteligência. Mais, a embalagem de cartão nem correctamente estava fechada quando tem abas que lhe permite ser fechada como um envelope, nem isso foram capazes de fazer de maneira correcta. Por isso a fita autocolante que permite o seu correcto fecho estava agarrada à embalagem de plástico e à fotografia. Digo-lhe que nunca vi tamanho desrespeito pela obra de uma artista e tenho uns anos como comprador online.

Mas a saga não termina aqui, o transporte foi outro desastre, objecto de reclamação já junto dos CTT, o que transformou uma desagradável surpresa numa frustrante experiência. Além da embalagem vir no estado relatado ainda tiveram a coragem de dobrar uma embalagem que diz expressamente que transporta uma obra de arte e que como tal não pode ser dobrada.

Reconheço que compro arte via correios por minha conta e risco mas a imagem que situações destas dão do nosso país levam por exemplo que algumas galerias já não vendam através dos correios para Portugal dado os riscos das obras de se degradarem no manuseamento na alfândega. É impossível explicar a um fotógrafo que no manuseamento de uma fotografia sua alguém na alfândega portuguesa o fez sem ter o cuidado de lavar as mãos tendo deixado dedadas carregadas nas fotografias, e como lhe explicar que ninguém se responsabiliza? E como lhe explicar que as obras estão em tal estado que não permite a sua exposição e venda e que 400 ou 500€ foram para o balde do lixo?

Se acha que os seus funcionários precisam de formação de como manusear obras de arte existem no mercado pessoas especializadas nesse campo e que dão formação, seria um óptimo investimento para evitar este tipo de situações.

Gostaria de ouvir desse serviço uma explicação, um pequeno pedido de desculpas mas sobretudo a certeza de que situações absurdas destas não voltam a acontecer, isso para mim seria uma excelente notícia. Não espero que me paguem a fotografia, embora com toda a justiça esse serviço e os CTT o devessem fazer em nome de uma certa dignidade institucional que não pactua com erros grosseiros e deste calibre mas como vivemos em Portugal seria pedir o impossível. E tenho para mim a certeza de que os responsáveis pelo ‘massacre’ da fotografia, nesse serviço e no transporte, não terão o devido aviso e repreensão.

Com os melhores cumprimentos,

Mário Venda Nova

Cópia da reclamação enviada aos CTT:

Boa tarde,

Acabo de receber uma encomenda internacional através dos vossos serviços expresso, a referida encomenda acompanha o recibo 32456.

O que me leva a a contactar os vossos serviços é a forma desastrada e incompetente como estas encomendas são tratadas e transportadas. Já não é, infelizmente, a primeira vez que no âmbito profissional me vejo confrontado com rolos de cartazes que vêm de Lisboa chegarem completamente destruídos a ponto de ter que ser substituídos por novos. Desta vez a encomenda em causa, uma fotografia, vem dobrada o que automaticamente a destrói como objecto de arte que deveria ser. É absolutamente atroz o tratamento dado a estes objectos quando no seu exterior vem uma menção de que é uma fotografia e que a embalagem não pode ser dobrada, o desprezo dado à encomenda não poderia ser maior e por conseguinte o desprezo pelo cliente também não poderia ser maior.
A agravar a situação temos o facto de a fotografia em causa ser uma obra numerada e que não poder ser substituída, excepto pela compra de uma nova, ou seja os vossos serviços causaram-me um prejuízo directo de 85USD acrescidos de 17.73€ de custos de alfândega. Se acham esta situação normal e aceitável isso dirá muito sobre a qualidade que pretendem incutir nos vossos serviços.

Assim solicito que me informem dos procedimentos a adoptar neste caso com a maior brevidade.
Mais informo que desta reclamação seguiu cópia para a empresa que enviou a encomenda nos EUA (só lamento a imagem que este tipo de situação cria do nosso país).

Com os melhores cumprimentos,

mário venda nova.


10 Responses to “O transporte de obras de arte via CTT.”


  1. Setembro 7, 2009 às 11:46 am

    Boa sorte com a tua reclamação…

    Eu tenho uma reclamação recente (duas semanas) sem resposta e não espero de todo que respondam. Desta vez foi um livro que voltou de novo à livraria, na Alemanha, supostamente porque a morada não existia. A livraria confirmou comigo a morada e estava correcta. Voltou a enviar (pagou 20€ adicionais), sem alterar absolutamente nada, e acabou por chegar.

    Já tenho um loooongo historial de reclamações nos CTT e nunca tive uma única resposta, nem mesmo depois de solicitar várias vezes o estado da reclamação. NUNCA tive uma única resposta e os problemas são sempre diferente e por vezes absurdos.

    Mesmo quando falo com alguém directamente por telefone para explicar, não chego a lado nenhum. O cepo é um espécime em abundância e os CTT são mais um dos ecossistemas onde eles proliferam.

  2. Setembro 7, 2009 às 5:37 pm

    Esse mail também eu recebi e, duas semanas depois, voltei a mandar um novo. Disseram que assim que souberem dizem. Sim sim. Pois pois. Hmmm Hmmm. Como todos os outros.

  3. Setembro 9, 2009 às 10:09 pm

    É uma questão estatística, mais cedo ou mais tarde há algo que desaparece ou estraga-se. Em termos de fornecedores, nunca tive problemas, excepto com as fotografias do Jim Brandenburg, danificadas na alfândega — eles tiveram alguma culpa e nunca o reconheceram. Reclamações nos CTT é para esquecer.
    Na livraria, já enviei milhares e milhares de livros via CTT e é raro haver problemas (ou seja, estou muito satisfeito). Quando há, fazemos como a Amazon, nem discutimos. A culpa pode não ser nossa, mas do cliente é que não é.

    • Setembro 10, 2009 às 6:57 pm

      Desta vez acho que vou resolver o assunto dado que a 20×200 me vai substituir a fotografia por uma nova dado que reconhecem que a embalagem poderia estar melhor e pelos vistos não fui o único a reclamar.
      Quanto ao resto quero ver no que vai dar a reclamação, afinal serve ou não reclamar?

  4. Outubro 29, 2009 às 1:12 pm

    Então é por isso que agora a 20×200 tem um autocolante difícil de ignorar, que diz: DO NOT BEND!

    • Outubro 29, 2009 às 3:41 pm

      Pedro, esse autocolante já é colocado nas embalagens da 20×200 há já algum tempo, aliás a minha encomenda vinha com esse autocolante. No entanto reforçaram as embalagens que agora devem ser à prova de trogloditas :)


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