02
Nov
09

De tanto pensar, a minha inspiração acabou…

Têm sido dias calmos aqui no blogue, feitos há medida de um tempo que custa a passar. Mas não foi isso que me levou a escrever este artigo mas sim o trabalho, o trabalho fotográfico.
Trabalhar como comissário na galeria Colorfoto tem sido fantástico mas também tem servido para colocar o meu próprio trabalho em perspectiva e questionar métodos de trabalho em fotografia. E se calhar voltamos ao meu tema favorito: objectivos. Objectivos qualitativos e quantitativos, claros, mensuráveis e realizáveis.

Sair para o campo sabendo o quê, como e porquê. Sobretudo para quê: um livro, uma exposição – individual ou colectiva, um concurso ou publicação. Sem isto claro na cabeça, fotografar porquê? Não falo de amadores mas de profissionais dos que não vivem da fotografia, semi-profissionais se quiserem melhor definição. Arrastar equipamento monte acima e abaixo, para fazer o que já foi feito milhares de centenas de vezes? Parece pouco e de facto é…
O que é hoje a fotografia de natureza? Como exprimir contemporaniedade num género tão cliché como a fotografia de natureza? Como não parecer tão século XIX, tão pictorialista ou tão ‘straight photography’? Desafios, desafios…

Desde já: não ler revistas/livros/sítios web dedicados em exclusivo à fotografia de natureza. Ler sobre fotografia, ver fotografia e comprar fotografia. Ler as revistas Aperture, C, Source ou Eyemazing. Ver exposições, onde quer que elas estejam, procurar, ver, apreciar, gostar ou não, analisar. Comprar impressões na Troika, na galeria Colorfoto ou na 20×200.
Ter prazer em folhear um livro de um fotógrafo que se desconhece, descobrir imagens de um género que não faz o nosso género, olhar e procurar ver o que está para além do olhar, descobrir o que faz uma boa fotografia.

Ver o Adams através do contexto, ver o Adams através de um olhar crítico, venerar o Adams por ter sido tão bom no seu tempo e ainda ser bom hoje. Olhar para o Adams como símbolo de um modelo que teve o seu tempo, que não pode ser transposto para o hoje sem que o ontem não venha agarrado a ele como uma segunda pele. Olhar para o Adams e perceber como trabalhava e porquê. Olhar para o Adams e perceber que perpetuar um tipo de imagem, de trabalho, não é homenagear é copiar. É entender que os Joy Division foram os Joy Division no seu tempo e que os Editors são apenas uma pálida imagem do que foram os Joy Divison, uma cópia sem sentido mais nenhum do que apenas fazer mais do mesmo na esperança de que ninguém dê conta de que a fórmula afinal de contas não é nova. Não me entendam mal, Adams e Joy Division foram geniais no seu tempo e as suas obras conseguem o raro feito de perdurarem no tempo como referências nos respectivos ramos da arte. Duvido é da pretensão de os fazer perdurar no tempo não através das suas obras mas através de uma criação que não consegue escapar a essas referências numa indulgência criativa que apenas as rumina constantemente numa atitude referencial em círculo fechado, estanque e em circuito fechado. E isso não significa nada de bom.

Talvez a solução esteja no kung fu. A arte Marcial? Não!, o conceito (wikipédia, em inglês). Eu explico mas não hoje. Hoje de tanto remoer isto a minha inspiração acabou e com ela acabou toda a minha fotografia como a conhecia até hoje…


8 Responses to “De tanto pensar, a minha inspiração acabou…”


  1. Novembro 3, 2009 às 8:55 pm

    hey take it easy on yourself!
    a arte é como se sabe altamente questionável e não há nenhuma resposta segura, certa ou errada. estás obviamente a desenvolver novas capacidades e um novo modo de ver a fotografia e isso é bom mas não te esqueças do prazer que tens a fotografar!
    Fotografia de natureza já foi feito? certamente, milhares de vezes até, mas não foi feito por ti! No cúmulo já tudo foi feito e isso não nos deve impedir de experimentar o que já foi feito e pesquisar novos caminhos, visões pessoais e sim, talvez tentar o kung fu. mas se não chegarmos ao kung fu ao menos que nos divirtamos!

    • Novembro 3, 2009 às 10:38 pm

      Mas isto não tem a ver directamente comigo mas também passa por aí. Eu falo em termos mais abrangentes, mais no abstracto do que em casos concretos :)
      Mas gostaria de ver mais projectos contemporâneos de natureza ou se quiseres uma actualização da fotografia de natureza (paisagem, vida selvagem, etc.) ao nosso tempo e às novas realidades. Era só isto e não é pouco mas eu sou um crente e talvez ainda venha a assistir à revolução que desejo na fotografia de natureza. Haja fé :)

  2. Novembro 4, 2009 às 11:47 pm

    Só tenho a acrescentar, Ler sobre arte, ver os diferentes géneros da arte e comprar (quem puder) arte.

  3. Novembro 5, 2009 às 6:41 pm

    E não é que também acho esse ponto muito interessante e acertado?! ;)


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