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Maio
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A história por trás da imagem

© mário venda nova / Nikon F3 + 28/f2.8 + Kodak Tri-X 400.

Desconstuir uma fotografia nunca é fácil mas mais difícil se torna se somos o autor da mesma.
Esta imagem foi captada no Porto, perto de Miguel Bombarda, e o que me atraiu logo para a imagem foram as camadas que a constituem. É uma montra de vidro e existe um plano atrás da montra e à frente, o plano de trás vê-se facilmente porque o vidro é transparente e deixa-nos ver até onde a cortina tapa a vista, o de frente é apenas imaginado através do reflexo na montra mas não deixa de ser materializado pelo próprio reflexo que lhe dá corpo. O relógio é um ponto focal importante da fotografia e a sua posição torna o resultado ainda mais enigmático e estranho.

Mas o conjunto é mais do isto, é a posição do relógio, a cortina fechada, os folhetos desarrumados no lambril, os cactos arrumados a um canto, o reflexo das árvores, o reflexo do carro, a sensação de abandono da montra (apesar de ser um café aberto todos os dias…), tem a magia própria do filme analógico, é tudo isto e a incerteza do que quisermos ver lá. É uma das minhas favoritas deste ano, da produção própria.

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8 Responses to “A história por trás da imagem”


  1. Maio 11, 2010 às 12:58 pm

    Gostei muito. A perspectiva da lente 28 é muito interessante. Pergunto-me onde estava o fotógrafo, uma vez que tinhas que estar perto.
    Eu teria cedido à tentação de dar um pouco mais de contraste na digitalização, mas talvez fosse desonesto. É difícil saber ao certo o que fazer com um negativo digitalizado, porque isso pode mudar algumas coisas.
    Abraço.
    ZM

  2. Maio 11, 2010 às 6:40 pm

    Olá.
    De facto adigitalização pode alterar bastante a fotografia e na minha modesta opinião maior contraste significa menos detalhe nas sombras – repara que a sombra na cortina ainda tem detalhe – mas neste tamanho também é difícil ver muito mais. A fotografia brilha numa boa impressão em papel Ilford Gold Fibre (o equivalente em inkjet do antigo barita de fibra)e a edição pensada para esse efeito mas num ecrã e numa dimensão maior (esta só tem 640px de largura) o filme analógico ainda tem uma magia fenomenal.
    Eu consegui ficar mesmo em frente à zona branca da cortina e por isso evitei o reflexo.
    Um abraço.
    (ps. gostei do teu trabalho na universidade dos Açores)

  3. Maio 11, 2010 às 11:54 pm

    Gostei muito. Boa malha.

  4. Maio 12, 2010 às 11:13 pm

    Tenho cá uma Nikon F801s e uma lente 50mm 1,4 que estou a pensar começar a utilizar com essa perspectiva. O problema pode ser a revelação, nesta espécie de fim-de-mundo em que moro agora. Veremos.
    Abraço.
    ZM

    • Maio 13, 2010 às 5:42 pm

      Uma F801s…
      Uma das minhas máquinas favoritas :) Eu tenho a irmã mais pequena a F601. E que filmes estás a pensar usar?
      Abraço.

      • Maio 14, 2010 às 10:25 pm

        Qualquer coisa 400, para ser versátil. PB, claro.
        Ando a investigar a possibilidade de revelar em casa, já que não preciso de nenhum equipamento especial. Sempre me sai mais barato e mais rápido do que tentar revelar numa loja.
        Tens alguma experiência nesta matéria? Tens conselhos para me dar?
        Um abraço.
        PS: não sei se alguma vez te disse que comprei mesmo um Panda, mas o meu só tem tracção à frente. Adoro o carro.

      • Maio 14, 2010 às 11:08 pm

        400? Tri-x, TMax ou Ilford neste momento, o meu favorito pessoal é há muitos anos o Tri-X 400 da Kodak, gosto do grão do filme, do contraste e gosto particularmente dele puxado a 800 Asa que fica bestial, o grão é enorme, o contraste sobe mas é algo que gosto visualmente. Nunca me ‘encontrei’ verdadeiramente com os Ilford se bem que haja gente a tecer laudas aos filmes da marca. Fuji é outra boa opção, o Acros 100 é muito, mas mesmo muito bom.

        Panda? Estou um pouco descontente com o meu…A qualidade de construção é fraca, o ar condicionado já pifou – está em teste de fugas – um esguicho do pára-brisa idem, os plásticos de protecção estão a soltar-se, tem barulhos dignos de uma filarmónica, é lento que mete dó, no monte trepa tudo desde que seja em 1ª velocidade e aí bebe algo como 9lt/100km… Para estradões em terra batida mais duros é bom e bebe cerca de 5,4lt/100km, coisa que num carro normal nem circulas. Mas no 4×4 mais atrevido esquece.


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