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Pequenas notas no regresso de férias

Regresso ao trabalho lentamente após duas semanas de férias, custa sempre voltar às rotinas diárias. Mas como nada se faz sem trabalho…
Durante este período organizei mentalmente algumas questões que precisavam de ser tratadas e fui-me preparando para as tratar. A saber:

Fotografia
Após a aquisição de várias máquinas analógicas comecei a recuperar o prazer e a vontade de fotografar em suporte filme – cores e p&b. É como ter uma máquina de sensor intermutável à disposição; não é barato é certo mas é outro ritmo e outro método de trabalho e não é comparável ao trabalho com máquinas digitais.
Uma das possibilidades aberta por estas ferramentas é a diversidade enorme – para os tempos digitais que correm, entenda-se – de suportes em filme e isso cria-me a vontade de em cada projecto de trabalhar em suportes distintos, vários tipos de filme: p&b, slide, negativo cor e Polaroid. Isto não quer dizer que abandonei o suporte digital, antes pelo contrário, mas cada coisa no seu lugar e neste momento sinto que há lugar para o filme na minha fotografia.

Projectos
Percebi que cerca de 4.000 fotografias que fiz durante dois anos em Bertiandos estavam paradas à cerca de um ano há espera de uma solução. Bem não vão esperar mais. Depois de as desanexar de um outro projecto mais abrangente (e que denominei Natureza 2006-2009), criei novo projecto e anexei-as. Comecei já a selecção daquelas que melhor se adaptam a este projecto e aos seus objectivos e vou passar para a edição logo que possível. Como habitual foi criado um novo fotoblogue – ainda não visível – para depois começar a publicar. No final seleciono as melhores para o site.
Acrescento que neste projecto já vai ser possível ver alguma da diversidade que anunciei na alínea anterior.

iTunes
Ando bastante atrasado na colocação de discos em CD, na classificação de milhares de músicas bem como na digitalização de capas em falta. Aproveitei alguns dos dias de férias para pôr esse trabalho em dia e já começa a estar quase em dia. Neste momento tenho a colecção de CD quase toda no iTunes em 320kbps com alguns em 256kbps, faltam ainda várias capas e o scanner não tem parado.
Falta-me resolver um problema: como digitalizar largas centenas de discos em vinil. Aceitam-se sugestões…
Com o I Love Stars a tarefa de classificar as músicas ficou substancialmente facilitada (via Quinta do Sargaçal).

Carro
Esta de facto até para mim foi uma surpresa mas não deveria ter sido. Estou habituado a trocar de carro a cada seis a oito anos, por isso estar a equacionar uma troca de viatura ao fim de três foi, conforme disse, uma surpresa. Mas não deveria ter sido e explico porquê.
O Panda que por cá anda – anda é um eufemismo – começa a ser uma pequena dor de cabeça e todos sabem por experiência com as dores de cabeça não matam mas moem.
Tenho para mim que o Panda não é um carro mau mas não é de longe o carro que preciso; citadino com tracção 4×4 permanente que lhe permite fazer estradões de terra batida em total segurança e pouco mais, tem um defeito enorme nas suas capacidades que lhe advêm do atrás descrito: não é carne nem peixe. Na cidade é muito lento e não está de todo adaptado para viagens longas que são um verdadeiro desespero neste carro, a pouca potência do motor aliada ao 4×4 permanente fazem com que o carro se arraste literalmente pelas auto-estradas a pouco mais de 100km/h em plano, se for a subir esqueçam ir a mais de 70-80kmh. Pode subir com maior velocidade mas em esforço total do motor. Subidas íngremes – alcatroadas entenda-se – como muitas que existem no nosso Minho são um tormento, só sobe à força de 1ª e 2ª, um desespero. Mala pequena para viagens longas, o que obriga a rebaixar os bancos traseiro e/ou a viajar com malas em cimas dos mesmos. Todo o terreno? Mais uma vez à força de 1ª e 2ª e rezar para que o terreno não esteja em más condições.
O barulho parasita dos plásticos e tudo o mais que pode chocalhar no carro: vidros, mala, encostos de cabeça, tudo mas mesmo tudo vibra brutalmente neste carro, é por demais.
Existe algo onde o carro brilha: no consumo. E a forma como se agarra à estrada. Em cidade consome 6lt/100 – muito dirão alguns mas lembrem-se do 4×4 permanente -, em estrada pouco mais de 5.2lt/100. E agarra-se como uma lapa à estrada em qualquer condição, chuva, neve, areia, gelo, nada assusta o pequeno Panda. Mas no geral tem sido uma experiência menos boa que provavelmente irá ditar a substituição do carro num prazo curto. Neste momento procuro alternativas…

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7 Responses to “Pequenas notas no regresso de férias”


  1. Junho 28, 2010 às 8:53 am

    Eu também ando a fotografar em slide e em PB. O meu objectivo é revelar o PB, mas ainda não tenho o “kit” de revelação.
    Quanto ao Panda, como sabes, tenho um por influência tua. Só que o meu não é 4×4 e estou muito satisfeito com ele. Eu faço 5L/100 em média, ou seja, em estrada farei menos do que isso. É verdade que é lento e pequenito. Velocidade, não preciso, porque não há cá auto estradas. Quanto ao espaço, resolvi o problema com uma excelente mala da Thule no tejadilho. Dá um jeito para percorrer as ruelas apertadas e para estacionar em qualquer parte. Não o trocava por nada. O meu (ainda) não tem ruídos.
    Abraço.
    ZM

    • Junho 28, 2010 às 6:47 pm

      Zé Maria,

      estou-me a divertir bastante com a re-descoberta da fotografia analógica.
      Panda: os meus encostos de cabeça vibram tanto a baixas rotações que já pedi para mos arranjarem duas vezes sem sucesso. Solução: desmontar, desfardar os bancos e trocar os apoios; dada o custo provável da reparação desisiti embora tentem sempre uma solução cada vez que falo no assunto…
      Vidros das portas, não há um que não vibre. O depósito de combustível vinha mal encaixado e após uns largos quilómetros foi necessário desmontar e montar de novo para evitar que ao atestar ele vazasse para fora…O travão de mão de vez em quando lembra-se de se soltar e é preciso ir afinar…

      O problema do meu agrava-se porque tem uso 4×4 e aí tudo se acentua, tudo se faz mas a uma velocidade de caracol. Solução Fiat: reprogramar a centralina para 100cv, custo: 500€ + iva. Aliás se quiseres usar o carro a sério em 4×4 os extras que precisas são extensos: suspensão, pneus, reforço da direcção, reforço da embraiagem (muita pouca gente sabe que o Panda 4×4 em uso 4×4 gasta a embraiagem como um doido e é vê-los nos fóruns a anunciar nova kit de 15.000 em 15.000 kms…), etc.

      É mau carro? Não sei, acho que depende muito do uso que lhes dês. Se vais para a serra como eu e fazes muita estrada de montanha com três/quatro pessoas lá dentro acho que é carro a evitar. Se fazes cidade com a ocasional estrada de terra batida no Verão então é o carro a comprar.

  2. Julho 1, 2010 às 3:28 pm

    Viva, Mário

    É interessante saber que sente o mesmo que eu, ou seja, a necessidade de voltar ao P&B na integra, e meter a mão na massa… a começar pela máquina analógica. Isto porque entre o captar a acção e o momento da grande revelaçao “mágica” da passagem pelo nitrato de prata ainda a noite é uma criança. Eu penso que já teve o prazer de passar por todo este processo, porque quem não viu ou esteve lá perto, não faz ideia do gozo que isto dá. É isso mesmo, a semana passada pensei …porque não comprar antes uma 1-D ( 2ª mão) e começar a remontar os meus projectos, que tb passam pela fotografia da natureza, incluindo “Landscapes e Seascapes” c/ longas exposições e voltar a fazer os filmes e depois mandar imprimir num formato maior.
    Confesso que sou um grande apaixonado pelo P&B.

    Bom regresso e um abraço.
    JM.

  3. Julho 4, 2010 às 6:04 pm

    Olá Jaime,

    Eu confesso-me muito pouco adepto do laboratório aviso desde já. Respeito muito quem o faz mas sem espaço e técnica prefiro deixar essa tarefa para quem sabe. Hoje disparar um filme a p&b é quase um anacronismo mas ainda existem alguns resistentes, acho que a técnica analógica tem ainda um percurso a fazer e com a tecnologia de scanners à nossa disposição se podem fazer trabalhos muito interessantes. Continue!

  4. 5 luis carolino
    Agosto 10, 2010 às 11:00 pm

    Olá Mário Venda Nova
    Não o conheço, mas tomo a liberdade de lhe enviar estas plavras, pois temos dois gostos iguais: fotografia e Fiat Panda.Na fotografia sou um amador,muito longe do seu traquejo, que se percebe pela sua descrição e dos seus amigos, mas fotografo muito, para gozo pessoal. Quanto ao Panda, tenho agora o 2ºdesde há dois anos e está agora com 50.000Km. Nunca me deu qualquer problema, tem os mesmos pneus, que penso aguentar ainda mais 10.000Km pois tem o rasto ainda bom. As médias de gasóleo são dessa ordem 5,3 lt aos 100, entre autoestrada, pára arranca para Lisboa e ás vezes todo o terreno. Há dias com amigos com jipes Toyota, Land Rover e Mitsubishi, fui pelos mesmos trilhos e que trilhos !!!!para a Lagoa de Albufeira e nunca se negou nem precisou de ajuda.
    Na auto estrada vai com facilidade aos 150 Km/h e subo a rampa de Monsanto em 5ª, se o embalar cá em baixo, claro.
    Como sabe o Panda é o carro pequeno mais vendido na Europa, mas aqui não, o que me espanta, sendo nós um país de pelintras, mas enfim, somos demasiado cagões para “carritos daqueles”.
    Penso que nós os que usamos Panda, somos pessoas de “Bom Gosto”.
    Não o maço mais. Devo dizer-lhe que acho que escreve bem, tem uma capacidade descritiva fabulosa.
    Os melhores cumprimentos
    Luis Carolino

    • Agosto 11, 2010 às 7:19 pm

      Olá Luís,

      obrigado pela passagem por aqui e pelo comentário.

      Panda: o meu não passa dos 130 kmh na autoestrada e com alguma boa vontade e a descer. No monte faz muita coisa que espanta muita gente mas nas serras cá da zona com subidas íngremes o Panda está como peixe fora de água. Sei que muita gente o usa para TT mas também sei que as substituições de material acontecem com alguma frequência – embraiagem é o caso mais comum para quem faz uso dele em TT. Não é mau carro atenção mas padece dos males dos SUV – Nissan Qashqai, Toyota Urban Note, etc.: não brilham em TT pela simples razão de que não foram talhados para tal. E é impossível transportar quatro pessoas com conforto numa viagem longa para ir fotografar e muito menos conseguir atravessar uma serra com essas quatro pessoas dentro. Acho que a Fiat cometeu um pequeno erro no carro e era suficiente a marca ter metido o motor 1.9 JTD que metia no pequeno Lancia Musa (que é igual ao Fiat Idea, ambos com o tamanho aproximado do Panda) para termos um vencedor. Acaba por ser uma questão de matemática: 145 nm de binário é muito pouco para um carro de tracção permanente.

      Mas é uma filosofia de vida com a qual me identifico: ter mais por menos. Para quê um Defender se podemos ter um Panda? É evidente que essa pergunta já me passou pela ideia e tenho um fascínio especial pelo pequeno Panda e pela sua atitude mas no final e feitas as contas é um carro curto para as tarefas que descrevi. Ainda há um mês fui confrontado com essa falta de “músculo” quando subi a estrada (alcatroada) para o cimo da Serra de Arga, com muita dificuldade lá subiu, mais uma vez à custa da 2ª velocidade porque nem a 3ª aguentava e a isso Luís não há charme que resista.

      Muito obrigado pelo elogio e espero que volte, até para contar e mostrar as peripécias com o seu Panda. Não maça absolutamente nada!

      Cumprimentos.


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