26
Ago
10

Em busca do tempo perdido

O Rui magoou-se. Isto podia ser o início de uma pequena história, o relato de um jogo de futebol entre amigos, um incidente próximo que deixou marcas mas não, é apenas isso, o Rui magoou-se.
Mas o que começou por ser uma constatação acabou por ser uma reflexão sobre o tempo que nos foge a partir de uma certa idade (no nosso caso os quarenta) e cuja recuperação é, a partir dessa certa idade, quase impossível de recuperar. E essa reflexão levou-me a olhar para a forma como tenho gasto o tempo nestes últimos meses…

Olhando em retrospectiva 2010 foi (vai ser…) um ano quase perdido e por várias razões. É possível que consiga enumerar grande parte delas porque em abono da verdade elas estiveram sempre presentes. Olhando para trás não é difícil de ver que em vários domínios – desde a fotografia aos tempos livres – as desculpas foram-se acumulando para nada ser feito, sempre na perspectiva que não há nada urgente que não possa esperar uns dias ou uns meses ou até uns anos…
Acho que não estou muito longe da verdade se afirmar que saí pouco mais do que meia-dúzia de vezes para fotografar, o que é extremamente curto para quem tem em mãos três ou quatro projectos para concretizar, as razões são várias desde o trabalho na galeria Colorfoto passando pela perguiça pura e dura até ao facto de ter tido algumas dificuldades em os concretizar. Concretamente pouco foi feito e equipamento não falta cá por casa mas é um facto que a vontade não abundou, uma vez instalada a perguiça é um bicho difícil de controlar.

Em termos pessoais as coisas não têm sido muito diferentes e já nem me lembro quando foi a última vez que pôs os pés no CPF, um ritual habitual cá por casa sempre que novas exposições iam aparecendo na Cadeia da Relação. Livros por ler, fotos por catalogar e arquivar, discos para ouvir, DVD’s acumulados, uma lista infindável de coisas para fazer, viajens para percorrer, sítios para ver, projectos para fazer…

Depois de cair num certo estado de torpor torna-se complicado de lá sair sem abanar os hábitos de adiar tudo e mais alguma coisa por dá cá aquela palha. Mas aos quarenta anos torna-se a cada dia que passa mais difícil de recuperar esse tempo, aos vinte o tempo sobra mas chegados a esta idade cada dia que passa e que desperdiçamos são 24 horas que não retornam. E a energia vai faltando, a recuperação depois de uma caminhada de dez quilómetros já não é a mesma que aos vinte anos, são inevitabilidades da passagem do tempo. Neste ano perdi parte da forma que me permitia caminhar alguns quilómetros durante a semana, engordei uns quilos (nada preocupante, era magro demais) e alguma da roupa de montanhismo deixou de me servir, fica a Decathlon a ganhar. As botas pesam-me e qualquer saco fotográfico parece pesado de mais; nestes assuntos a idade não perdoa.
A tentação a evitar é a mesma em qualquer tarefa que se nos impõe: nunca adiar. Começar a dieta na segunda-feira, deixar de fumar a partir da próxima semana, deixar de comer carne vermelha em 2011, etc. E assim em busca do tempo perdido decidi recuperar o possível num espaço curto de tempo, a ver vamos se consigo manter esse espírito renovador…


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