Archive for the 'sobre o mundo/natureza' Category

05
Maio
11

Nigel Marsh

(via Arrumário)

Uma palestra bastante interessante e divertida sobre o equilíbrio entre o emprego e a família. Nigel Marsh é autor de vários livros sobre o assunto e tem uma perspectiva bastante própria sobre o que escreve, aos 40 anos foi confrontado com o desemprego após se ter mudado para a Austrália com a família e durante um ano viveu em pleno a relação com a mulher e os filhos mas como o próprio admite é fácil ter tempo para a família quando não se tem emprego – a parte pior é o facto de também não ter dinheiro. São dez minutos bem passados e recomendo este vídeo.
Acho bastante lúcida a sua conclusão de que as grandes empresas não se preocupam com os seus empregados, preocupam-se com o lucro, mesmo aquelas que dizem que o fazem.

10
Abr
11

Um país falido…

Pela segunda vez num curto espaço de tempo interrompo uma curta pausa aqui no blogue para escrever sobre o tsunami económico que desta vez se prepara para se abater sobre Portugal. A primeira vez foi em 11/11/2010 num artigo intitulado “um país à espera de falir…” onde, sumariamente, expliquei para onde nos levava o caminho que estava a ser trilhado economicamente: a falência. Hoje cinco meses depois é exactamente aí que nos encontramos, na bancarrota, no descrédito total e de mão estendida aos nossos parceiros da Europa.

Depois do bailout à Grécia e à Irlanda e respectivos pacotes de ajuda desenganem-se aqueles que acham que vamos apenas passar um mau bocado e que nos safamos ao PEC IV, o presidente da Ecofin já declarou que as medidas a adoptar serão piores que esse PEC. As notícias no ar já anunciam um pequeno desastre, as campanhas de “saldos” de imóveis pela banca é uma mas os recados de Bruxelas são óbvios: Portugal vai ter que apertar dolorosamente o cinto. Mas o que temos pela frente e como chegamos aqui?

1) Começo pelo fim: chegamos aqui pela incomptetência pura de não conseguirmos controlar um estado que tudo consome, que suga a economia, um estado cujo tamanho e apetite é colossal. Mas também pela incapacidade de gerir as nossas vidas particulares, de deixarmos de lado hábitos de poupança, um exemplo talves para se relativizar isto: por cada 100€ que um português pede emprestado, 87€ vêm de fora, ou seja apenas 13€ são provenientes das poupanças dos portugueses. Número esmagador e brutal, 87€ em cada 100€, é um espanto como isto não descarrilou mais cedo. Deixamos de lado hábitos de cidadania como o voto – a abstenção nas últimas eleições presidênciais é demonstrativa disso: 57% – e em consequência perdemos qualidade de governação, preferimos os paraísos tropicais por troca de qualidade de vida (lembro-me de há cerca de cinco anos a SIC ter entrevistado alguém em plena praia no Brasil e às tantas o entrevistador, com a crise em pano de fundo, pergunta como o entrevistado tinha dinheiro para pagar as férias, resposta pronta: quando chegar a casa não pago a luz ou a água, logo se vê, agora quero é estar aqui), preferimos ser pobres mas com carro e casa cujas prestações nos esganam e nos empurram para as compras com o cartãozinho de crédito.
A notícia que refiro acima de que os bancos estão a saldar as suas carteiras de imóveis é o sinal de que estamos com um sub-prime cá e que muito do nosso crescimento foi à custa (e isto não é só um mal português) de uma bolha de imobiliário que se prepara para rebentar. Cobrir o país de betão e alcatrão foi giro por uns tempos mas a factura chegou e tem data de pagamento apertada. É também sinal de outro problema: que se calhar o crédito mal-parado tem sido mascarado à custa da incorporação dos imóveis nas carteiras de activos dos bancos, em vez do cliente entrar em default puro o banco compra-lhe a casa pelo preço da dívida e assim o banco livra-se tecnicamente do default do cliente e este livra-se da casa que não pode pagar nem consegue vender. Imaginem isto multiplicado à escala nacional e façam contas do que isto vai fazer ao mercado imobiliário…
Um estado papão, de compadrios e jobs for the boys, de ex-ministros que depois de deixarem o governo são admitidos em empresas com que realizaram contractos enquanto ministros, auto-estradas essenciais para circularem cerca de 20 veículos por dia, um sem fim de loucuras financeiras, as PPP que mais não são do que pôr os contribuintes todos a pagar por algo que apenas os utilizadores deveriam pagar e feitas à medida de trâfego/número de doentes/passageiros absolutamente irreais e que o nosso estado aceita sem reclamar, sem discutir, sem negociar…
E depois disto tudo o surrealismo supremo: eleições. No estado em que já estavamos o timing foi absolutamente estúpido. Entenda-se que depois do PEC IV até ao V seria apenas uma questão de tempo mas seria tempo que se ganhava sem dar esta triste sensação de que neste país se faz juz ao ditado que “em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão”. Nas horas a seguir ao chumbo do PEC ler a imprensa estrangeira foi confrangedor, ficamos carimbados como uma cambada de lunáticos que em vez de resolver os problemas andam à chapada uns aos outros. Estes portugueses são loucos diria o Astérix.

2) Para onde vamos? Arrisco que para um pântano de onde vamos demorar anos a sair, atolados de dívidas (números não-oficiais estimam que a dívida combinada estado/particulares já está nos 125 a 130% do PIB), com a economia em recessão e a não conseguir criar empregos, impostos altos, euribor a subir, tudo somado para transformar, na melhor das hipóteses, os próximos anos num pequeno inferno. Na terça-feira chega cá a primeira comitiva FMI/EU/BCE para avaliar o real estado das nossas finanças públicas que irá avaliar como e onde se vai cortar e quanto. Talvez seja da minha natureza pessimista mas acho que vamos por um caminho em tudo idêntico ao da Grécia: cortes imediatos de 10 a 15% nos salários na função pública (e se isto não “corrigir” daqui a uma ano serão as empresas privadas a fazer o mesmo para sobreviver), não pagamento do subsídio de férias e/ou natal, despedimento de alguns funcionários públicos, extinção de serviços, nomeadamente autarquias e juntas de freguesia, levando ao emagrecimento do estado e ao pagamento das nossas dívidas aos nossos credores. É isso que eles vêm cá fazer: assegurar aos nossos credores que vão receber, esqueçam tudo o resto, isso é o seu ponto focal, o seu objectivo, o de que Portugal vai honrar os compromissos que tem. Não trazem soluções para a economia crescer, não trazem empregos, impostos mais baixos nem combustíveis mais baratos, nada disso, trazem na mala dinheiro para pagarmos compromissos já assumidos e a assumir, a juros mais baixos e em troca querem medidas que assegurem que vão receber o seu investimento de volta. Vão tentar evitar por todos os meios uma reestruturação da dívida e que os credores recebam os juros chorudos que nos têm cobrado, ao mesmo tempo o FMI dá como dado adquirido a falência de Portugal e ada Grécia. É engraçado (de uma forma triste) perceber que vamos saltar da frigideira para o fogo e que estamos sem outras opções…
Lojas vão fechar às catadupas, empresas vão falir, mais empregos vão desaparecer, o imobiliário vai entrar em colapso e os bancos vão passar um mau bocado. O dinheiro fácil acabou, a torneira fechou e só vai abrir para empresas sólidas com projectos viáveis. As empresas mais pequenas e com pior rating vão passar um mau bocado porque ninguém lhes vai financiar projectos e se financiarem será a preços incomportáveis. A festa acabou e de forma abrupta e brutal, no final desta operação de resgate vai existir uma geração, repito uma geração, que nunca conheceu um emprego estável, um ordenado compatível com a sua educação, uma vida normal e estável. Daqui a dez anos, no final desta crise, a geração que estará com a idade compreendida entre os 35 a 45 anos nunca teve o que a geração que hoje tem essa idade teve e isso é o mais trágico disto tudo, o desperdiçar de energias de uma geração inteira que estará eternamente à rasca, sempre no desenrasca, no fio da navalha, na insegurança e na esperança de um amanhã melhor que nunca lhes vamos conseguir proporcionar. Trágico.

Porém nem tudo é mau e depois desta travessia que nos aguarda temos uma tela em branco que só de nós depende como vai ser pintada: novamente em tons escuros ou desta vez em tons mais luminosos. Depende de nós encontra soluções que nos permitam crescer sustentavelmente, com rigor e com investimento em áreas produtivas e com capacidade de serem vendidas em contrapartida ao imobiliário, que a justiça seja finalmente justa e célere, que os impostos sejam equitativos, baixos e rigorosos, que esses impostos sejam empregues ao serviço de quem os paga e não ao serviço de quem paga as campanhas eleitorais, mas sobretudo uma política fiscal com planos a dez anos de forma às empresas poderem conhecer o que o futuro lhes reserva. Aos particulares pede-se o mesmo rigor, o mesmo planeamento de gastos e de produção que se pede ao estado. Se conseguirmos cumprir isto tudo já não era mau e os nossos sacrifícios teriam servido de alguma coisa. Algo me diz, o meu pessimismo de certeza, que depois dos três anos em vamos ter ajuda do FMI/EU vamos ter mais do mesmo, de crise em crise até a um novo bailout… Em 37 anos de democracia este é o terceiro bailout em que nos encontramos e isso quer dizer muito sobre os nossos hábitos enquanto país, como produtores, criadores de riqueza, gestores da coisa pública e privada. E como sabem há hábitos difíceis de abandonar e viver à custa dos bailouts pagos por países que se sacrificam para que outros se divirtam é um deles.
Mas isso sou eu, Mário o pessimista, que espero que seja brutalmente desmentido pelos factos. Aliás tenho uma secreta esperança de que os factos me venham a desmentir e que este artigo seja apenas o resultado do velho do Restelo que ainda há em mim.

11
Nov
10

Um país à espera de falir

Não tenho escrito muito mas hoje apetece-me escrever e muito.
É um facto que a palavra crise está na ordem do dia mas admira-me a surpresa de alguns comentários/comentadores sobre o estado do nosso país. Mas para explicar isso tenho que regressar a 1997…

Se analisarmos o percurso português há um antes e um depois de 1997/1998, se pesquisarem bem verificam que foi a partir desses anos que os bancos nacionais começaram a indexar os empréstimos de crédito à habitação à euribor que por volta desse período rondariam os dois ou três por cento; depois de décadas a pagar crédito a taxas de 18 a 25 por cento (e acreditem que sou desse tempo…), com um consumo refreado exactamente por essas taxas o boom de aquisição de casa começou. Até aqui a história parece cor de rosa e de facto até era. Dinheiro barato, possibilidade de mudar de estilo de vida, ser proprietário, era um Eldorado à portuguesa mas que tinha inevitavelmente os dias contados…
Primeiro por uma fatalidade do destino: tudo o que desce acaba por subir e em 1999 as taxas euribor começaram a subir com consequências para quem se endividou. Segundo porque se esqueceram de explicar que com o nível de poupança dos portugueses a dimunuir drasticamente o dinheiro que os bancos emprestavam tinha que vir de algum lado. Terceiro porque também se esqueceram de avisar que um país a endividar-se ao ritmo que o estava a fazer precisa de ter um crescimento económico que permita gerar riqueza para as pessoas cumprirem as suas dívidas. A conjugação destes três factores – sobreendividamento, taxas a subir e crescimento económico débil – foi pura e simplesmente o que nos trouxe até onde estamos hoje: um país à espera de falir.
A explicação até parece simples: taxas baixas levam a um maior consumo, menos produção leva a mais importação que por sua vez leva a um desiquilíbrio da nossa balança comercial. Consome-se cá com dinheiro emprestado por bancos mas esse financiamento veio do exterior e consumimos bens produzidos maioritariamente no exterior, isto soa a desastre à espera de acontecer ou sou o único a pensar assim? É que nós já nem produzimos grande parte do que comemos o que para mim é uma pequena tragédia, basta ir a uma qualquer aldeia do interior para ficar com a ideia que temos 10 milhões de portugueses sentados à beira-mar. Isso também não é sustentável quer do ponto de vista urbanístico quer do ponto de vista social e em termos produtivos é o que se vê: campos agrícolas abandonados, pomares com fruta a cair pelo chão porque ninguém a apanha, matas a arder no verão porque ninguém as limpa, etc. Mas com uma política como a nossa quem pode culpar as pessoas de querer um pouco do Eldorado? Na hora de passar o cheque todos – estado, autarquias, segurança social – se esqueceram de inquirir quem o ia pagar. Bem a resposta está aí, à vista de todos…

Fast forward para 2007…
Portugal continua com crescimento débil – é inclusivé um dos países com menos crescimento na OCDE – está endividado até à raíz dos cabelos e precisa de refinanciar a sua dívida a cada dia que passa, em dez anos a dívida pública passa de 60% do PIB para cerca de 80% e eis que do outro lado do Atlântico uns malandros andaram a emprestar dinheiro que não tinham a pessoas que não podiam pagar, resultado: um dos maiores desastres financeiros da nossa história. E como desapareceram uns biliões em jogatinas de bolsa que mais pareciam de casino de repente a banca internacional percebeu que estava com um problema nas mãos: precisava de pagar as suas dívidas e por outro lado tinha nas mãos carteiras de investimentos a valer quase zero (e nalguns casos a valer mesmo zero), quando foram buscar os seus investimentos aos malandros perceberam que os seus milhões estavam nas mãos de pessoas sem rendimentos que compraram casas que hoje valiam muito menos do que tinham custado e que o mercado estava inundado de casas para vender devido ao incumprimento de quem as comprou. Isto teve dois resultados: uma redução drástica no dinheiro a circular e um aumento brutal das taxas de juro porque havia menos dinheiro a circular e mais bancos a precisar de dinheiro. Em Setembro de 2008 a euribor (seis meses) chega aos 5,178%… de repente os bancos deixaram de confiar uns nos outros. Só nesta altura a coisa começa a parecer suspeita e eis que chega ao mundo a crise do subprime, com bancos a perceberem que hedge funds e especuladores andaram a construir produtos para esses mesmos bancos com base em activos subprime e que ao mesmo tempo andavam a apostar na descida desses produtos. Enganados e à beira do colapso começou a debandada dos mercados, em Portugal a coisa estava a piorar mas o nosso governo assobiava para o ar dizendo que a crise iria passar ao nosso lado. Entretanto alguns não percebiam como seria isso possível sobretudo à luz das imensas restrições de crédito e das nossas necessidades de financiamento.
Bancos começam a sentir-se desconfortáveis com as restrições de crédito e os spreads começam a subir, depois de anos a emprestar dinheiro com spreads absolutamente insustentáveis, a banca começa a entender (finalmente!) que tem que ser mais criteriosa e cobrar mais. É pena que não o tenha feito durante toda a década de 2000 a 2010, tinha-nos poupado alguns dissabores. No meio disto os primeiros sinais de alarme: BPN e BPP. O primeiro alvo de um resgate in extremis verdadeiramente desastroso e com consequências pesadas para os contribuintes e o segundo com uma dança de empurra a ver quem ficava com a batata quente até que o estado lhe prestou um aval de 450 milhões que no final não serviu para nada a não ser desbaratar essa quantia aos contribuintes. Mais uma vez o governo assobia para o lado e fala em risco sistémico para impedir a falência do BPN quando se sabia que o problema do BPN não era bem esse mas sim uma gestão ruinosa e danosa. Mas o contribuinte pagou e a crise estava longe, a um oceano de distância.

Leap foward para 2010…
Começamos 2010 a financiar a dívida pública a cerca de 4,4% a dez anos e estamos a acabar o ano a financiarmo-nos a 6,8% ou seja estamos a pagar cerca de mais 50%, o que passou para chegarmos aqui?
Entra-se em 2010 depois de 2009 ter sido um ano de eleições, onde promessas que a crise já tinha passado e que Portugal tinha sido o país que melhor lhe tinha resisitido, 2009 foi assim um ano onde o governo deu largas à imaginação orçamental, baixou o iva para 20% e aumentou os salários em cerca de três por cento, tudo boas notícias, certo? Talvez não…
A meio deste ano estourou a “bomba grega” e de repente a europa percebe que tem no seu seio problemas maiores do que o subprime, a Alemanha começa a ter grande contestação interna aos bailouts sucessivos de países que se têm furtado a um controlo orçamental com rigor, na Irlanda o estado intervém sucessivamente em bancos para evitar a sua falência, em Espanha rebenta a bolha imobiliária, em Inglaterra não há dinheiro…e em Portugal o défice é brutal. É o resultado natural de estarmos constantemente a consumir mais dez por cento do que produzimos, bottom line: estamos a viver acima das nossas posses. A europa está na fossa excepto uma pequena aldeia que resiste a tudo: a Alemanha que finaliza 2010 a crescer 3,7%.
O mundo está numa encruzilhada, os EUA continuam a injectar biliões na economia que continua sem criar emprego mas que está a crescer muito devido ao consumo interno mas que está a aumentar as importações, o Japão não sai do vermelho e desceu para o terceiro lugar das maiores economias mundiais, os países emergentes estão a crescer a taxas fenomenais, a europa afunda. A tensão cresce à medida que os vários interesses entram em conflito – e que afirmo pode chocar algumas pessoas mas não deixa de ser menos real – sobretudo a situação da europa e os interesses da Alemanha, o euro está numa situação insustentável para as exportações alemãs e uma descida da moeda em face das dificuldades de alguns países até pode ser boa para esse objectivo, os EUA querem desvalorizar o dólar para tornar as exportações atraentes e os chineses não querem valorizar a sua moeda pela mesma razão; o problema é que para uma moeda descer uma outra precisa de subir, é inevitável. Mas ainda existe outra questão nos EUA, é que continuam a emitir papel como se o mundo acabasse amanhã na secreta esperança de que isso desvalorize ainda mais o dólar mas isso tem o lado preverso para quem compra dívida pública que de repente podem ver as suas carteiras de activos desvalorizar 15 ou 20% e isso pode ter um impacto forte na economia chinesa, principal comprador da dívida pública dos EUA e nos bancos que a compram.
Portugal está só e abandonado no meio desta batalha de gigantes, a braços com uma dívida gigantesca, um défice brutal e a ameaça permanente de falta de financiamento. A europa hesita num novo bailout à Irlanda e a Portugal, sobretudo porque a opinião pública alemã – onde o dinheiro está – não o vai permitir facilmente. O orçamento passou mas os mercados não acalmaram e uma nova recessão está à porta com perda de poder de compra de grande parte da população, um desemprego galopante, uma economia frágil e um sistema político que não se entende entre pares. Os mercados não acreditam que Portugal consiga cumprir os objectivos a que se propõe e daí o massacre nas taxas, os bancos não se conseguem financiar excepto junto do BCE que lhes está a emprestar e o recente ajuste no rating dos bancos reflecte o que acabo de dizer. Esse ajuste não significa que os bancos estejam em má situção mas em face da conjuntura actual e prevísel para o curto prazo o risco é de facto maior; com uma economia em recessão, famílias com rendimentos inferiores o risco de default de empresas e particulares sobe e os bancos podem não ter estrutura para aguentar um aumento do incumprimento sem se financiarem fortemente mas como os mercados não estão abertos a isso e com o BCE a não poder aguentar para sempre esta situação de emprestar apenas com o colateral de dívida pública portuguesa como está a acontecer o aumento do risco é inevitável. Acresce a este factor de risco o facto de os bancos portugueses estarem muito expostos à dívida portuguesa…
A isto acresce o facto da Alemanha quer impôr aos mercados a co-responsabilização em caso de default de algum país da zona euro ou seja se o bailout de um país falhar a europa não quer pagar e transfere essa responsabilidade para os credores, basicamente aí o risco tem que se aproximar do real em face do possível alheamento da europa em caso de incumprimento de um país.

De facto os próximos tempos serão de grandes dificuldades, empresas – sobretudo de bens não essenciais – irão falir, empregos vão continuar a ser destruídos mas no final de contas apenas nos podemos culpar a nós próprios e na nossa incapacidade de resistir ao consumo acima das nossas posses. Podemos e temos capacidade de ultrapassar esta situação? Mais uma vez dependemos de nós, é preciso mudar mentalidades, investir em capacidade produtiva e não em infraestruturas que não geram exportação, é preciso que se investa em tecnologia, em desenvolvimento, em produtos de qualidade como o têxtil e calçado de topo e começarmos a pensar nos emergentes como mercados com grande apetência para o luxo. Abandonar hábitos de crédito e regressar ao hábito de poupar e sobretudo poupar para depois poder consumir. Temos um país fantástico com uma excelente capacidade de receber e que pode ser um destino de turismo de excelência, investir no ecoturismo num país como Portugal será uma aposta inteligente.
Mas temos que estar preparados para pegar numa enxada e ir produzir os nossos alimentos porque caso se falhe a execução orçamental como falharam os PECs sucessivos estamos no bom caminho para nos deixarem cair, sobretudo se a Alemanha se recusar a financiar países que não cumprem as metas orçamentais impostas pela EU. O FMI não será grande solução porque as medidas que iria tomar não serão muito difertentes das que já estão anunciadas, excepto talvez o não pagamento do 13º mês e o corte generalizado de cerca de 15% em todos os salários.

Portugal está como um doente que poderá morrer da doença – défice brutal – ou da cura – orçamento 2011. Entre uma e outra morte a falência poderá estar já aí…ou talvez não, a nossa resposta será crucial para a definição do nosso futuro.

23
Set
10

Em Vilarinho das Furnas ou como o Gerês está a arder lentamente…

Hoje fomos caminhar na mata da albergaria, o carro esse ficou no início do percurso. Pelo caminho não se encontrou um único caminhante mas carros vários, todos de matrícula portuguesa, o único carro de matrícula estrangeira que encontramos estava estacionado, tal e qual como o nosso, no início do percurso. É pena que poucas pessoas disfrutem deste percurso a pé. Do lado de Vilarinho das Furnas um incêndio, já neste ano, pura e simplesmente dizimou o mato todo até quase Brufe.

Esta zona era quase dominada por mato rasteiro mas mesmo assim é uma perda importante para o PNPG, é desolador ver os montes cobertos de preto, com as pedras enegrecidas pelas chamas e pelo fumo. Mas talvez o que me espantou mais foi ver no terreno que o fogo rondou o início da mata da albergaria e uma zona de pinheiro na margem da albufeira (junto à geira romana) ardeu por completo. É um panorama triste e, na minha opinião, é apenas o rosto vísivel do abandono a que o parque está votado pelas autoridades responsáveis pelo ambiente deste país. Mas estamos em Portugal e nada é de espantar… Tenho vontade de fotografar o máximo do parque porque acho que a continuar completamente abandonado como está não faltarão muitos anos para que as matas seculares sejam atingidas pelos incêndios – este ano rondaram esta mata e consumiram uma parte da de Cabril, tendo há cerca de cinco anos consumido parte da do Mezio.

A chuva obrigou-me a regressar à Vila do Gerês e a outra surpresa estava pelo caminho, regressamos pela estrada dos miradouros e que liga Campo do Gerês à Vila pela estrada antiga e estava tudo ardido…
Ou seja a mata da albergaria esteve cercada pelo fogo po ambos os lados dado que esta encosta é oposta à da albergaria. Neste trajecto está tudo ardido desde o miradouro de jucenda até à Vila, tudo é um enorme manto negro e aqui ardeu uma considerável área de floresta em grande parte constituída por pinheiro, o contraste entre o chão negro e o laranja das agulhas dos pinheiros é enorme o que ainda faz sobressair mais o cenário dantesco da encosta. No entanto a natureza renova-se e os fetos estão a despontar e o chão está cheios de flores de Crocus (açafrão). Mas o local vai precisar de uma intervenção forte do parque e aguardo o seu início, espero sinceramente que não deixem as mimosas invadir a encosta como já aliás está a acontecer junto à Vila.

E assim se passou o dia de hoje…

16
Set
10

Semana da mobilidade – CM Caminha

Isto fervilha de actividades, parece que com o outono tudo começa a despertar e depois do passeio na Faia Brava que anunciei ontem (voltarei a relembrar mais próximo da data, embora eu já sei que não vou poder ir) anuncio a programação da C. M. de Caminha para a semana da mobilidade, espero que haja algo no programa que vos interesse.

05
Jul
10

Entrevista com Pavan Sukhdev

Entrevista com Pavan Sukhdev no Jornal de Negócios
Esta entrevista de um gestor do Deutsche Bank chamou-me a atenção por vários motivos: primeiro pelo exemplo e segundo pela coragem de assumir a diferença perante os pares.
É claro para mim que um gestor deste nível se pode dar a alguns luxos, um dos quais a diferença, é sempre fácil de fazer opções quando se tem de facto possibilidades de as fazer. Mas parece-me que no fundo está apenas a ser sincero e que de facto pretende marcar a diferença através dos actos e não das palavras.
A mim fez-me reflectir, sobretudo nos hábitos de consumo, sobre o estado das coisas no momento que atravessamos, será que devemos comprar tudo o que podemos sem interrogações? Comprar hoje e esperar pelo melhor amanhã?…Não tenho respostas para estas interrogações mas que é um facto que elas estão aí para serem respondidas por cada um de nós.

08
Nov
09

O sucesso do inesperado.


Uma loja especializada em refrigerantes que recusou a Pepsi-Cola e todos os grandes. O segredo? É dar às pessoas o inesperado, aquilo que foge ao normal.
(Via Seth Godin e A barriga de um arquitecto)




mário venda nova

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"eu não quero saber se sou o primeiro a dar a notícia, só me preocupo em ter a informação correcta e fazê-lo bem. Essa é uma pressão diária."

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