Posts Tagged ‘bertiandos

30
Maio
11

De volta…


Regresso de uma curta pausa para férias, curta mesmo, duas semanas que se resumem a uma porque a Sónia não pode tirar a primeira semana, além de que decidiu nessa semana – e em dia da final da liga europa Porto x Sp Braga – ir tirar um dente. E assim se passaram uns dias, na última semana estive em repouso na área protegida de Bertiandos, numa casa abrigo, sem internet, sem wifi, sem macbook, sem tv por cabo, apenas o essencial: boa companhia, uns livros, uma Moleskine, um iPod e o BlackBerry para ler uns emails.
Li algumas coisas que me deram matéria para reflectir, sobretudo um ensaio de Susan Sontag da recolha dos seus últimos ensaios antes da sua morte, At the same time, Loving Dostoyevsky onde Sontag aborda a forma como Leonid Tsypkin escreveu o seu livro “Verão em Baden Baden” (penso que sem edição portuguesa mas tem edição brasileira), caso estejam interessados em ler o The Guardian tem uma crítica ao livro, basicamente fiquei a pensar se a forma como Tsypkin escreveu o seu livro se pode aplicar à fotografia, sobretudo pela via da construção de um projecto. Tenho a certeza que sim e será objecto de reflexão à parte deste texto.

Entretanto comecei, em plenas férias, a desenhar o futuro colectivo, seleccionei o nome, comecei alguns contactos que se irão estender pelas próximas semanas que neste campo serão de trabalho intenso. Não podia esperar mais ou avançava agora ou nunca, pesei muito bem os prós e os contras e é um projecto no qual me vou embrenhar totalmente durante os próximos seis meses, no início de 2012 o colectivo deverá estar a funcionar, se não estiver ou eu terei falhado ou não terei arranjado parceiros para esta minha “aventura”, não há outra forma de ver as coisas. Não queria de toda a forma de ficar com a sensação “o que poderia ter acontecido se…” e assim em 2012 se isto não chegar a bom porto tenho pelo menos a sensação de que fiz tudo ao meu alcance para que o projecto se realizasse.

Quanto a trabalho pessoal fotografei pouco mas passei muito, aliás a companhia gosta de passear bastante…
Ainda me assustou quando tentou abocanhar uma cobra com cerca de 1,80mt mas tirando isso e o banho no Rio Estorãos portou-se lindamente. O casal de melros que passeava habitualmente no jardim não teve muitos problemas com a cadela que diga-se lhes ligou pouco.
Ainda fiz umas polaroids em Pz-600 e em Instax 210, dois rolos de 120 na Holga e meia-dúzia de cianotipos (papel sensível à luz em que se obtém uma imagem colocando um objecto em cima e expondo-o ao sol).

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08
Mar
11

Novo trabalho

© mário venda nova

Em todos os trabalhos existe uma altura em que é necessário dar o mesmo como finalizado, perceber que já não temos mais nada a acrescentar a não ser ruído e fechar o ciclo. Durante dois anos fotografei de forma extensiva as lagoas de Bertiandos, perto de Ponte de Lima; foi uma época mágica que me traz boas recordações mas cujo final era esperado. Hoje decidi fechar o círculo e publicar o resultado desse trabalho e aí está a minha visão pessoal sobre o local e as minhas recordações do mesmo.

É fotografia de natureza mas não esperem fotografia de natureza, o trabalho espelha não só as minhas memórias como também o local conforme o recordo e o vivi, de forma intensa, solitária em grande parte das vezes, um local em permanente transformação. Dissociar Bertiandos de uma natureza intervencionada é quase impossível de ser feito sem ignorar que hoje a natureza tem tanto ou mais intervenção humana do que natural propriamente dita, Bertiandos é um reflexo disso, cercada de campos agrícolas, “enterrada” no meio de aldeias, cravejada de eucaliptos plantados para absorver o excesso de água dos pântanos de tal forma que hoje são essas árvores que ameaçam a sobrevivência desta área natural.
A+A é um reflexão sobre o estado deste local, dividida entre o azul do início do dia e o amarelo do entardecer, pontuado pelo preto&branco da sombra da floresta. Esta é a minha visão…

04
Maio
09

O espírito da floresta.

neopan-landscape-f-red1Bertiandos, quatro imagens verticais, D200 + AFD 24/2.8, Aperture+AutoPano Pro+Silver Efex Pro.

Depois de Refóios, Bertiandos. Manhã cedo, calor, luz forte. Mochila carregada, cabeça cheia de ideias, objectivos claros: o espírito da floresta, panoramas e flora. Descanso para comer e dormitar no carro até às 15:20. Nova saída atés às 19:30, final do dia nostalgico, carregado de pensamentos. A melhor altura para fotografar começa a chegar ao fim e talvez por isso o sentimento de nostalgia do fim de uma época, a partir de agora os dias começam a estar quentes, demasiado quentes e a luz muito dura. Irão salvar-se as horas do nascer do sol e do pôr do sol. Ou seja muito cedo e muito tarde. Mas gosto de arriscar e fotografar em todo o tipo de luz e talvez vá arriscar fazer o que nunca fiz: fotografar no pino do verão. Muito cedo e muito tarde…
Será também neste verão que irei apostar num curso com o William Neil, curso à distância e online. Aprender com um dos mestres actuais e cujo trabalho é para mim uma referência será uma experiência extraordinária.

02
Maio
09

Refóios do Lima (Vacariça).

refoios-panOntem não resisti ao ‘desafio’ do José Loureiro e parti em direcção a Refóios do Lime, Ponte de Lima. Chegar lá não é particularmente difícil porque as saídas da A28 e IC 28 estão bem assinaladas. Chegado a Vacariça deveria ter estado atento a um sinal de início do percurso a pé e meter por essa estrada até acabar e depois meter os pés ao caminho; confesso que me enganei, passei o sinal e meti-me por uma estrada de terra batida em mau estado (um carro normal não passa) onde termina a aldeia e segui em frente. Quando me apercebi que algo estava errado vimos um caminho à esquerda, com espaço para estacionar o Panda 4×4 Cross (também estaciona-se quase em qualquer lugar…) parei e decidimos fazer o caminho a pé.

A zona é muito interressante do ponto de vista fotográfico, cheia de oportunidades, com zonas de bosque muito similar ao Corno do Bico: muitas coníferas, abetos, e árvores de folha caduca – castanheiros, faias e carvalhos.

dscn1300Há bastantes garranos à solta, aliás existe um local cercado onde são recolhidos.

dscn1309Encontrei campos repletos destas flores mas não faço ideia do que são…

Acabei por fazer uns cinco quilómetros a pé, sempre a cotas superiores a 650mts – e chegamos a atingir os 790mts – sempre com bom tempo, algum vento, um trajecto que se faz bem. Se fizer tudo ‘by the book’ a coisa faz-se por quatro quilómetros até à lagoa e por dez no total do percurso, desde Vacariça até Vilar do Monte (ida e volta). Recomendado no Outono e no início da primavera, nesta altura é aproveitar os dias mais enublados para o fazer, daqui para a frente o calor é abrasador…

22
Mar
09

a primavera está aí…

bertiandos-612(chapim azul real)
Para os mais distraídos, a primavera chegou…

[ pequenos detalhes técnicos: Nikon D200 + AFS70-200/2.8 G VR @ 200/ ISO640 / f7,1 / 1/160 / Bertiandos, Portugal ]
Actualização: obrigado ao José Rui Fernandes pela correção, de facto é um chapim real.

28
Fev
09

pagar para quê?…

bertiandos(parque de estacionamento da área protegida das lagoas de bertiandos)

Pergunto se vamos pagar para fotografar nas áreas protegidas e se é isto que vamos encontrar… ou istobertiandos-1(lagoa do mimoso – a.p. das lagoas de bertiandos)

Ou talvez uma bateria, caso precise de energia para a máquina digital…bertiandos1(rio estorãos- a.p. das lagoas de bertiandos)

Ou um saco para as compras…
bertiandos-2(lagoa do mimoso – a.p. das lagoas de bertiandos)

Já aqui falei várias vezes sobre a questão de pagar ou não para aceder a áreas protegidas, concordo que o estado actual das coisas não pode continuar conforme está, sob o risco das áreas protegidas desaparecerem perante a nossa inércia, algo precisa de ser feito e já. Vários argumentos têm sido invocados para justificar o pagamento ou o não pagamento de taxas mas os fotógrafos de natureza têm uma responsabilidade acrescida nesta matéria porque dependem destes locais para trabalhar e precisam de olhar para esta situação de um outro ângulo. Devemos pagar para entrar em parques e áreas naturais se pagamos tantos impostos? A questão no entanto é: o que temos hoje sem pagar e o que queremos ter se amanhã formos taxados? A resposta é simples: na primeira temos o que temos hoje (e vou exemplificar mais abaixo o que temos hoje…), na segunda podemos exigir uma alteração radical da maneira como se olha em Portugal para as áreas e paisagens protegidas. Os nossos impostos não são um poço infinito onde podemos obter funding ilimitado e onde existem recursos infinitos, são necessários para a saúde e para o ensino, escolas, estradas; se assim é pouco ou nenhum sobra para a defesa do ambiente – o que diga-se até dá algum jeito e que justifica atentados como os famosos PIN – que habitualmente fica em último lugar a fazer companhia à cultura.

Não é possível os fotógrafos de natureza continuarem a trabalhar de costas viradas para as entidades que supervisionam as áreas naturais e vice-versa, é uma situação de perda-perda em que ninguém ganha com esta falta de diálogo; compete também aos fotógrafos lutar e defender os locais onde trabalham e que lhes permitem subsistir, ignorar isto e decidir que partir lá para fora é fugir à questão fulcral na fotografia de natureza: qual deve ser o papel dos fotógrafos de natureza na defesa da mesma? Divulgar os locais que em Portugal são autênticos santuários da natureza – e há vários em Portugal -, intervir na sua defesa são tarefas a que hoje um fotógrafo de natureza não pode fugir, Ansel Adams não se escusou a esse papel e os parques naturais dos EUA muito lhe devem. Os fotógrafos têm que ser partes integrantes da solução e não parte do problema mas não podem também ser o ‘bode expiatório’ que vai salvar os nossos parques à custa das taxas que lhes vão ser cobradas. Outras soluções mais interessantes poderão ser aplicadas: a reversão de uma comissão nas vendas de cada fotógrafo para a zona onde o fotógrafo fotografa habitualmente ou onde a fotografia foi feita, cedência gratuíta de fotografias para divulgação dessa área protegida, organização de workshops juntamente com o ICNB a preços convidativos para chamar visitantes às áreas protegidas ou então a montagem de um fundo que se destine a recuperar/salvar algumas dessas zonas.
O estado actual das coisas não serve, como me parece óbvio, a ninguém, nem ao ICNB nem aos fotógrafos. Até quando vamos todos continuar a falar de costas viradas uns para os outros não sei mas que de facto me parece que vai ser preciso sentar todos os intervenientes à mesa e discutir pontos de vista também me parece óbvio. Com o autismo constante e crónico do ICNB será, de certeza, uma tarefa complicada. Agora o estado português não se pode divorciar desta situação e depois espalhar outdoors pelo país a dizer que tem 700,000 hectares de áreas protegidas e piscar o olho ao turismo, levando as pessoas a escolher uma delas para passear. Como se pode ver será uma viagem inesquecível no meio dos sacos plásticos…

A finalizar deixo-vos aqui o meu testemunho pessoal, que é ao mesmo tempo um grito de alerta sobre o que se passa, por exemplo, em Bertiandos.

Começa a ser complicado ir para Bertiandos fotografar, no rio estorãos se não estiver muito (mas mesmo muito) atento não é díficil chegar a casa com restos de sacos plásticos espalhados nas fotografias, na zona da lagoa do mimoso o lixo é tanto que já é quase impossível virar uma lente para qualquer lado sem ver lixo espalhado, de sacos de plástico a latas de cerveja é possível ver um pouco de tudo.

Há três anos atrás era muito fácil encontrar, por volta desta época, nos pequenos charcos que circundam as lagoas várias espécies de rãs, hoje e após uma invasão de lagostins já é praticamente impossível avistá-las. Na altura questionei no centro interpretativo qual era a origem dos lagostins mas ninguém me soube responder no centro interpretativo, hoje estão desaparecidos – não sei como – e se durante algum tempo era possível avistar restos de lagostins que eram comida fácil para as lontras e aves, hoje nem lagostins nem rãs…
Tudo isto coincide com um aumento gradual nas visitas à área e já se vêem muitos turistas estrangeiros mas também muitos portugueses de outras zonas do país. No entanto o civismo de quem visita as lagoas ainda é bastante baixo, para não dizer inexistente, e na terça feira de carnaval cruzei-me com um miúdo que levava uma fisga com que ia lançando pedras a tudo o que se mexia…debaixo do olhar ‘embevecido’ do progenitor, provavelmente espantado com as capacidades de atirador do catraio.

Para não ver este triste espectáculo prefiro pagar e pagar um valor razoável como por exemplo os preços praticados no parque Yellowstone nos EUA do que não pagar e assistir à morte lenta deste local. Fechar a área e impedir o acesso indiscriminado de pessoas e viaturas parece-me a solução ideal, logo a seguir disciplinar e responsabilizar os agricultures da zona para não fazerem do rio estorão/lagoa do mimoso o seu balde do lixo, limpar o local de lixo e mato e colocar portagens. A precisar de uma atenção muito especial por parte do ICNB e da Câmara Municipal de Ponte de Lima…acabe-se de vez com a rebaldaria, falta de civismo e abandono. E salve-se Bertiandos deste sufoco…para que seja possível encontrar este cenário durante mais alguns anos:
bertiandos-14




mário venda nova

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"eu não quero saber se sou o primeiro a dar a notícia, só me preocupo em ter a informação correcta e fazê-lo bem. Essa é uma pressão diária."

larry king

trabalhos pessoais


mariovendanova.com
[este é o meu sítio pessoal onde estão os meus projectos já consolidados e acabados]

in every kind of light
[aqui estão os rascunhos dos meus projectos correntes e inacabados]

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