Posts Tagged ‘edição de imagem

07
Out
10

O mundo naquele verão

© mário venda nova

Adeus – disse a raposa. – Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos…

O Principezinho, Saint-Exupéry

O verão chegou ao fim, quente de incêndios devastadores, a canícula apertou e Portugal foi a banhos. A crise continuou na ordem do dia e foi tema para tv, jornais e conversas de café, no entanto as viagens para paragens mais tropicais esgotaram, paradigmas de um país meio-perdido à procura de uma saída…

Mas entretanto o outono regressa devagar e o tempo de tirar a máquina fotográfica da gaveta e de recomeçar a fotografar chegou.
Ao contrário do habitual este verão fotografei bastante mas com um twist: fiz quase tudo em filme; a preto&branco, a cores, com máquinas profissionais e com máquinas de plástico, tudo serviu para fotografar. Este uso de equipamento diverso tem como resultado imagens com estéticas muito diferentes, uma fotografia saída de uma Lomo Holga não é igual a um outra saída de uma Nikon D200 ou de uma Canon 5D mas a grande força desta abordagem está precisamente aí. Tal como a técnica mixed media (wiki) em pintura o objectivo é o de utilizar técnicas diferentes com a diferença de que na pintura as diferentes técnicas são usadas na mesma obra e aqui são usadas ao longo de um projecto.
Gosto da rugosidade do filme e das suas pequenas imperfeições ao contrário da perfeição analítica do digital mas isto não quer dizer que não gosto de usar uma boa máquina digital, hoje uma boa máquina profissional em bom estado (Nikon F4, F5, Canon EOS 1v, 1n) usada no eBay e um scanner novo custam menos ou o mesmo que uma máquina digital média nova e o resultado final é completamente diferente. Tem também crescido o meu apreço por máquinas lo-fi e cá em casa andam três: uma Lomo Holga, uma Konex MF-505 e uma Chinon Auto GL-AF, estas duas últimas foram ofertas recentes.

Já aqui disse e volto a afirmar: a fotografia de natureza precisa de se reinventar. Olhando para o que é hoje a fotografia de natureza vemos, com mais ou menos regularidade, duas ou três premissas: rigor técnico, alta resolução e estagnação criativa; esta é, como é natural, a minha opinião, estejam à vontade para discordar. Para mim é talvez mais importante reinventar a minha fotografia de natureza para a tornar mais pessoal e reveladora daquilo que na realidade pretendo transmitir. Não consigo escapar a uma certa formação, ou se quiserem formatação, visual que advém do meu trabalho de artes plásticas onde existia essa rugosidade que tanto gosto nos suportes em filme, cada tela era trabalhada em layers, em camadas sucessivas que sugeriam mais do que mostravam. Eram telas enormes – mínimo 90×90 – pintadas a acrílico, camada sobre camada sem recorrer ao pincel, a tinta era atirada, esfregada, raspada, escorrida, lavada e pintada, sendo que muitas tinham textos escritos a pastel de óleo e quase todas continham colagens. É precisamente esse espírito DIY que quero passar às minhas fotos, aos meus projectos. E para isso gosto de ferramentas lo-fi para trabalharem ao lado das mais recentes tecnologias digitais. Uma espécie de Do It Yourself de ferramentas básicas e baratas, cujo destino seria o lixo ou o fundo de uma gaveta; um conto de fantasia onde o cavaleiro corre não para salvar a donzela mas para resgatar a máquina compacta de dez dólares do contentor do lixo. Um mundo de sonho onde será possível gostar de uma boa fotografia feita com o coração e uma máquina de trinta euros e ao mesmo tempo apreciar uma outra feita com uma máquina de milhares de euros.

É preciso não perder a capacidade de sonhar. E já agora não perder a capacidade de ver com o coração como o Principezinho…

© mário venda nova

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12
Maio
10

Photoshop 20th Anniversary – Startup Memories | Adobe TV

Vodpod videos no longer available.

Uma peça divertida e ao mesmo tempo que faz justiça à passagem do tempo pela aplicação de edição de imagem que revolucionou a fotografia como a conhecemos hoje: o Photoshop. A conversa bastante interessante decorre, basicamente, à volta da construção e desenvolvimento da aplicação com alguns dos envolvidos nesse trabalho.

03
Abr
09

sex, lies and photoshop (+)…

Blogue de José Loureiro
Existem poucos blogues em Portugal que se dediquem exclusivamente ao equipamento e este é um deles. Se usa material Nikon numa base regular então vale a pena ir lá fazer uma visita.

Invisible City
Uma revista exclusivamente online, dedicada à fotografia contemporânea e com a possibilidade de ser descarregada em pdf. Este é o primerio número e já estão abertas as inscrições para os números dois e três. É uma revista extremamente contemporânea e neste número o portfolio que mais se salienta é o da Olivia Locher, os artigos são relativamente interessantes de um ponto de vista conceptual mas não abordam o tema ‘fotografia’, de um certo modo isso desiludiu-me numa primeira leitura mas talvez não seja tão importante desde que os textos tenham valor por si só, o que de facto não me parece que aconteça, acho até a qualidade geral dos textos pouco equilibrada. Mas é um primeiro número e por isso é preciso aguardar pelos próximos para fazer uma avaliação mais correcta deste projecto.

Sex, lies and photoshop
[why magazines should let readers know if images have been retouched] é o subtítulo deste vídeo do New York Times. Numa sociedade em que a imagem é objecto de consumo e de desejo, a ponto de provocar disturbios importantes em centenas de pessoas e de promover uma corrida desenfreada às clínicas de estética com o objectivo de tornar corpos mais parecidos com os estériotipos que nos chegam através dessas imagens, até que ponto deverão as revistas informar os seus leitores de que as imagens foram retocadas, corpos retalhados e distorcidos para a obtenção do resultado final?…

III concurso Epson
Aí estão os vencedores do III concurso Epson. Entre os premiados um português – Luís Flores – recebeu uma menção honrosa. De salientar que o vencedor é um fotógrafo autodidacta.

Big Storm Picture
Se acha que ser fotógrafo amador já é um passatempo arriscado então como classifica um fotógrafo que é um caça-tempestades e que gosta de fotografar no olho do furacão? Lunático mas as fotografias são brutais, valem a visita pela carga espantosa dos céus e pela coragem de as fazer.

30
Mar
09

depois da estatística, o workflow.

Depois de publicar uma breve estatística de um sábado de fotografias, agora publico o que acontece às imagens captadas.

Num dia típico posso captar algures entre 100 e 500 fotografias, muitas delas simples variações de composição e/ou exposição e é preciso catalogar, organizar, escolher e editar cada uma delas. Aqui abro um pequeno parênteses para afirmar o seguinte: sou uma desgraça organizacional. Um ficheiro é arquivado algures e nunca mais sei dele e detesto a pequena arrumação de pastas e pastinhas que o Windows tem, sempre me perdi naquilo. Aliás ainda organizo as coisas um pouco assim mas com o Mac OS e o Finder as coisas têm melhorado. Faz-me confusão ter um ficheiro dentro de uma pasta e precisar do Nero ou de outro programa ‘pirómano’ para uma simples gravação em CD. De volta à fotografia. Dito isto, preciso de algo que me arrume as fotografias e as organize segundo critérios apertados definidos por mim: benvindos ao Aperture.

imagem-1Chego a casa e depois de arrumar mochilas, roupa e calçado e refrescar-me com um banho é hora de meter as fotografias no Aperture, para isso abro a aplicação e selecciono o projecto para onde vão as fotografias. Meto o cartão de memória no leitor – um SanDisk ImageMate – e Aperture pede-me para confirmar se quero meter as fotos nesse projecto, com a opção de apenas escolher algumas, coloco o nome que vai ser dado aos ficheiros, as keywords para pesquisas facilitadas e já está.
É nesta barra que a ‘magia’ inicial acontece e estão disponíveis várias opções:

1) Store Files: é possível trabalhar com imagens que não estejam arquivadas na biblioteca interna do Aperture, embora com a subsequente perda de funcionalidades internas do próprio programa como o backup autónomo, e assim manté-las na sua localização actual. É a velha organização à Windows, descarregar as fotografias numa pastinha e depois dizer ao programa onde estão e trabalhar a partir daí, se não é um fotógrafo ‘on the fly’, esqueça e meta tudo dentro da biblioteca, se trabalha com as mesmas imagens em vários computadores o melhor é trabalhar com as imagens todas numa hard drive externa e editá-las assim. Serve bem o propósito de um fotógrafo de natureza: no terreno é possível verificar os ficheiros e fazer uma edição rápida para depois completar o trabalho em casa.
2) Keywords são pequenas etiquetas de texto que permitem organizar, procurar e catalogar as imagens. São um pequeno resumo do que é a imagem, onde foi tirada – embora eu deixe essa opção para o título do ficheiro – e outras que deseje lá colocar.
3) Version name: eu coloco sempre o local onde as fotografias foram captadas. Sempre. Mas cada um pode seleccionar o que lá quer pôr, claro mas sem esquecer que esse será o título de todas as imagens que vai importar, se tem algumas flores espalhadas no meio de paisagens, o melhor é importar cada tipo de fotografia e dar-lhe o respectivo título. Tem a opção de alterar ou não o ficheiro Master, o que eu não faço.

imagem-2Depois disto escolho as imagens segundo um critério meu de classificação: uma ou duas estrelas, nem interessa perder tempo, três estrelas é preciso verificar composição, luz e potencial ou seja são as imagens para editar. O Aperture, através do uso intensivo de pastas inteligentes cujos critérios de selecção são escolhidos por mim, depois separa tudo. Em qualquer momento sei que fotos têm a classificação de quatro estrelas – Flickr e fotoblogue, quais as fotos de cada ano e separa também as melhores fotografias (quatro e cinco estrelas) por anos.

Ainda existe uma outra pasta com fotos que ainda não foram classificadas nem editadas, são habitulamente as que estão em linha de espera para serem triadas e editadas.

A pasta de impressão serve para testes de impressão, onde basicamente afiro qual o tamanho maior em que posso imprimir determinada imagem e se depois de impressa existem defeitos que escaparam durante a edição ou se esta deixou artefactos que necessitem de correcção.
E para a organização é tudo o que faço.

Depois da organização a edição.
E vamos melhor com o exemplo do que com a palavra. Pego então numa imagem escolhida porque usa o arsenal todo de edição que anda cá por casa.
serra-da-cabreira-143
1) correcção dos níveis. Primeiro de forma automática, depois com correcção manual;
2) corrigir sharpening;
3) como o céu está com zonas queimadas, a imagem é enviada para o LightZone e edito o céu;
4) a cor está claramente a mais, por isso segue para o Silver Efex Pro para ser transformada em preto&branco;
5) corrijo as sombras e as altas-luzes, escolho o tipo de filme – Fuji Acros 100 e dou-lhe um pouco de grão, na tonalidade opto por um split-toning verde/amarelo.

O resultado final:
serra-da-cabreira-143-1
É um exemplo rápido de como escolho, selecciono, organizo e edito as minhas fotografias. Geralmente esta não seria a única versão da imagem, poderia fazer uma com tonalidade sépia, outra com tonalidade fria, uma versão infra-vermelho, poderia fazer tudo no LightZone sem passar pelo Silver Efex Pro, etc. Cada imagem é um caso que merece atenção e paciência, às vezes edito as imagens passado dois ou três meses após a captura para evitar ter ainda ligações demasiado emocionais à imagem, que poderiam ter um efeito nefasto na sua classificação.

21
Maio
08

Aperture em acção.

picture-2

Aperture in action‘ é uma oportunidade de ver alguns profissionais a explicar como usam esta ferramenta digital. Para quem a usa é interessante ouvir como a usam, para quê e como.
Sou um aderente ao Aperture desde o início e tenho-me mantido fiel desde então, recentemente e porque a interface de impressão não era o que eu desejava procurei outras alternativas mas não encontrei uma que me satisfizesse a ponto de mudar. Entretanto na versão 2 a impressão foi mudada e já se aproxima do ideal mas sobretudo consegue tirar partido da impressão a 16 bit do Leopard e que os novos drivers Epson já suportam. E posso garantir em primeira mão que as impressões Aperture/Epson em 16 bits são muito idênticas ao detalhe conseguido com um bom perfil Spyder3 a ponto de quase não se distinguirem.
Mas nem tudo são rosas e o programa precisa ainda de mais algum desenvolvimento para se tornar numa poderosa ferramenta de edição. Assim de repente gostaria de ver edição localizada e com zonas ajustáveis, a possibilidade de seleccionar o rendering intent na impressão, um soft proof melhor e a edição de grupos de imagens.




mário venda nova

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in every kind of light
[aqui estão os rascunhos dos meus projectos correntes e inacabados]

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