Posts Tagged ‘foto natureza

08
Mar
11

Novo trabalho

© mário venda nova

Em todos os trabalhos existe uma altura em que é necessário dar o mesmo como finalizado, perceber que já não temos mais nada a acrescentar a não ser ruído e fechar o ciclo. Durante dois anos fotografei de forma extensiva as lagoas de Bertiandos, perto de Ponte de Lima; foi uma época mágica que me traz boas recordações mas cujo final era esperado. Hoje decidi fechar o círculo e publicar o resultado desse trabalho e aí está a minha visão pessoal sobre o local e as minhas recordações do mesmo.

É fotografia de natureza mas não esperem fotografia de natureza, o trabalho espelha não só as minhas memórias como também o local conforme o recordo e o vivi, de forma intensa, solitária em grande parte das vezes, um local em permanente transformação. Dissociar Bertiandos de uma natureza intervencionada é quase impossível de ser feito sem ignorar que hoje a natureza tem tanto ou mais intervenção humana do que natural propriamente dita, Bertiandos é um reflexo disso, cercada de campos agrícolas, “enterrada” no meio de aldeias, cravejada de eucaliptos plantados para absorver o excesso de água dos pântanos de tal forma que hoje são essas árvores que ameaçam a sobrevivência desta área natural.
A+A é um reflexão sobre o estado deste local, dividida entre o azul do início do dia e o amarelo do entardecer, pontuado pelo preto&branco da sombra da floresta. Esta é a minha visão…

02
Mar
11

Erika Larsen

© Erika Larsen

For me Nature is a place of solitude, respite and healing.
The landscapes I engage have become reflections of aspects of myself.
Within these landscapes I have begun the ongoing process of transformation.

Nature has proven to be a sage.

I believe these moments transcend more than just my own reflections and
begin to reveal her particular wisdom.

Erika Larsen tem bons trabalhos mas o projecto ‘one if by‘ é o meu favorito. A série ‘young blood‘ que se debruça sobre o universo dos jovens caçadores nos EUA é particularmente acutilante e levanta questões muito interessantes sobre essa prática.

07
Out
10

O mundo naquele verão

© mário venda nova

Adeus – disse a raposa. – Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos…

O Principezinho, Saint-Exupéry

O verão chegou ao fim, quente de incêndios devastadores, a canícula apertou e Portugal foi a banhos. A crise continuou na ordem do dia e foi tema para tv, jornais e conversas de café, no entanto as viagens para paragens mais tropicais esgotaram, paradigmas de um país meio-perdido à procura de uma saída…

Mas entretanto o outono regressa devagar e o tempo de tirar a máquina fotográfica da gaveta e de recomeçar a fotografar chegou.
Ao contrário do habitual este verão fotografei bastante mas com um twist: fiz quase tudo em filme; a preto&branco, a cores, com máquinas profissionais e com máquinas de plástico, tudo serviu para fotografar. Este uso de equipamento diverso tem como resultado imagens com estéticas muito diferentes, uma fotografia saída de uma Lomo Holga não é igual a um outra saída de uma Nikon D200 ou de uma Canon 5D mas a grande força desta abordagem está precisamente aí. Tal como a técnica mixed media (wiki) em pintura o objectivo é o de utilizar técnicas diferentes com a diferença de que na pintura as diferentes técnicas são usadas na mesma obra e aqui são usadas ao longo de um projecto.
Gosto da rugosidade do filme e das suas pequenas imperfeições ao contrário da perfeição analítica do digital mas isto não quer dizer que não gosto de usar uma boa máquina digital, hoje uma boa máquina profissional em bom estado (Nikon F4, F5, Canon EOS 1v, 1n) usada no eBay e um scanner novo custam menos ou o mesmo que uma máquina digital média nova e o resultado final é completamente diferente. Tem também crescido o meu apreço por máquinas lo-fi e cá em casa andam três: uma Lomo Holga, uma Konex MF-505 e uma Chinon Auto GL-AF, estas duas últimas foram ofertas recentes.

Já aqui disse e volto a afirmar: a fotografia de natureza precisa de se reinventar. Olhando para o que é hoje a fotografia de natureza vemos, com mais ou menos regularidade, duas ou três premissas: rigor técnico, alta resolução e estagnação criativa; esta é, como é natural, a minha opinião, estejam à vontade para discordar. Para mim é talvez mais importante reinventar a minha fotografia de natureza para a tornar mais pessoal e reveladora daquilo que na realidade pretendo transmitir. Não consigo escapar a uma certa formação, ou se quiserem formatação, visual que advém do meu trabalho de artes plásticas onde existia essa rugosidade que tanto gosto nos suportes em filme, cada tela era trabalhada em layers, em camadas sucessivas que sugeriam mais do que mostravam. Eram telas enormes – mínimo 90×90 – pintadas a acrílico, camada sobre camada sem recorrer ao pincel, a tinta era atirada, esfregada, raspada, escorrida, lavada e pintada, sendo que muitas tinham textos escritos a pastel de óleo e quase todas continham colagens. É precisamente esse espírito DIY que quero passar às minhas fotos, aos meus projectos. E para isso gosto de ferramentas lo-fi para trabalharem ao lado das mais recentes tecnologias digitais. Uma espécie de Do It Yourself de ferramentas básicas e baratas, cujo destino seria o lixo ou o fundo de uma gaveta; um conto de fantasia onde o cavaleiro corre não para salvar a donzela mas para resgatar a máquina compacta de dez dólares do contentor do lixo. Um mundo de sonho onde será possível gostar de uma boa fotografia feita com o coração e uma máquina de trinta euros e ao mesmo tempo apreciar uma outra feita com uma máquina de milhares de euros.

É preciso não perder a capacidade de sonhar. E já agora não perder a capacidade de ver com o coração como o Principezinho…

© mário venda nova

14
Maio
10

Stephen Newport

Ruins © Stephen Newport

Agradou-me bastante o trabalho de Stephen Newport, sobretudo algumas das fotografias do portfolio ‘Ruins’, ‘Heaven’ e ‘Nature’. Possivelmente o formato adoptado – panorama – ajuda nesta minha atenção mas no entanto acho as imagens bastante bem compostas e com uma tranquilidade interessante. Não é fotografia extremamente conceptual mas não desilude quem procura novos olhares sobre velhos temas…

Nature © Stephen Newport

Heaven © Stephen Newport

Para mim tem sido uma descoberta interessante de fazer, é um daqueles ‘olhares’ tranquilos que sem sobressair extraordinariamente, é competente no que faz com uma pequena ponta de novidade.

01
Maio
10

Joakim Eskildsen

Nordic signs© Joakim Eskildsen

Nordic Signs works é um dos meus portfolios favoritos de Joakim Eskildsen mas no seu site é possível encontrar outros trabalhos interessantes.
Destaco este pela ambiência e pela solidão, agrada-me deveras. De todos os outros portfolios “Edges” tem outra minha clara preferência mas sou um apaixonado por panorâmicas por isso aceitem isto como uma sugestão.

Nordic signs© Joakim Eskildsen

Mas no final é impossível escapar à beleza do nosso país e não ver o trabalho “Bluetides” fotografado na nossa praia da Apúlia na costa de Viana do Castelo.

No geral muito boa fotografia, de bom nível e despida de artifícios, não será isso que faz de facto um bom portfólio?…

30
Abr
10

O caminho mais seguro

Qual será a forma mais segura de produzir fotografia? Será abordar um tema contemporâneo ou um tema clássico? Fazer uma fotografia mais ilustrativa e representativa ou trabalhar de forma mais pós-moderna? Será mais fácil agradar à crítica especializada ou ao público? O que significam em termos de carreira cada uma destas escolhas?

Ficam as perguntas, aguardo as vossas respostas.

12
Abr
10

Dalton Rooney

© Dalton Rooney
Dalton Rooney é um bom exemplo do que pretendi explicar no meu artigo sobre fotografia de natureza nos dias de hoje: procura ir mais longe do que apenas a imagem esteticamente bonita. Os seus portfolios, que recomendo vivamente, estão repletos de imagens que não procuram evitar a discussão sobre o estado da natureza nem evitam retratar marcas de permanência e/ou uso humano. É um discurso que dismistifica a natureza como algo absolutamente belo, algo que está longe da realidade encontrada no terreno por muitos de nós.
Estas imagens tornam-se assim vectores de discussão muito diferentes da imagética de natureza habitual e isso cria uma tensão no discurso bastante interessante. A ver e altamente recomendado.

© Dalton Rooney




mário venda nova

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[este é o meu sítio pessoal onde estão os meus projectos já consolidados e acabados]

in every kind of light
[aqui estão os rascunhos dos meus projectos correntes e inacabados]

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