Posts Tagged ‘fotografia

11
Jan
11

Espaço para reflectir…

Olhando para trás fico com uma sensação de que algo falta aqui neste blogue e na blogosfera portuguesa que se debruça sobre fotografia: reflexão. Afinal o que resta da espuma dos dias é o acto de reflexão e análise sobre determinado assunto, tudo o resto – apesar de ser informação – apenas remete para o ruído e para o esquecimento.
O problema é que no correr dos dias, na ânsia de estar em cima de toda e qualquer informação, que na hora parece vital, a reflexão é impossível. Ou talvez não… Apesar deste frenesim de informação existe espaço suficiente para deixar a poeira assentar e racionalizar sobre os temas que de facto são importantes ou essenciais para uma melhor percepção do estado actual da fotografia portuguesa. Existe um espaço para preencher nesse campo e ele deve ser preenchido porque no meu entender sem esse espaço de reflexão qualquer tentativa de entender a fotografia se revela difícil.
É verdade no que neste tempo facebookiano e twitteriano de pequenas mensagens de 100 a 300 caracteres, sem hiperligação logo sem possibilidade de sairem fora da rede onde foram publicadas, um texto um pouco mais longo – digamos 3000 ou 4000 caracteres – é um anacronismo sem apelo nem glamour, logo um candidato possível para o arquivo “das-coisas-que-irei-ler-um-dia-quando-tiver-um-intervalo-entre-a-refeição-do-gato-e-o-filme-das-10:30”. Mas a culpa não é só de quem lê mas em grande parte nossa – de quem publica sobre fotografia – porque nesse frenesim de publicar tudo como se o mundo dependesse misteriosamente da quantidade de posts publicados na rede nos esquecemos de que é preciso dar tempo a que os textos assentem e façam o seu papel: o de plantar no leitor o desejo de saber mais mas sobretudo o de desenvolver a sua linha de pensamento sobre o tema.

Para contradizer o que acabo de escrever este texto é pequeno mas serve para plantar em todos o que o leram o desejo de escreveram para além da espuma dos dias e que transformem os seus blogues em plataformas de discussão e de reflexão sobre fotografia. E eventualmente provar o meu próprio remédio e fazer eu próprio o mesmo. Ora aí está uma resolução para 2011 que é interessante, não acham?

09
Out
10

Focus on your passion


Uma entrevista com Tim Mantoani bastante interessante.

07
Jul
10

Daisy Lowe por Greg Williams


O sabor dos tempos: integração foto/vídeo. Greg Williams numa sessão para a Esquire faz um dois em um e aproveita a nova integração de vídeo na DSLR e grava um pequeno trailer – se assim lhe quiserem chamar – para fins de promoção. O resultado está aí e quem estiver registado no Vimeo pode descarregar o vídeo em tamanho suficiente para ser visto num iPad (outro sabor do momento).

29
Mar
10

Natureza, a influência contemporânea hoje

O que é a fotografia de natureza hoje? Foi essa pergunta que aqui fiz há uns dias atrás e que recebeu duas respostas que na minha opinião são o sinónimo do desafio que enfrenta hoje a fotografia de natureza.
A do Zé Maria reflete um olhar mais tradicional sobre a maneira como a fotografia deve retratar a natureza: as paisagens belas, intocadas (apesar de milhares de pessoas lá passarem por ano…), com uma luz dourada, sem marcas da presença do homem. O diogo prefere perguntar onde está o olhar contemporâneo sobre a natureza.

O problema é que estas duas visões são antagónicas: uma pretende mostrar uma natureza segundo padrões que, infelizmente, já não se aplicam ao estado actual, o outro pretende actualizar o olhar fotográfico sobre o tema e fazer uma reflexão actual sobre o seu estado. É assim que entendo as vossas respostas, posso estar enganado e estou preparado para que mo demonstrem.

Tenho como certo que hoje os fotógrafos de natureza não podem nem devem escapar ao estado actual da mesma e que o seu registo deve ser orientado para a relação homem/território/natureza. Isso implica um novo olhar e uma nova reflexão sobre a fotografia de natureza, rompendo estereótipos e métodos tradicionais de olhar para o tema; acho que era isto a que o diogo se referia. Por outro lado o Zé Maria prefere uma fotografia de natureza onírica que nos faz querer estar naquele local, ir de visita lá e/ou largar tudo e viver num lugar ainda intocado pela mão humana, sem estradas nem ruas apinhadas de trânsito; eu percebo bem este ponto de vista. No entanto reconheço que esse mesmo ponto de vista, apesar de tentar através de imagens que as pessoas se ‘apaixonem’ pelos locais envolvendo-se depois na sua defesa, ignora o estado actual da natureza e o facto de que talvez as pessoas precisem mais de ver alguma da devastação causada pelas suas acções do que santuários da natureza já completamente devassados pela humanização – veja-se o caso do Gêres – ignorada depois pela objectiva ‘selectiva’ do fotógrafo.

Não sei o que se passa convosco mas frequentemente sou confrontado em locais recomendados, por alguns bons fotógrafos de natureza, com lixeiras, entulho por todo o lado, canos de esgoto e campos mais ou menos agrícolas encharcados de pesticidas e fertilizantes; e sim acontece-me com frequência mesmo em zonas de protecção natural, rede natura ou parques naturais.
Agora a questão fundamental: pode um fotógrafo da natureza ignorar este facto? Podem os fotógrafos de natureza continuar a fotografar como se isto não estivesse a acontecer no terreno onde estão? Não me entedam mal, os fotógrafos de natureza podem e devem mostrar esse lado deslumbrante da natureza selvagem mas não deveria estar a nascer também uma nova geração de fotógrafos mais preocupados em documentar e assinalar no terreno tudo o que não queremos ver e que arrumamos desleixadamente no ‘quintal das traseiras’ e onde esperamos que ninguém vá espreitar? E se o vizinho for espreitar, ele que ignore o lixo e que esteja atento aos canteiros de flores que lá nasceram espontaneamente…

Entendo que há lugar para ambos os estilos mas preferia que a fotografia de natureza se actualizasse de forma a documentar o estado das paisagens na actualidade, modernizando ao mesmo tempo o seu discurso. Mas isso sou eu quanto a vós não sei…

07
Dez
09

A fotografia como sopa instantânea…

(ligação directa para o vídeo)

Este é o presente da fotografia em Portugal? Meia dúzia de frases sem sentido, uma máquina digital, um cemitério e um bar como estúdio, não sei por onde começar, se pelas fotografias se pela inexistência de uma corerência se pela falta de imaginação ou pela ligeireza com que tudo é abordado.

Este exemplo, mas poderia encontrar centenas deles, é apenas a face visível de uma certa forma de estar na fotografia que infelizmente começa a grassar um pouco por todo o lado onde estejam duas pessoas com uma máquina na mão: a certeza de que todos somos fotógrafos. E de facto somos mas num sentido mais estreito nem todos o são. Ser fotógrafo é mais do que ‘fazer uma loucura’, significa ter um plano, um projecto, sentido estético e de organização visual. Aqui nada disso acontece, é tudo tão efemero, tão no limiar do banal que sinceramente fico estarrecido com a facilidade com que este tipo de discurso chega aos ecrãs de televisão. Este discurso, ou a ausência dele se quiserem, é apenas sinónimo de falta de alicerces sólidos de fotografia ou de conhecimento do que é na realidade ser fotógrafo, da visita ao site verifico que desde a paisagem ao nú, do fotojornalismo ao retrato não há um único tema que não esteja abordado pele Daniel Pedrogram e isso lamento dizer mas é um sinal evidente que de facto não existe uma coerência estética e que experimentar tudo até acertar é a única opção que resta. Das fotografias não há muito a dizer excepto que não existe uma única que se destaque no meio do ruído visual, a coerência não está lá e o conceito de triagem é tão atabalhoado que praticamente não se pode afirmar que exista.

Em visita rápida pelo Olhares, a plataforma que tem gerado algumas colaborações com o CPf sabe deus como, e pela página do fotógrafo reparo em verdadeiras pérolas de discurso auto-descritivo:
“Mais cenas minhas:” – usada para listar todos os sítios por onde anda a postar fotografias,
“Coments que curti:” – usada para listar uma série interminável de comentários, alguns em mau português, que sendo completamente inócuos não adiantam muito ao discurso geral.

Se de facto a elevação de um discurso em matéria visual – seja ele sobre fotografia ou sobre outra arte visual – é essencial para a constituição de um espírito crítico por parte do público então a mediatização de abordagens deste tipo só produzem ruído e apenas confundem quem deseja ter uma visão clara do que é a fotografia. Confundir isto com fotografia não só é mau como não ajuda em nada a real percepção do que é ser fotógrafo.

06
Out
09

(T)(S)er.

“What we do during our working hours determines what we have, what we do in our leisure hours determines what we are.”

George Eastman

É sempre uma discussão, esta do ser e do ter, interessante de debater com fotógrafos. Se por um lado a fotografia é arte por outro lado é inegável o lado técnico e tecnológico e perceber até que ponto cada um dos lados influencia o outro é uma discussão com possibilidades infinitas.
Será um fotógrafo cada vez melhor se tiver mais e melhor equipamento? Será a arte independente das ferramentas?

Acho que a questão central deste debate será sempre o de cada um ter as ferramentas necessárias para atingir os objectivos a que se propõe, aqui é que reside o problema de facto nos debates em torno dos equipamentos fotográficos, é que sem objectivos claros qualquer justificação serve para comprar uma nova máquina, uma nova lente ou uma nova impressora. Poder ter e manusear o melhor e mais recente equipamento, custe ele 1.000€ ou 10.000€, é uma justificação perfeitamente aceitável do ponto de vista da justificação da aquisição, do ponto de vista da utilização é fraca razão para o justificar e muitas vezes o Ter é mais forte do que o Ser. Resolver uma falta de inspiração ou tentar lutar contra a mesma empurrando o problema para a frente, gastando dinheiro numa nova lente que de repente vai resolver tudo é o caminho mais certo para ter uma excelente colecção de equipamento ao fim de uns anos mas também uma colecção impressionante de fotografias medianas…

Um fotógrafo, dizem que eu não tenho assim tanta certeza, fotografa com qualquer coisa nem que seja um pinhole feita com uma lata. Talvez. Mas um fotógrafo sentado numa margem de um rio à procura de fotografar uma garça real, chegaria a casa sem nada publicável e vendável.
Se as ferramentas não fazem o artesão, as ferramentas apropriadas fazem toda a diferença. Saber o que usar, quando o usar e porque o usar são apenas algumas das muitas decisões criativas que um fotógrafo tem que tomar. Um bom fotógrafo não compra uma lente (substituir por máquina, tripé, filme, o que melhor se adaptar a cada caso) que depois encaixa no seu método de trabalho, um bom fotógrafo compra uma nova lente porque para atingir determinado objectivo criativo precisa dessa lente.

Olhar, ver, sentir e fazer a fotografia são talvez as melhores ferramentas que os fotógrafos têm à sua disposição. Ter objectivos claros e bem definidos antes de carregar a mochila é meio caminho para fazer boas fotografias; trabalhar para um livro, uma exposição é trabalhar para um fim, sair e fazer algumas fotografias sem esse foco central é apenas trabalhar para o stock e nada mais. E o stock é algo que se mostra à família, aos amigos mas que dificilmente impressiona alguém fora desse círculo. Para atingir objectivos mais audazes temos que ser capazes de os impor a nós mesmos mas sobretudo ser capazes de os cumprir. Até ao fim. E sobretudo procurar não disfarçar a falta de objectivos com o excesso de equipamento.

31
Mar
09

criar um estilo próprio (+)…

Thinking in themes
William Neil ensina a importância de trabalhar por temas e fotografar os temas que nos atraem mas sobretudo como organizar projectos em torno desses temas.

Learning to see – confessions of a copycat photographer
Este artigo fala de vários aspectos de fotografar o que já é sobejamente conhecido e mesmo assim conseguir algo único e diferente de tudo o resto que já foi fotografado nesse local.
Lon Overacker explica no mesmo artigo que a familariedade traz a criatividade ou seja o conhecimento de um local pode reforçar a criatividade e ‘obrigar-nos’ a superar o que já fizemos nesse local. Acredito a 100% nesta pequena ideia.

Toward a personal style
Deste conjunto dos três ensaios este é claramente o meu favorito. Bem escrito e com um discurso positivo, Michael Gordon explica em meia dúzia de ideias bem estruturadas o que é conseguir um estilo próprio e dá dois conselhos que considero importantes: editar sem piedade os projectos e ser paciente.

Remember, photographic style is a subconscious evolutionary process and is the byproduct of experience and intensive image making. Forcing any step of this process might very well doom it to failure. Don’t worry about whether you have a unique style, and don’t agonize over how to develop one. Enjoy the process of making photographs and let things flow naturally. The Masters of Photography didn’t become Masters by forcing their style, nor did they become Masters overnight. Discover your self, focus on your subjects and your intent, and your unique style will naturally find its way to the surface of your photographs.




mário venda nova

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[este é o meu sítio pessoal onde estão os meus projectos já consolidados e acabados]

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[aqui estão os rascunhos dos meus projectos correntes e inacabados]

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