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25
Mar
10

Natureza

O que é hoje a fotografia de natureza? O que deverá ser o foco da fotografia de natureza contemporânea?…

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04
Maio
09

O espírito da floresta.

neopan-landscape-f-red1Bertiandos, quatro imagens verticais, D200 + AFD 24/2.8, Aperture+AutoPano Pro+Silver Efex Pro.

Depois de Refóios, Bertiandos. Manhã cedo, calor, luz forte. Mochila carregada, cabeça cheia de ideias, objectivos claros: o espírito da floresta, panoramas e flora. Descanso para comer e dormitar no carro até às 15:20. Nova saída atés às 19:30, final do dia nostalgico, carregado de pensamentos. A melhor altura para fotografar começa a chegar ao fim e talvez por isso o sentimento de nostalgia do fim de uma época, a partir de agora os dias começam a estar quentes, demasiado quentes e a luz muito dura. Irão salvar-se as horas do nascer do sol e do pôr do sol. Ou seja muito cedo e muito tarde. Mas gosto de arriscar e fotografar em todo o tipo de luz e talvez vá arriscar fazer o que nunca fiz: fotografar no pino do verão. Muito cedo e muito tarde…
Será também neste verão que irei apostar num curso com o William Neil, curso à distância e online. Aprender com um dos mestres actuais e cujo trabalho é para mim uma referência será uma experiência extraordinária.

28
Fev
09

pagar para quê?…

bertiandos(parque de estacionamento da área protegida das lagoas de bertiandos)

Pergunto se vamos pagar para fotografar nas áreas protegidas e se é isto que vamos encontrar… ou istobertiandos-1(lagoa do mimoso – a.p. das lagoas de bertiandos)

Ou talvez uma bateria, caso precise de energia para a máquina digital…bertiandos1(rio estorãos- a.p. das lagoas de bertiandos)

Ou um saco para as compras…
bertiandos-2(lagoa do mimoso – a.p. das lagoas de bertiandos)

Já aqui falei várias vezes sobre a questão de pagar ou não para aceder a áreas protegidas, concordo que o estado actual das coisas não pode continuar conforme está, sob o risco das áreas protegidas desaparecerem perante a nossa inércia, algo precisa de ser feito e já. Vários argumentos têm sido invocados para justificar o pagamento ou o não pagamento de taxas mas os fotógrafos de natureza têm uma responsabilidade acrescida nesta matéria porque dependem destes locais para trabalhar e precisam de olhar para esta situação de um outro ângulo. Devemos pagar para entrar em parques e áreas naturais se pagamos tantos impostos? A questão no entanto é: o que temos hoje sem pagar e o que queremos ter se amanhã formos taxados? A resposta é simples: na primeira temos o que temos hoje (e vou exemplificar mais abaixo o que temos hoje…), na segunda podemos exigir uma alteração radical da maneira como se olha em Portugal para as áreas e paisagens protegidas. Os nossos impostos não são um poço infinito onde podemos obter funding ilimitado e onde existem recursos infinitos, são necessários para a saúde e para o ensino, escolas, estradas; se assim é pouco ou nenhum sobra para a defesa do ambiente – o que diga-se até dá algum jeito e que justifica atentados como os famosos PIN – que habitualmente fica em último lugar a fazer companhia à cultura.

Não é possível os fotógrafos de natureza continuarem a trabalhar de costas viradas para as entidades que supervisionam as áreas naturais e vice-versa, é uma situação de perda-perda em que ninguém ganha com esta falta de diálogo; compete também aos fotógrafos lutar e defender os locais onde trabalham e que lhes permitem subsistir, ignorar isto e decidir que partir lá para fora é fugir à questão fulcral na fotografia de natureza: qual deve ser o papel dos fotógrafos de natureza na defesa da mesma? Divulgar os locais que em Portugal são autênticos santuários da natureza – e há vários em Portugal -, intervir na sua defesa são tarefas a que hoje um fotógrafo de natureza não pode fugir, Ansel Adams não se escusou a esse papel e os parques naturais dos EUA muito lhe devem. Os fotógrafos têm que ser partes integrantes da solução e não parte do problema mas não podem também ser o ‘bode expiatório’ que vai salvar os nossos parques à custa das taxas que lhes vão ser cobradas. Outras soluções mais interessantes poderão ser aplicadas: a reversão de uma comissão nas vendas de cada fotógrafo para a zona onde o fotógrafo fotografa habitualmente ou onde a fotografia foi feita, cedência gratuíta de fotografias para divulgação dessa área protegida, organização de workshops juntamente com o ICNB a preços convidativos para chamar visitantes às áreas protegidas ou então a montagem de um fundo que se destine a recuperar/salvar algumas dessas zonas.
O estado actual das coisas não serve, como me parece óbvio, a ninguém, nem ao ICNB nem aos fotógrafos. Até quando vamos todos continuar a falar de costas viradas uns para os outros não sei mas que de facto me parece que vai ser preciso sentar todos os intervenientes à mesa e discutir pontos de vista também me parece óbvio. Com o autismo constante e crónico do ICNB será, de certeza, uma tarefa complicada. Agora o estado português não se pode divorciar desta situação e depois espalhar outdoors pelo país a dizer que tem 700,000 hectares de áreas protegidas e piscar o olho ao turismo, levando as pessoas a escolher uma delas para passear. Como se pode ver será uma viagem inesquecível no meio dos sacos plásticos…

A finalizar deixo-vos aqui o meu testemunho pessoal, que é ao mesmo tempo um grito de alerta sobre o que se passa, por exemplo, em Bertiandos.

Começa a ser complicado ir para Bertiandos fotografar, no rio estorãos se não estiver muito (mas mesmo muito) atento não é díficil chegar a casa com restos de sacos plásticos espalhados nas fotografias, na zona da lagoa do mimoso o lixo é tanto que já é quase impossível virar uma lente para qualquer lado sem ver lixo espalhado, de sacos de plástico a latas de cerveja é possível ver um pouco de tudo.

Há três anos atrás era muito fácil encontrar, por volta desta época, nos pequenos charcos que circundam as lagoas várias espécies de rãs, hoje e após uma invasão de lagostins já é praticamente impossível avistá-las. Na altura questionei no centro interpretativo qual era a origem dos lagostins mas ninguém me soube responder no centro interpretativo, hoje estão desaparecidos – não sei como – e se durante algum tempo era possível avistar restos de lagostins que eram comida fácil para as lontras e aves, hoje nem lagostins nem rãs…
Tudo isto coincide com um aumento gradual nas visitas à área e já se vêem muitos turistas estrangeiros mas também muitos portugueses de outras zonas do país. No entanto o civismo de quem visita as lagoas ainda é bastante baixo, para não dizer inexistente, e na terça feira de carnaval cruzei-me com um miúdo que levava uma fisga com que ia lançando pedras a tudo o que se mexia…debaixo do olhar ‘embevecido’ do progenitor, provavelmente espantado com as capacidades de atirador do catraio.

Para não ver este triste espectáculo prefiro pagar e pagar um valor razoável como por exemplo os preços praticados no parque Yellowstone nos EUA do que não pagar e assistir à morte lenta deste local. Fechar a área e impedir o acesso indiscriminado de pessoas e viaturas parece-me a solução ideal, logo a seguir disciplinar e responsabilizar os agricultures da zona para não fazerem do rio estorão/lagoa do mimoso o seu balde do lixo, limpar o local de lixo e mato e colocar portagens. A precisar de uma atenção muito especial por parte do ICNB e da Câmara Municipal de Ponte de Lima…acabe-se de vez com a rebaldaria, falta de civismo e abandono. E salve-se Bertiandos deste sufoco…para que seja possível encontrar este cenário durante mais alguns anos:
bertiandos-14

04
Fev
09

Em defesa da natureza…

Alguém no ICNB perdeu definitivamente a cabeça. Para 2009, ano de crise profunda e instalada, um burocrata decide cobrar 200€ a quem fotografa nas áreas debaixo da alçada deste instituto. Cobra-se para fotografar em áreas deixadas há anos ao abandono, como tenho a infelicidade de constatar no terreno desde há cinco anos para cá. Mas o fulcral desta questão é: deve-se ou não cobrar o acesso à áreas naturais, independentemente do fim?

Eu sou um adepto fervoroso do ‘sim’ desde que o dinheiro seja investido nas áreas, aliás como já aqui o disse várias vezes. Que o dinheiro sirva para limpar matas, marcar trilhos e fazer com que todos sejam bem-vindos parece-me de elementar justiça e mais turismo não significa pior natureza. Mas estamos em Portugal, país onde quase tudo o que involve natureza e ordenamento do território é, no mínimo, terreno pantanoso onde interesses se movem para exterminar o que nos resta neste campo; o caso paradigmático da estrada que atravessa a mata da albergaria no Gerês e a posição do presidente da junta de Vilarinho das Furnas que pretende arranjar a estrada para que a mata seja mais fácil de atravessar é o exemplo cabal do trauliteirismo militante que os nossos dirigentes padecem há muito. Basta olhar para a embrulhada de todo o parque da Serra da Estrela para ver que o mal que se fez nunca ou tarde é remediado e o exemplo do bairro clandestino aberrante que lá foi construído e licenciado há cerca de dois anos é a prova que o crime em Portugal compensa.

Temos em Portugal um ordenamento do teritório com uma área autorizada de construção que feitas as contas permite construir habitação para 54 milhões de portugueses. Ora com a população a envelhecer a olhos vistos e o número de habitantes estabilizados há vários anos pergunto eu para quê tanta área com possibilidades de construção? E para quem e que interesses foram defendidos? Os de todos ou só de alguns?
E ainda temos a questão dos monumentos seculares estarem ao abandono e desprezados e os centros históricos das nossas cidades, mesmo aqueles que estão classificados, estão de tal forma degradados que pouca ou nenhuma esperança há para os salvar. É melhor deixar cair…
Mas afasto-me do assunto, de volta ao que interessa. Eu acredito portanto no princípio do utilizador/pagador neste caso, raios se vou fotografar para Bertiandos porque não pagar, nem que seja uma verba pequena – 10 ou 20€/dia – ou então contribuir com algumas fotografias ou vídeos para acções a desenvolver pelo ICNB para promover o local em termos de biodiversidade e de turismo? Ora o ICNB anda totalmente à deriva nisto, não se sabe como pretende aplicar a tabela nem a quem, nem quando e muito menos onde em concreto. Mas até a simples fotografia na costa portuguesa pode ser taxada pelo instituto dado que esta área também está debaixo da sua alçada…
E como se destrinça ‘actividade comercial’ do que não o é? Eu sou fotógrafo amador, vendo uma ou outra fotografia de vez em quando, isto para o ICNB é actividade económica suficiente para me cobrar 200€ de cada vez que ponho os pés em Bertiandos? Sou amador, bati uma única fotografia no Gerês, concorri ao National Geographic e ganhei 5.000€ num prémio, quando é que recebo a factura para pagar? Vou ter o ICNB à perna?

Mas se vou pagar então tenho que exigir locais limpos, sem lixo nem poluição, mato limpo, trilhos ‘trilháveis’ e devidamente marcados em vez da barafunda actual onde por exemplo é possível ver sacos plásticos de lixo espalhados um por pouco por todo o Rio Estorãos em Bertiandos, onde está um passadiço em madeira junto à lagoa de S. Pedro, partido e seguro com cordas seguramente há mais de dois anos. Se pago exigo nível de serviço porque pagar 200€/dia em zonas mal marcadas, sem guias em pdf ou em papel sem o mínimo de qualidade, sem postos de vigia para fotografar em tranquilidade e para poder descansar sem arriscar a partir o pescoço como no Paúl de Arzila (cujo trilho principal estava para ser limpo há cerca de dois anos e por falta dessa limpeza está intransitável) é absolutamente inadmissível no meu entender. Querem cobrar? Cobrem mas forneçam um serviço de qualidade à semelhança do que os parque internacionais fazem. Mas, repito mais uma vez, estamos em Portugal onde tudo é feito a começar pelo fim e portanto arrisco-me a prever que com tantas trapalhadas e burocracias a medida arrisca-se a nunca sair do papel dado que o acesso a todas as áreas protegidas é tão livre que será impossível ao ICNB controlar eficazmente a medida e mais uma vez algo que poderia contribuir para melhorar significativamente a nossa natureza fica pelo caminho. Aliás o ICNB tem vindo constantemente a meter-se em trapalhadas, como a autorização ao rali Lisboa-Dakar (que lembro passava em zonas de Rede Natura 2000) até ao recente patrocínio de um rali todo-o-terreno na zona de Lisboa, não se entende estas práticas de um organismo que existe fundamentalmente para defesa da natureza mas que na realidade por inercia ou falta de verbas se transformou lentamente num Instituto Contra a Natureza e Biodiversidade. É um orgão autista virado para si mesmo e que não planeia nem faz o que se pretende dele, a continuar assim a sua razão de existir extingue-se pouco a pouco tal e qual como as áreas que deveria gerir e proteger.

Que se virem agora para os profissionais de imagem, que diga-se fazem mais pelas áreas protegidas que o próprio ICNB, parece-me mais um sinal de desnorte do que propriamento um plano bem definido e o facto de as tabelas terem sido ‘estrategicamente’ alteradas após a revista Fotodigital e alguns profissionais terem levantado a voz vem apenas reforçar a ideia de que os planos são feitos em cima do joelho e executados às três pancadas sem o mínimo de sentido crítico ou de inteligência. É que nem se lembraram de falar com as pessoas envolvidas… Haja pelo menos alguém com inteligência e que meta isto nos trilhos, até lá é preciso estarmos todos atentos e informados e esperar o milagre que salve este país do descalabro onde nos meteram…

Recursos:
ICNB corrige tabela (fotodigital)
A visitação do INCB (José Antunes)
Pior emenda que o soneto (José antunes)




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