Posts Tagged ‘vintage

26
Maio
10

Library of Congress – Edward S. Curtis

© Edward S. Curtis / LoC

Edward S. Curtis (Wikipédia) foi um fotógrafo que ficou famoso pelos seus retratos da vida dos índios nativos norte-americanos.
A sua série de retratos sobre a vida dos nativos foi financiada pelo norte americano J P Morgan (dono de um império de transporte ferroviário) e deu origem a uma obra publicada em vários volumes. As fotografias impressas a partir dos negativos de vidro, muitas com tonalidade sépia, são extraordinárias de todos os pontos de vista: técnica, composição e inspiração. Curtis deixou um legado fundamental para o entendimento da vida das tribos nativas norte-americanas antes do seu desaparecimento ou aglutinação no estilo de vida que os colonos trouxeram; esta colecção esteve esquecida e arquivada durante várias décadas esta é uma oportunidade única de aceder a mais de 1.000 fotografias das cerca de 2.400 que a compõem.

© Edward S. Curtis / LoC
Finalizo com uma das fotografias icónicas de Curtis ‘Canyon Chelly’ de 1909, uma imagem fantástica e que nos dá uma panorâmica sobre a paisagem da época, devidamente enquadrada pela escala humana que os cavaleiros (e respectivo cão) nos dá.

Mais uma vez não são conhecidas restrições em relação ao copyright mas isso não significa que ele não exista. Prossiga com conta e risco na descarga de ficheiros, está por sua conta.

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25
Maio
10

Library of Congress – Fenton

© Roger Fenton / LoC

Na continuação do artigo anterior sobre Dorothea Lange hoje escrevo sobre a famosa fotografia sobre a guerra da Crimeia do fotógrafo Roger Fenton (Wikipédia). A fotografia foi tirada em 1855 pelo fotógrafo inglês Fenton que provavelmente numa das primeiras reportagens de guerra que se conhecem se deslocou para esta península russa para retratar a guerra que decorria na altura entre ingleses e russos.
As bolas que se vêm na fotografia são balas de canhão disparadas contra os soldados ingleses numa emboscada num vale e existe uma enorme discussão sobre a sua autenticidade, Errol Morris tem um artigo no seu blogue no NY Times em três partes que deve ser lido para ter uma perspectiva histórica (parte I, II e III) e sobre o facto de Fenton ter ou não encenado esta fotografia. De salientar que existem duas fotografias quase idênticas tirando o facto de uma ter as balas espalhadas pela paisagem e a outra ter uma estranha ausência de balas:

I spent a considerable amount of time looking at the two photographs and thinking about the two sentences. Sontag, of course, does not claim that Fenton altered either photograph after taking them – only that he altered or “staged” the second photograph by altering the landscape that was photographed. This much seems clear. But how did Sontag know that Fenton altered the landscape or, for that matter, “oversaw the scattering of the cannonballs on the road itself?”

Mas dadas as limitações técnicas da altura várias horas podem separar as duas fotografias.

A impressão é uma impressão de albumina – substância contida na clara de ovo – em papel muito fino e que ganha um craquelado muito característico em virtude da secagem da albumina. O tom amarelo do papel também é característico deste tipo de impressões. Mais uma vez não são conhecidas restrições em relação ao copyright mas isso não significa que ele não exista. Prossiga com conta e risco na descarga de ficheiros, está por sua conta.

24
Maio
10

Library of Congress – o arquivo

© Dorothea Lange / FSA / Library of Congress

O que aqui estão a ver não é uma reprodução da famosa ‘Migrant Mother‘ de Dorothea Lange, é o negativo original. Bem não é o negativo original, é o ficheiro digital do negativo original. Mas o que faz aqui o negativo original da ‘Migrant Mother’?

A Library of Congress tem disponíveis no seu site centenas de fotografias e ficheiros digitais obtidos a partir das impressões e negativos originais, com acesso aberto e em alta resolução, só para terem uma ideia o ficheiro deste negativo tem 55Mb e está em Tiff (Wikipédia). Na prática este acesso permite a cada um ter em sua casa o seu próprio Fenton, Curtis ou Lange. Olho para este negativo e vejo algo tão forte e orgânico que é impossível obter com um ficheiro original digital, tem a magia própria de um filme e de um grande formato – foi obtido com uma Graflex de 4×5 polegadas (o negativo tem 10x13cm) – em filme Kodak. As fotografias estão também na página do Flickr da LoC.

Nota importante: As fotografias não têm restrições no copyright o que significa que estão não disponíveis para venda mas para uso privado e publicações. Aliás a própria instituição adverte que em alguns casos o dono do copyright não é conhecido mas que pode existir. Portanto se quer ter a sua própria fotografia da Dorothea Lange é melhor investigar. Depois de alguma pesquisa descobri que a Getty Images também tem a foto disponível para venda/uso no seu site o que dificulta o deslindar da rede intricada da malha do copyright, se não quer ter a Getty à perna é melhor prevenir-se e evitar o uso público da imagem. Por isso deixo ficar ao critério de cada um a acção a tomar e a responsabilidade da mesma.

13
Abr
10

Viagem pelos caminhos da memória


Tenho alimentado uma paixão pela fotografia vintage de estúdio e esta é uma das minhas favoritas. É do estúdio de Mercer & Co na High Street em Perth (página da cidade) e está em relativo bom estado de conservação embora já com algum mirroring (George Eastman House) nas zonas mais escuras e algumas manchas.

A encenação é uma maravilha com o pano de fundo do estúdio a parecer uma casa mas é um trompe d’oeil, os quatro homens são (provavelmente familiares) e a fotografia terá sido captada para celebrar a chegada de um novo menbro à família, o bebé nas mãos do idoso.
Mas o interessante destas imagens é a evocação de uma época passada e mais do que a ‘arte’ interessa-me mais o documento e o registo dos costumes dessa era. A fotografia ainda era um meio desconhecido do grande público, começavam a nascer estúdios para fazer estes retratos de família que vinham agora substituir os quadros de família e assim democratizar o registo de um pedaço de história de cada um.

Olho para estes retratos e pergunto-me quem eram estas pessoas e pela pose e pelos adereços que usam percebe-se que eram pessoas abastadas mas será que ainda hoje têm descendentes? Estes registos permitem-nos mergulhar no tempo de uma forma anónima e, no meu caso, com uma curiosidade enorme de tentar ‘ler’ o que estas fotografias nos tentam dizer.

15
Jun
09

Um pequeno paraíso para os amantes de livros…

Para quem como eu é apaixonado por livros de fotografia, a Librairie 213 é absolutamente imperdível.

É uma livraria altamente especializada em livros raros e primeiras edições e só atende por marcação. Como seria de esperar é um verdadeiro paraíso para aqueles que procuram mais do que o livro corrente, um verdadeiro arquivo da fotografia moderna com um espólio admirável, o seu novo catálogo de fotografia alemã é um achado, embora os preços estratosféricos sejam um verdadeiro balde de água fria mas mesmo assim ainda são possiveis de encontrar algumas ‘pechinchas’ por cerca de 250€, o tecto é o limite de um boa conta bancária…

Edições raras como esta do Gehard Richter:
GRUma edição de 90 exemplares, numerados e assinados, em que cada capa é pintada à mão pelo próprio fotógrafo, uma raridade que vai mais além da própria edição limitada e entra no campo de obra de arte única. O preço está dentro do que é expectável: 55.000€. Richter não é fotógrafo de raiz e a fotografia nunca assumiu um papel central na sua obra, onde a face mais visível do seu trabalho enquanto fotógrafo foi sempre o seu trabalho Atlas.

Mas uma selecção da fotografia alemã nunca estaria completa sem os Becher e de facto nesse capítulo o catálogo não desilude:BHBEsta selecção de livros (dezassete no total) abarca a obra deste casal desde 1970 até 2006, permitindo assim ter uma visão abragente do trabalho deste influente duo e da sua responsabilidade na criação daquela que ficaria conhecida como escola de Düsseldorf. O preço é – novamente – um óbice à sua aquisição mas existe uma selecção mais pequena de livros do casal por um preço mais baixo.
bhb2Quem não quiser desembolsar (ou não puder) a verba que é pedida por estas raridades preciosas tem uma edição muito boa da Thames&Hudson no livro ‘Basic Forms of Industrial Buildings‘, uma edição de capa dura com 98 ilustrações, 61 das quais em duotone em que o preto é conjugado com outra cor – que neste livro me parece ser o amarelo – para lhe dar uma tonalidade quente. É uma excelente edição para os entusiastas dos Becher como eu.

Dentro da escola de Düsseldorf, Candida Höfer é outro nome incontornável.
chOutra série impressionante de livros em edição rara de uma das fotógrafas incontornáveis do séc. XX.

Mas ignorar o catálogo japonês será uma falha grave portanto estejam tentos ao site da livraria e vão desfolhando estes dois catálogos à vossa medida, com tempo e paciência para apreciar estes livros. Confesso que me apaixonei por meia-dúzia de títulos, alguns infelizmente fora do meu alcance, mas sobretudo pela ideia que está por trás desta galeria – chamar-lhe loja parece-me redutor – que procura algo mais do que o óbvio e nos disponibiliza material para melhor percebermos os movimentos alternativos na fotografia contemporânea. Não é algo que esteja ao alcance de todos, e não falo só a nível financeiro, porque o seu público alvo é definitivamente, e para usar uma palavra francesa, o connoisseur que procura para além do imediato e da novidade. Absolutamente obrigatório e imperdível para todos aqueles que gostam de fotografia.

29
Mar
08

Um olhar sobre o passado.

Vintage photographs‘ é um sítio onde é possível admirar photos antigas das mais diversas partes do globo. Um bom exemplo é esta fotografia do Edouard Boubat tirada em Portugal em 1956. Tem muitas fotografias digitalizadas com razoável qualidade mas interessa pesquisar as fotografias menos conhecidas de fotógrafos famosos, como HCB ou Boubat. Vale a pena visitar.
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Num registo diferente e mais organizado, a ‘Galerie art afrique‘ tem um arquivo bem organizado de fotografia de África dos finais do séc.XIX até ao início do séc.XX e os exemplares únicos destinam-se à venda e com preços muito interessantes para um colecionador – algumas oscilam entre os 80€ e os 90€. Tem também alguns exemplares em tiragens A4 que rondam os 2.000€. Para além do interesse comercial há também o interesses histórico das imagens que não é de ignorar e que pode ser aproveitado para completar pesquisa e investigação.
Esta galeria possui também algumas peças de arte contemporânea mas o interesse principal é realmente a fotografia antiga.
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[aqui estão os rascunhos dos meus projectos correntes e inacabados]

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todas as fotografias pertencem aos respectivos autores assinalados e são publicadas apenas no estrito interesse do comentário e crítica sobre fotografia.

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[larga variedade de livros de e sobre fotografia. se comprar via este link recebo uma pequena percentagem.]

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