Archive for the 'cinema' Category

31
Maio
11

Simmetry by Everynone


Simmetry um pequeno vídeo sobre as pequenas grandes coisas da vida. É da autoria do colectivo de vídeo Everynone, talvez, talvez das coisas mais inspiradas que tenho encontrado na web nestes últimos meses. Basta dar uma vista de olhos pelos vídeos deste colectivo para perceber que as pequenas histórias quando contadas com criatividade e inspiração dão excelentes resultados.
(via: Sara Godinho e iGNANT)

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04
Abr
11

Fish tank (2009)


Levantei-me domingo de manhã para ir fotografar, fazer umas pequenas compras, atestar a viatura e apanhar ar. Ligo o TvCine1 HD e deparo-me com “Fish tank” prestes a começar e colo-me ao ecrã, arrisco perder a luz, ficar sem mantimentos e o divórcio.

Um filme cru, sem guardar prisioneiros, sobre as dores do crescimento de uma adolescente nos subúrbios ingleses, numa família monoparental, e a braços com vários problemas de identidade e de relacionamento social.
O filme tem um olhar desencantado, directo e brutal na forma como apresenta a história de Mia – a personagem principal – e o que a rodeia, a forma como introduz Connor, um novo namorado da mãe, na trama e a forma como se desenvolve toda a história a partir daí e como este novo elemento vem devastar e destruir o frágil equilíbrio em que a vida de Mia se encontra é o ponto focal deste filme.
Brilhante, fresco, brutal, devastador, deprimente, resumindo: um 5*.
Rating: *****

10
Mar
11

Andando (2008)

Há filmes assim, que se entranham tranquilamente quase sem darmos por isso. É para já o melhor filme que vi em 2011, um filme soberbo, tranquilo, admirável e com uma história formidável.
‘Andando’ conta a história de uma reunião familiar cujos elementos se juntam para recordar a morte (que ocorreu 15 anos antes) do filho mais velho da familia. Durante dois dias esta família será confrontada com a dor, a alegria, irá revelar segredos, partilhar confidências. O tempo corre devagar ajudado pelo ângulo fechado da câmara (se fosse fotografia eu diria que teria sido fotografado com uma 50mm) mas também pela imobilidade da mesma, em nenhum momento a câmara se move, não há travellings nem pannings, apenas a câmara estática. O filme poderia facilmentre cair no sentimentalismo fácil mas evita-o de forma magistral, contida e espartana; estamos longe dos blockbusters ou até de um over-acting como por exemplo em ‘The vicious kind‘ e é precisamente essa contenção em conjunto com um guião sólido e acima da média que fazem deste filme uma das mais belas peças de cinema dos últimos anos. Visualmente é uma peça como só um oriental consegue produzir e que oscila entre os planos estáticos com os intervenientes e outros quase fotográficos do entorno onde se passa a acção que reforçam um certo sentimento de solidão.

Por tudo isto recomendo vivamente a aquisição deste filme, editado em Portugal na Colecção Fnac.

Rating: *****

30
Jan
11

The vicious kind (2009)


Por vezes os canais TvCine da Zon passam umas pérolas perdidas no meio de tanta programação cheia de blockbusters. Hoje calhou-me “The vicious kind” um pequeno filme independente que teve algum sucesso nos festivais da mesma categoria pelo mundo fora.

Não é um filme de nos arrasar ou de nos deixar à toa mas é uma história bem contada: dois irmãos, um pai, uma rapariga. Este quatro personagens vão interagir de uma forma magistral durante a duração do filme (94 min.) onde as fragilidades de cada um vão sendo expostas à medida que o guião avança.
Caleb e Peter são dois irmãos, orfãos de mãe, cuja relação vai ser colocada à prova quando Caleb (o mais velho) vai buscar Peter à faculdade e pelo caminho recolhem a namorada deste, Emma, para uma curta viagem de férias (thanksgiving) até casa do pai (Donald) de ambos.
Caleb, um personagem psicótico, que não dorme durante dias seguidos, tem um problema com mulheres após uma separação recente com alguém cujas semelhanças físicas com Emma são enormes… Adam Scott constroi uma personagem meia-louca, meia perdida, à deriva numa pequena cidade, com um emprego simples e pouco promissor. Caleb não fala com o pai desde que a mãe morreu, não dorme desde que a namorada o deixou e isso coloca-o num estado catatónico que o leva a construir uma relação com Emma que irá determinar o desenlace final. Pelo caminho, Peter, Emma, Caleb e Donald vão descobrir fragilidades, destroçar ingenuidades, reconstruir relações e curar feridas.

Um filme simples sobre pessoas envolvidas em relações que muitas das vezes não conseguem enfrentar nem resolver e cujas amarguras e cinismo servem de desculpa perante essa mesma impotência. O filme explora muito bem o lado familiar, construído à volta de mentiras, traições e meias-verdades que corroem e rompem uma pequena família que à partida tinha tudo para se manter unida pela partida da mãe mas que não aguenta a pressão da mentira mas que acaba por sobreviver à custa de novas mentiras…

Interessante e inteligente é um filme de baixo orçamento que encanta pela história e pela fotografia, banda sonora muito interessante e boa montagem.

Rating: *** 1/2

02
Dez
10

Tetro


Tetro, uma obra enigmática de Coppola filmada na Argentina a preto&branco entrou-me hoje em casa graças ao canais TeleCine da TvCabo.

Obra estranha, entre a beleza clássica da composição e a estranheza do guião, Tetro é um filme admirável sobre a natureza turbulenta da rivalidade dentro da família, uma história onde duas personagens vivem à sombra de um pai omnipresente – raramente visto no ecrã, apenas em flashback que são as únicas cenas a cores de todo o filme – castrador, repressor que acaba por criar uma sucessão de pequenos dramas que levam a um final redentor e libertador.

Um filme tranquilamente perturbador e dramático, filmado de forma magistral, com uma composição de imagem clássica que centra o interesse no guião e que “comprime” a visão para os elementos essenciais ao desenrolar da história. Os flashbacks a cores e com recurso a encenações em alguns deles são um elemento essencial
Gostei bastante do filme confesso, sobretudo pelo aspecto particular da família enquanto elemento castrador do indivíduo que me diz muito. Mas sobretudo pela absoluta incapacidade de Tetro de se libertar de uma sombra, uma escuridão que o cobre desde a sua adolescência, sombra essa lançado pelo seu pai. Até ao final Tetro trava uma batalha interior não para se libertar dela mas para a ignorar, fingindo que a mesma não existe. No final será um novo conceito de família – a sua, não a de seu pai – a libertá-lo. Pelo meio assistimos a uma relação com o seu irmão mais novo que irá sofrer uma reviravolta no final que irá levar à sua libertação e redenção.

Rating: *****

02
Dez
08

Control – o filme.

control-dean

Escrevo este texto pela perspectiva de alguém que é um fã incondicional dos Joy Division, cresci a ouvi-los e tenho-os como um dos grupos mais influentes de sempre. Dito isto, avanço para o filme.

Comprei a edição especial em dois dvds por um preço aliciante – 11.95€ – e na primeira oportunidade não resisti a vê-lo. O filme da autoria de Anton Corbjin é baseado na obra Touching from a Distance, escrito por Deborah Curtis, a viúva de Ian. O preto&branco adapta-se à história mas já é um cliché na obra do realizador/fotógrafo e o filme aguentava bem a cor, embora numa tonalidade mais des-saturada, nada de novo aqui portanto.

O que mais me espanta no filme é a falta de ‘dimensão’ nas personagens, quase todas são transpostas para o ecrã de uma forma unidimensional, sem tensões nem contradições, fazendo apenas o que se espera delas, e o caso mais gritante será o de Annick Honoré que no filme não passa de uma personagem perdida no sentido mais literal da palavra. De Annick não retemos uma única sentença ou frase que a defina como ser humano, no centro de toda aquela tragédia, e talvez um dos catalizadores para o desfecho da história. É pena mas não é caso único, o papel de Tony Wilson e da banda não é clarificado nem preciso em todo o desenrolar do filme e a banda não passa mesmo de um adereço que era necessário colocar lá e pouco mais, na realidade e como se veio a verificar nos restantes membros dos Joy Divison existia uma força criativa que transbordou para os New Order com os resultados que se conhecem.
Toda a situação de conflito interno de Ian é descrita a vol-de-oiseaux e exemplo disso é abordagem à situação profissional que num take particularmente desinspirado é atirada para o enredo – numa conversa sem sentido entre o chefe de Ian e o próprio – onde Ian é pressionado a escolher entre a banda e o emprego no centro de desemprego mas que depois não tem continuídade na narrativa. Por todo o filme abundam pontas soltas, peças narrativas sem saída e situações não resolvidas. A própria narrativa da relação Ian-Deborah-Annick está minada por clichés, Ian é o autor semi-louco e apaixonado pela mulher errada e que não quer tomar uma opção, Deborah a mulher que faz tudo pelo marido que a humilha e Annick é o amor inconsequente, mais banal era difícil…

Hoje, passados 28 anos, era preciso talvez abordar o tema com uma outra espessura e isenção, e o facto de Deborah Curtis ser a produtora não ajuda muito nessa matéria. Em termos puramente biográfico poderá ser interessante para conhecer a história de Ian curtis mas a sua contextualização na época e na história da música não é feita nem as relações dentro da banda são claras. Parece que as outras personagens são transparentes e que não têm uma ligação intíma com Ian, o que se lamenta sobretudo a ligação com os outros elementos da banda.
As tensões, dúvidas e todo o sofrimento de Ian são desbaratados a troco de uma certa tentativa de meter tudo num filme de 117 min., é um facto que não o conseguiram. De fora fica muita coisa, talvez o mais importante, que na minha opinião é o de saber qual o estado de espiríto com que Ian se confrontava para escrever algumas das canções mais tristes e soturnas da história da música como a conhecemos, de como todo o seu conflito interno no triângulo amoroso onde se colocou o influenciou a tomar a decisão de pôr fim à própria vida. Faltam dados, espessura dramática e dimensão às personagens para o sabermos. Um flop, portanto. Salva-se a fotografia, valha-nos ao menos isso.

Para colmatar estas falhas o melhor será avançar para a leitura de entrevistas, nomeadamente a de Deborah Curtis ao The Guardian, a de Annick Honoré ao Side Line e uma visita ao photostream no Flickr de Barney’s Angels que tem uma colecção impressionante de fotografias da banda New Order (e de Annick também), reproduções de entrevistas, etc.
Outra fonte de informação é o livro Torn Apart: The Life of Ian Curtis de Lindsay Reade, ex-mulher de Tony Wilson e que se baseou na troca de correspondência entre Ian Curtis e Annick Honoré.

No global fica-se à espera de mais e melhor mas não deixa de ser um biopic interessante para quem quer conhecer a história da banda e depois se aventurar na música, que aliás é um pouco esquecida no filme. Duas horas de filme para ver e não sei se resistirá ao tempo, encaro-o mais como um documentário incompleto e como mais uma peça entre tantas para se entender Ian Curtis e os Joy Division. Se ficar a vontade de conhecer a música já serviu para alguma coisa.

Nota final: os links dos livros são para a minha loja da Amazon. Boas compras.

26
Fev
07

Fur – o trailer.

Depois da entrevista com o realizador, aqui fica o trailer.




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